Jornal dos Desportos

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Opinio

10 Anos de seca

12 de Outubro, 2016
Estrelas do reality show da campanha de Angola na Copa do Mundo FIFA de 2006, na Alemanha, juntaram-se no último fim-de-semana para assinalar os 11 Anos do golo da qualificação, em Kigali, e os 10 anos do maior feito histórico dos “Palancas Negras” no momento em que entraram nessa fase final.

A comemoração foi iniciativa dos “Três Capitães” da equipa, nomeadamente, André Makanga, António Figueiredo e “Akwá”, aliás FabriceMaieco, o autor do golo de ouro tingido nas redes do Rwanda. Com o apoio das Organizações Santos Bikuku, foram igualmente às festividades, em Saurimo, o Jacinto,

Jamba, Lebo -Lebo, Locó, Maurito e Zé Kalanga, este último, assistente do golo, foi o executante do centro para a cabeça de “Akwá”. Ausentes, embora justificadamente, estiveram Kali, Flávio Amado, Gilberto, João Ricardo e Pedro Mantorras, a quem se juntou o antigo capitão e actualmente representante da Associação dos Atletas, Quim Sebas.

Uma homenagem no Estádio do Dundo, no sábado, à margem do jogo do “Girabola” Sagrada Esperança da Lunda -Norte - Progresso da Lunda - Sul, e uma peladinha tira -barriga entre os “Mundialistas” e a Velha Guarda das Lundas, em Saurimo no domingo, foram momentos que extrapolaram da comemoração e da confraternização, para a reflexão. Tenho de admitir que o gesto dos “Três Capitães” veio pôr o dedo na ferida aberta do Futebol – uma década de derrocada.

De derrocada e à deriva. Como sempre e após a festa, comenta-se e reflecte-se. E, na lembrança dos “Três Capitães” recordaram o Mundial de 2006, acabaram por meter três dedos na ferida em que eles hoje vêem acamado o seu “legado. Pois, à excepção da Academia de Futebol de Angola, AFA, há um vazio quase, mas sobretudo um profundo silêncio para aplacar a malnutrição do Futebol.

Podemos sentar-nos. Olhar ao redor e admitir que se faz muito pouco. Nada comparado com o que se fazia de qualidade e de positivo, como em 2006, comprovou a nossa entrada numa fase final de um Copa do Mundo FIFA em absoluto, o escalão máximo. Apenas cinco anos antes tinhamos sagrado Angola campeã Africana de Sub-20, gerou-se então a expectativa de renovação na continuidade, mas essa continuidade depois faltou-nos.

Não soubemos segurar a corda e garantir o “momentum” trazido pela coroação recente dos nossos juniores, a maioria dos quais desapareceu misteriosamente de seguida, e nem soubemos costurar uma regulamentação – eu chamo-lhe a Receita Victorino Cunha - que gerasse mais oportunidades para os jogadores juvenis e juniores poderem competir em dupla -categoria e fortalecer o “relay” geracional, ou seja, garantir que na corrida de estafetas das gerações do desporto não se atrase, nem falhe, a passagem do testemunho.

Foi coincidentemente aquele momento, em que se acentuou o “lobbysmo” nos corredores do Desporto, umas vezes para inocular pessoas em cargos desportivos, outras para guindar a dirigentes antigos praticantes. Foi aí que se acentuou a queda, certas vezes aparatosa de antigos dirigentes associativos tradicionais, e com isso, agravou-se o dirigismo, particularmente, pela inexperiência de nova guarda, má gestão e fracas relações públicas e com predominância de um péssimo gosto para a escolha de colaboradores.
Arlindo Macedo

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