Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

beira ou no fim do poo?

23 de Julho, 2018
Antes de começar a abordagem , propriamente dita do tema que trago para hoje, cumpre-me a obrigação e o dever de primeiro apresentar um ponto prévio.
Criticar o actual estado do desporto em Angola e falar mal sobre o actual estado do desporto em Angola não são , necessariamente, sinónimos e não podem ser exactamente a mesma coisa e podem até entrar em choque a dada altura do seu percurso que é sempre comum.
Até se provar o contrário, na linha de partida os que criticam e o que falam mal do actual estado do desporto nacional, para mim amam da mesma forma o desporto angolano e falam tão bem dela, só que , eventualmente terão visões diferentes quanto á forma de materializar os seus sentimentos.
Se conseguirmos chegar a este entendimento já será meio caminho andado. Dito isto, passemos então para abordagem do tema de hoje, que foi propositadamente escolhido a dedo.
Embora reconheçamos que já estamos dentro do poço, penso que ainda é possível salvar o desporto angolano do descalabro total ( da beira do fim do poço) ou do descalabro absoluto ( do fim do fundo poço).
Tenho inúmeras vezes dito, em jeito de \"stand up comedy\", que o desporto angolano sofreu um grave acidente e partiu-se todo.
Partiu as pernas, as mãos, a coluna vertebral, o pescoço e tudo mais.
E não se pode apontar os efeitos da crise económica, como a culpada deste grave acidente, e a culpa não pode morrer solteira por causa da crise económica.
O que terá falhado? Algo falhou! Alguém falhou!
A beira ou fim do fundo do poço que espreita o desporto angolano, resulta sobretudo das erradas( para não dizer no mínimo criminosas) políticas de marginalização, do uso excessivo e abusivo da influente política militante, que teimosamente inventamos mal e continuamos arrogantemente a utilizar como armas de arremesso, do tipo \"QUEM COMIGO NÃO SE JUNTA, ESPALHA!
Mas, olhando com realismo, este é dos menores males que repousam sobre o desporto nacional, se comparado com a podridão criada pelas teias de corrupção, falta de transparência e compra de consciências a vários escalões e do top a base, permitindo a entrada em queda e roda livre de pessoas incompetentes e gente sem mérito que de cara não lavada e diante da luz do dia, continuam qual lobos por dentro, a exibirem-se qual ovelhas por fora!
Mas o lado absurdo, em que chegou o desporto angolano, deve-se ao facto de quem de direito moral e por lei, ter decidido enterrar a cabeça na areia, sem que pudesse emitir uma voz que pudesse falar alto e em bom som, sem temer que o cuspo lhe caísse em cima!
E quem pensa que a profunda crise de valores e a acentuada ausência de autoridade moral, em que o desporto está mergulhado está restrita a cidade capital, Luanda, está redondamente errado.
As associações provinciais desportivas e os clubes um pouco pelo país inteiro, de tanto serem marginalizados, também se deixaram corromper.
Eu que estive no Uíge e no Cuanza Norte, para profissionalmente fazer contactos , recolher informações e trocar impressões, não só senti na carne, na pele e no osso o que descrevi no parágrafo anterior, como também levei por tabela.
Não sei se há excepções e se houver não devem passar a fasquia de meia dúzia!
Como fiz referência, ao longo da abordagem deste artigo, não só vamos a tempo, como temos tempo de sobra e de \"sorte\" para salvar o desporto angolano do descalabro total ou absoluto.
Baste que quem de direito , assuma a responsabilidade social que o desporto tem na sociedade moderna, seleccionando selectivamente os bons e melhores parceiros a nível local, traçando e caminhando com os mesmos através de um plano estratégico ajustado, adaptado e exequível a actual realidade do país e do contexto mundial, não dando sequer espaço a ideias \"criativas\" inventadas , sim muito mal inventadas, e que faça o departamento ministerial que tutela o desporto nacional assumir a sua autoridade moral e seu papel estratégico no delinear de políticas realísticas e não \"iluminadas\" , nem \"milagrosas\" e tampouco de \"telhados de vidro\".
Com isto e mais alguma , e não, muita coisa iremos preservar para as gerações futuras um património desportivo, que foi obtido e conquistado com muito suor e sacrificio, de maneira corajosa e coerente! Zongo Fernando dos Santos

*MENTOR E GESTOR EXECUTIVO DO FÓRUM MARKETING DESPORTIVO

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