Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

assim to difcil conseguir um patrocnio?

03 de Junho, 2019
A resposta a pergunta acima, não deve e não poderia ser mais simples, porque a percepção que se tem em Angola, de uma forma geral da palavra patrocínio, e no caso em abordagem, estando ligado ao desporto, ainda é limitada e, diga-se em abono da verdade, com alguma carga de opacidade. Senão vejamos.
Tal como eu, o prezado leitor deverá estar bem familiarizado com o significado, por detrás da célebre frase: "Dar tiros para tudo quanto é lado\"!
Pois claro. Na nossa realidade, os dirigentes e gestores desportivos, na busca de patrocínios desportivos, vão para tudo quanto é lado, e como conhecem pouco ou quase nada dos "lados", cometem muitos erros, porque não "treinam o tiro"!
Dito de outra forma, isso ocorre nos casos em que nossos dirigentes e gestores desportivos, principalmente das equipas que lutam para subir ou não descer de divisão, enviam suas propostas para várias empresas, sem sequer saber como o mercado funciona ou se elas tem algum tipo de interesse ou semelhança com o conteúdo de solicitação do patrocínio.
Uma outra situação, que já virou "mania" da parte dos nossos dirigentes e gestores desportivos, é associar quase sempre o patrocínio a dinheiro. Há quem vai mais longe.
Faz da busca de patrocínio sinónimo de pedir ajuda, de um gesto humanitário ou de filantropia, ou até mesmo de responsabilidade social!
Deve desde já ficar claro, que para se conseguir patrocínio, o primeiro passo é entender que quem vai patrocinar muitas das vezes não está preocupado com vitórias ou com seus títulos.
Pois o que o patrocinador realmente quer é um bom "outdoor", ou seja, ele quer que através do clube que solicita o patrocínio, á sua marca ou empresa ganhe visibilidade e notoriedade sem que para isso tenha que arcar com custos excessivamente altos. O segundo passo que deve ser compreendido é que requisitar um patrocínio deve ser tratado com um negócio, ou seja, pedir patrocínio não é a mesma coisa como pedir esmola!
No mundo corporativo, ou melhor, no mundo dos negócios, negócio é negócio! A empresa tem que entender que você, dirigente ou gestor desportivo é um profissional, e que ela estará fazendo um “contrato” com o seu clube, ou seja, o negócio firmado entre clube e empresa deve beneficiar as duas partes.
Eu, a título de exemplo, já participei na elaboração de propostas de solicitação de patrocínio, que eram ricas em conteúdo técnico, mas que eram pobres na capacidade de optimizar as informações.
Isto é na capacidade de aproveitar espaços e "lados" para desenvolver relacionamentos e fechar negócios, porque era sempre a mesma coisa, do tipo “se você me dar dinheiro vou colocar a tua "logo-marca" na parte de frente das camisolas dos jogadores, no autocarro e na sede do clube” e por ai fora!
Precisamos aprender e entender que existem passos fundamentais nessa caminhada, que não é como querer casar no primeiro minuto, com a primeira pessoa que se vê. Parceria e compromisso são laços sérios, envolvem investimento, responsabilidades, avaliação, envolvimento, dedicação integral, relacionamento constante, tempo, "expertise", conhecimento de mercado, conhecimento técnico e prático, habilidades específicas ou seja essa deve ser uma actividade desempenhada por um profissional.
Enquanto a figura do especialista ou consultor de mediação de patrocínios, não for reconhecida como verdadeira ponte nos negócios, onde o lado 1 é puro conteúdo técnico e o lado 2 é puro investimento com interesse pertinente, continuará sendo difícil buscar patrocínio.
*Mentor e Gestor Executivo
do Fórum Marketing Desportivo
Nzongo Bernardo dos Santos

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