Jornal dos Desportos

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Opinio

2019, ano para repensar na gesto da marca Angola

24 de Dezembro, 2018
Os angolanos de Cabinda ao Cunene, do Mar ao Leste, bem como os que se encontram espalhados pelos quatros cantos deste mundo terão em 2019 a soberana oportunidade de prestar um honroso tributo à Nação que directa ou indirectamente os viu nascer, pelos seus 44 anos de independência.
É um feito que nos deveria levar a uma profunda introspecção e aturada reflexão sobre como nos vemos e como somos vistos a medida que vamos construindo um País que segundo afirmou o Presidente da República, João Lourenço, na sua recente mensagem dirigida a nação, \"em poucos anos possa ascender a um lugar cimeiro no continente e mesmo no concerto das nações de todo o mundo, no que respeita á transparência e o nível de desenvolvimento e de bem-estar dos seus cidadãos\".
Passados 43 anos, a \"marca Angola \" já deveria estar na moda e ser vista no âmbito de uma \"Country Branding\" no seu conceito e concepção, gerando para o efeito uma atitude positiva e uma apetência perante a mesma!
Porque a imagem de marca de um país existe com ou sem qualquer esforço consciente de branding ou rebranding, seja ela forte ou fraca, actual ou ultrapassada, clara ou confusa!
Não é por mero acaso que o conceito de um país como marca de referência seja no contexto regional e continental onde ele se encontra localizado geograficamente ou até mesmo mundial, tem sido um assunto de interesse mútuo entre académicos, especialistas e profissionais de marketing chegando a gerar algumas vezes acesas e controversas discussões, devido ao seu carácter excitativo, por causa da limitada teoria que a comunidade académica tem sido capaz de produzir e validar a volta do assunto, bem como pela sua complexidade, dado o facto de haver diversos pontos de vista e opiniões que surgem nos mais diversos e múltiplos níveis e dimensões que tem um grande peso na criação ou construção do \" Country Branding\", que vão muito além dos produtos e das empresas umbilicalmente ligadas a determinado país.
Porém é naturalmente admissível, que assim como acontece com as grandes, médias e pequenas empresas, os países também tem de competir uns com os outros, para atrair turistas, estimular o comércio, as exportações, atrair investimentos e assim por diante.
Essa é uma das razões porque o País conhecido desde as 0h00 do dia 11 de Novembro de 1975, como Angola, precisa dar o próximo passo e começar o processo de administração,\" gerenciamento\" e controle da sua própria marca adoptando para o efeito ferramentas que estrategicamente possam aligeirar vantagens competitivas, bem como posicioná-lo regional, continental e internacionalmente como ponto de destino e caso de sucesso.
Neste processo, é importante que se leve em conta que a promoção da marca Angola e a \"venda\" da sua imagem, não se faz só e apenas com a tradicional comunicação e marketing institucional, bem como através de uma intensa campanha diplomática, porque ela é um caminho que se vai fazendo caminhando gradativa e gradualmente, devido ao seu processo multifacetado que leva consigo ao colo informações tanto afectivas, como factuais.
É necessário que no seu seio exista actividade de grupo que permita compreender a robustez, coerência e diferenciação do que somos, permitindo assim o desenvolvimento de uma Angola maior e melhor para os angolanos e com aqueles com quem interagimos.
E neste caso salvaguardando e respeitando as devidas comparações e distâncias, gostaria de trazer a baila de forma muito sucinta o exemplo do Ruanda.
País que hoje, se encontra classificado em segundo lugar no ranking do Banco Mundial, por ser o lugar mais fácil de fazer negócios em África, e que recentemente foi premiada pela \"World Travel and Tourism Council\", pela sua liderança e competitividade no turismo, como também pelo facto de ser actualmente um dos destinos turísticos em rápido crescimento em África.
Recentemente, o Ruanda decidiu avançar com uma mega campanha de promoção e de maior notoriedade do seu potencial turístico, que tem como mensagem simples, porém empolgante \"Visit Rwanda\" (Visite Ruanda).
A referida campanha tem como principal parceiro o Arsenal da Inglaterra, um clube mítico de Londres e da Liga inglesa, na qual o governo ruandês teve de fechar um acordo de 39 milhões de dólares para a referida equipa estampar a mensagem acima registada na manga esquerda dos seus equipamentos desportivos oficiais.
É bem verdade, que os resultados e o tempo dirão se o Ruanda fez a escolha certa, ao decidir ir por este caminho, mas também não será uma grande mentira se ao menos amanhã alguém ter coragem de apontar o dedo e perguntar aos ruandeses: porquê, ao menos, vocês não tentaram?
Zongo Fernando dias dos Santos
*Mentor e Gestor Executivo
do Fórum Marketing Desportivo

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