Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

10 Anos de seca "Mundial" (fim)

13 de Outubro, 2016
Os recursos humanos são a parte crucial de uma empreitada e organização, porém, a formação de dirigentes desportivos não voltou a despertar entre nós a importância do método nem a sofisticação da metodologia, que aconteceu nos anos 80 e 90, quando o empenho era maior e o mercado de trabalho tinha alunos de excelência do INEF, Instituto de Educação Física, cujo papel crucial em todo este processo, de recursos humanos, parece não gozar presentemente da mesma qualidade. E, não foi apenas no instituto que essa qualidade empobreceu, nas próprias organizações dos Agentes desportivos, e daí, e por maioria de razão, devemos ser os recursos humanos a resposta precisa, mais forte e urgente.

Dirigir homens, alicerçar as hostes e forjar campanhas de sucesso, de forma a ser o mais auto-sustentável possível, é pedir demasiado aos actuais dirigentes desportivos, regra geral, com alguns deles a tornar o clube mais uma empresa, que um centro desportivo multifacético e crítico, porque crítica é a nossa posição. E, agora, também a nossa situação. Tal quadro deve parecer demasiado para a maioria de emblemas e das direcções que optam por se focalizar em “girabolar”, e eventualmente jogar mais alguma coisa.

Assim, são os clubes com subsídio público, por via da sua origem e filiação, aqueles que mais se permitem ir além do Futebol. Contudo, as causas económicas não bastam para justificar a falta de iniciativa e de pragmatismo, em quem nem sabe abraçar a comunidade e educar através do desporto.

Apesar da falta de uma coligação funcional, digamos assim, para acelerar o provimento de recursos humanos no sector do Desporto, sabemos que a linha de montagem da prática desportiva está com o Agente desportivo, Associação ou clube, que é esperado funcionar com abnegação, desempenho e resultados.

E, esse mesmo agente pode ir mais longe na predisposição das forças locais, e tirar do ostracismo ou quase, aqueles antigos quadros desportivos cuja superação teórica e prática se processa sem grande encargo nem dor de cabeça, obtendo com isso alicerces novos ao redor do clube e na comunidade, aqueles que possibilitam a descoberta de talentos que não chegariam ao clube de outro modo, se este não se chegar primeiro à comunidade. Como já se disse, isso requer abnegação e empenho.

É importante ao Agente desportivo ter iniciativa e empreendedorismo, ou seja, ter o compromisso de empreender um processo de iniciativa, de implementar novos negócios, ou mudanças em empresa já existentes. E, o empreendedor é precisamente este elemento humano e desafiador, que agora aparece mais para o negócio, do que para o bem humano.

É igualmente importante ter a conjugação e coligação de que antes falava, a qual se poderá traduzir por meter em prática uma política e agenda por demais adiada. Senão, vejamos.

A Federação Angolana de Futebol, FAF, já havia organizado em 2003 um Primeiro Encontro Nacional do Futebol, durante um “brainstorm” ou tempestade mental com a nata do Futebol nacional e que foi uma agenda realista e pragmática que foi engavetada a seguir.

Tendo por pano de fundo a vitória de Angola no CAN Sub-20, em 2001, e com os “Palancas Negras” a afirmar-se na qualificação para o Mundial na Alemanha, aquele momento fazia nexo e a sua agenda também. Mas tal não passaria de um momento que criara uma ilusão de que ia arrancar a Fase 2 do Futebol Angolano.
Arlindo Macedo

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