Jornal dos Desportos

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Opinio

77 clssico do futebol angolano

07 de Fevereiro, 2019
Os dois colossos do futebol angolano, Petro de Luanda e 1º de Agosto, jogam no próximo sábado, no Estádio 11 de Novembro, o 77º clássico do Girabola, desde 1981, altura em que a equipa do \"eixo-viário\" ascendeu à 1ª Divisão do futebol angolano.
Não há margens para dúvidas de que os clubes em referência são os maiores do nosso futebol. Pois os números falam por si. De um lado temos o Petro, com 15 campeonatos ganhos, 11 Taças de Angola e seis Supertaças, somando 32 troféus, além de vários títulos de vice-campeão nacional e prestações razoáveis a nível das Afrotaças.
Do outro temos um 1º de Agosto, com 25 títulos na galeria, sendo 12 do Girabola, oito Supertaças, cinco Taças de Angola, várias vezes vice-campeão nacional, e também com algumas prestações positivas nas Afrotaças. Aliás, os militares, neste momento, ocupam a quinta posição no Ranking da CAF.
No primeiro jogo oficial entre ambos emblemas no Girabola/81, os militares venceram dificilmente por 1-0 na primeira volta e na segunda os petrolíferos impuseram um rigoroso empate a zero, deixando um claro aviso aos agostinos, de que na época seguinte as coisas seriam bem diferentes.
Na realidade, em 1982, já com o malogrado António Clemente no comando técnico, o Petro destronou o 1º de Agosto, o então papão do campeonato nacional depois da independência, que revolucionou o nosso futebol e conquistou os três primeiros campeonatos nacionais.
Fundado em 1977, por iniciativa de homens como António dos Santos França “Ndalu” e outros, o 1º de Agosto, rapidamente, transformou-se na maior potência do nosso futebol, por congregar no seu seio os melhores futebolistas com idade militar que o país herdou da era colonial.
Assim, estrelas como Napoleão Brandão, Sabino, Pedro Garcia, Luvambo, Mascarenhas, Zeca Lopes, Amândio, Lourenço, Chimalanga, Mateus César, Sansão, Ndunguidi, Alves, Agostinho, Julião Dias, Manico, Ângelo da Silva e tantos outros, fizeram parte da primeira equipa, que ergueu o título nacional em 1979.
É importante frisar que de, 1974 a 1978, não houve campeonato nacional, por causa da situação política e militar que o país viveu antes e depois da independência em 1975, sendo que estes períodos foram preenchidos com quadrangulares entre equipas de empresas ou mesmo de bairros.
Portanto, quando o Petro de Luanda, ascendeu à 1ª Divisão, com jogadores como Jesus, Panzo, Santana Carlos, Melaschton, Gabriel V. Dias, Teófilo Moniz, Moreno, Bodu, Laika, Antoninho, Nsumbo, Tó Zé, Chico Afonso e outros, ninguém esperava que este clube tornar-se-ia no principal rival do 1º de Agosto, porque existiam outros clube renomados.
Dentre os clubes renomados, estavam o Nacional de Benguela, que foi o vice-campeão em 1979, com jogadores como Pinto Leite, Benchimol, Leandro, Silva, Quim, Moio, Samuel, Lino e outros; o Mambrôa do Huambo, com Carnaval, Maria, Lutucutuca, Ralph e outros; o Construtor do Uige, com Vicy e companhia; o Desportivo da Chela, com Zé do Pau, Basílio, Lucas, Mário Braz e outros.
Então como surge a rivalidade entre ambos os clubes? Primeiro, o Petro, teve o privilégio de destronar os militares do trono. Mas este golpe, foi ligeiro, pois os militares e seus adeptos estavam confiantes que recuperariam a hegemonia na época de 1983. Foi exactamente neste ano em que o Petro de Luanda, “arranjou” o maior problema com o 1º de Agosto.
Sim, foi há 36 anos, isto em 1983, que o Petro de Luanda, bateu o 1º de Agosto por 6-2, com cinco golos de Jesus, que dias antes do jogo havia declarado que tinha sede de golos. O país parou, pois o 1º de Agosto, era sem sombra de dúvidas o clube com mais adeptos por representar as Forças Armadas num período de guerra. Aquela goleada foi uma espécie de derrota dos angolanos.
Até hoje ninguém sabe explicar como é que os jogadores do Petro saíram do Estádio da Cidadela, ilesos, sem nenhuma agressão, porque naquele tempo o 1º de Agosto, era uma espécie de selecção nacional e quase todos se reviam nele. A verdade é que tudo correu bem e não houve nenhum incidente. Prevaleceu um verdadeiro Fair play.
Na década de 80, já presenciamos muitas situações desagradáveis que ocorreram depois de uma derrota do 1º de Agosto, especialmente se houvesse suspeitas de o árbitro ter prejudicado os militares. Portanto, aqueles 6-2, a favor do Petro, foram uma autêntica afronta para os militares e todos os seus adeptos. Alguns adeptos até hoje andam como que com a espinha presa à garganta.
Três anos depois, isto em 1986, os Petrolíferos, voltaram golear os militares, por seis bolas a zero. A partir dai até hoje o Petro, já venceu por várias vezes o 1º de Agosto, mas nenhuma derrota lhes dói tanto como a dos 6-2, nem já a maior derrota sofrida por eles diante do Asa, por 8-1 em 2004, lhes incomoda tanto.
A derrota por 6-2, foi o início do fim da daquela celebre geração de vedetas do nosso futebol que nos brindaram com grandes partidas de futebol especialmente quando jogassem contra um Progresso do Sambizanga, com jogadores como Luís Cão, Praia, Salviano, Santinho, Augusto Pedro, Eduardo André e outros, contra o Académica do Lobito, com Gindungo, Batata, Chiby, Sayombo e companhia, ou contra outros grandes clubes da época.
Por culpa do Petro de Luanda, o 1º de Agosto, ficou cerca de dez anos sem ganhar campeonato algum até 1991. Actualmente o Petro, também está a caminho do décimo ano sem ganhar campeonato algum, e o maior culpado de tudo isto é o 1º de Agosto, com alguma ajuda do Libolo e o Kabuscorp do Palanca.
A maior vitoria do militares sobre os Petrolíferos até hoje foi de 4-1 ocorrida na década de 90. A grande questão é: o que nos trará o 77º dérbi entre estes emblemas? Será que o Petro, repetirá o feito de 1982, impedindo o seu rival de fazer o tetra campeonato? será que os militares serão capazes de vingar-se do seu adversário?
Vamos esperar até o próximo sábado, para ver o que Gerson, Herenilson, Job, Tiago Azulão, Vá, Tony e outros por banda do Petro e Tony Cabaça, Isaac, Massunguna, Ary Papel, Show, Bwa, Nelson da Luz e companhia, do lado militar, farão para responder às questões aqui levantadas.
Augusto Fernandes

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