Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

1 de Agosto-Petro e onze \"assaltos\" ?

19 de Setembro, 2017
Segundo um especialista com quem conversei, o que se recomenda, em linhas gerais, sobre os processos e meios institucionais, para a materialização da segurança e da protecção física e patrimonial de tudo e todos nos estádios é o seguinte:Forças e serviços envolvidos no plano de segurança. Polícia de Ordem Pública (apeado, trânsito, auto, motorizado e canino). Video-vigilância. Polícia de Investigação Criminal. Polícia de Intervenção Rápida (na vertente Anti-Distúrbio). Polícia Montada (Cavalos). Esquadra de Helicóptero (meios aéreos). Bombeiros. Serviços de Saúde (emergência). Serviços de Segurança. Voluntários. Anéis de segurança. Segurança e escolta às equipas e claques.

Portanto, naquele 1º de Agosto Petro houve tudo isso? Não sei quem pode responder, mas confesso que também perdi para o susto, após aquele grande jogo em que o 1º de Agosto \"bateu\" o Petro apenas por 1-0; aquele onde Beto Bianchi saiu expulso para o castigo de trinta dias de suspensão e dois mil dólares de multa. Foram furtados mesmo em pleno quintal onze carros?...

Vejam só os números meus senhores. Num ápice, 11 viaturas. Mas quem faz afinal a segurança, o policiamento dentro e fora do estádio? Sinceramente, não vejo as razões que facilitaram a tarefa dos \"bandidos\" naquele dia em que fizeram e desfizeram. E, repito a pergunta: quem faz a segurança, o policiamento dentro e fora? Eu acho que no Estádio 11 de Novembro e sobretudo nos dias de jogos de \"alto risco\", como foi aquele 1º de Agosto-Petro de Luanda, o policiamento, a guarnição, enfim, a segurança, devia ser mais ampla. Só pode ter havido mesmo facilidades por negligência e isto é grave. Muito grave mesmo!

Será que ninguém ainda aprendeu com o que se passou no Estádio 4 de Janeiro no Uige onde, embora não tenha havido lá furto ou roubo, o inquérito concluiu que a tragédia também se deveu à ausência de forte ?

Da minha parte vou continuar a dizer que em termos de policiamento, guarnição ou segurança dos nossos estádios, não tiramos as vantagens que ficaram, neste capítulo, com o que se fez para aquele CAN exemplar de 2010. Realizamos a prova, houve investimento, boas experiências, mas, depois, acho que tudo e todos...ficou no relaxe. E ficou porquê?

Para responder é preciso recordar que antes de Angola ganhar, em 2006, o direito de organizar a fase final do referido CAN, ficou claro que, dentre os vários requisitos que a Confederação Africana de Futebol ( CAF ) e a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) exigiam de Angola, dizia respeito à capacidade de protecção e segurança de tudo e todos em redor do evento.

Então Angola respondeu neste particular que tinha homens e meios à altura da \"guarnição\". A CAF e a CAF enviaram a Angola - em missão de inspecção àquela promessa feita pelas nossos autoridades políticas – o senhor, Walter Gagg, que levou boas impressões sobre as condições de protecção e asseguramento dos estádios, particularmente do 11 de Novembro.

Ainda me recordo que é graças àquela aprovação que, por exemplo, o então vice-ministro do Interior, Eduardo Martins, e o ainda actual comandante geral da Policia, Ambrósio de Lemos, responderam que havia prioridades de segurança.Não foi também por acaso que Presidente da República, José Eduardo dos Santos, chegou a nomear o também então ministro do Interior, Leal Monteiro \" Gongo\", como membro do Comité de Monitorização do CAN, que como se sabe, aconteceu de 10 a 31 de Janeiro de 2010, tendo como palco as cidades da Huíla, Benguela, Cabinda e Luanda, onde está o 11 de Novembro?

Hoje, pergunto, igualmente: onde é que estão os corpos de polícias preparados para lidar com a protecção dos estádios? Eu sei que, na altura, esta responsabilidade resultou até na criação da Direcção de Protecção e Segurança para os estádios, hotéis, entidades individuais.Neste momento, em boa verdade, desconheço qual é a acção que, quer a Polícia, quer a entidade gestora do Estádio ou o Governo Provincial estão a levar a cabo para a recuperação das viaturas ou peças. Mas uma coisa é certa: urge evitar futuras situação similares como as vividas no recente 1º de Agosto-Petro de Luanda?

O nosso país, que até não foi em vão que enviou polícias a vários eventos desportivos, como ao “Mundial”, em 2006, na Alemanha, CAN de 2006 e de 2008, realizados no Egipto e Ghana, e ainda no Europeu, disputado em 2008, na Áustria, Jogos Olímpicos de Pequim de 2008, em 2016, no Brasil para lidar com multiplos factores que ocorrem nos estádios, não pode permitir tamanhas facilidades a bendidos que lá furtam a bel-prazer.
António Félix

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