Jornal dos Desportos

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Opinio

memria dos nossos finados desportistas

02 de Novembro, 2019
Assinala-se hoje o dia de finados. E o momento, como é óbvio, serve para honrar a memória daqueles que, por motivos mil, deixaram já o nosso convívio e partiram desta para outra dimensão, juntando-se ao Senhor Todo-Poderoso e Ser Omnipresente. Nesse leque, como não podia deixar de ser, estão desportistas angolanos e não só, que, enquanto vivos, deram muitas alegrias.
Quer a nível do futebol, do basquetebol, andebol, hóquei em patins, atletismo, isto só para citar alguns exemplos, temos a assinalar nomes de desportistas angolanos, que enquanto vivos marcaram, de forma indelével, o nome do país como praticantes.
Rui Jordão, craque nascido em Benguela e que se notabilizou no futebol europeu, particularmente em equipas como Benfica, Sporting, Vitória de Setúbal, a nível de Portugal, Saragoça, de Espanha, e falecido recentemente, é um dos muitos angolanos, que evidenciou o seu talento e grande capacidade na modalidade. Não é um caso único.
Guarda-redes como Ângelo Silva (1º de Agosto) e Luís Cão (Progresso do Sambizanga); os defesas Novato (1º de Agosto), Almeida (antigo Mambroa do Huambo), Wilson (Petro de Luanda), os médios Makuéria e Chinho (que também se notabilizaram na equipa do “Catetão”), bem como os avançados Chinguito (Atlético Sport Aviação), Mavó (Ferroviário da Huíla) e Chico Negrita, juntam-se a extensa lista de futebolistas, que deixaram já o nosso convívio.
No basquetebol, pode-se referenciar o nome de Mário Octávio (Ferroviário de Angola) e Avelino da Silva “Pipas” (1º de Agosto e Benfica de Portugal), além de outros tantos. Relativamente ao último, vale lembrar que foi filho de uma outra figura incontornável do desporto angolano, no caso o mais velho - veteraníssimo -, passo o termo, Carlos Alberto “Pepino”, que até perto dos 100 anos, notabilizou-se no ciclismo.
Uma nota relevante da brilhante carreira do seu progenitor como desportista, prende-se ao facto de ter percorrido a pé, já com mais de 50 anos, as distâncias entre Huambo e Benguela e depois entre esta última província e a capital do país, Luanda.
No andebol, os nomes de Paulo Bunze (que evoluiu no 1º de Agosto e Benfica de Lisboa), Pedro Silva “Chandocas”, André Kwassapi “Matos”, Jerónimo Neto (como treinador), tal como Armado Gomes “Kulau”, que deu grande contributo na formação de atletas da modalidade; no hóquei, os de Domingos Marinho; Bastos de Abreu, do também músico Bell do Samba, Jhony de Almeida; no atletismo, os de Demósthenes de Almeida Clington, que apesar de nascer em Bugingá, na Ilha de São Tomé, contribuiu grandemente para esta modalidade no país, Joaquim Morais, o veterano Bala, da Huíla; no moto-cross, o de Jorge Varela “Jorginho”; e tantas outras figuras emblemáticas do desporto angolano, que se notabilizaram enquanto vivos nas várias disciplinas.
Numa altura em que se assinala o dia de finados, nunca é demais render um tributo a estes desportistas angolanos. E o reconhecimento deve vir sempre da parte das estruturas “de jure”, como é caso do Ministério da Juventude dos Desportos (Minjud), Federações, Associações e Núcleos das diferentes modalidades espalhados pelo país.
Nesse quesito, é imperioso lembrar que, vezes sem conta, o reconhecimento só ocorre a título póstumo, o que em muitos casos “quase de nada vale”, porque a avalanche dos praticantes de diferentes modalidades, enquanto vivos (ainda) ficam votados à sua sorte. Por isso, julgo mais sensato que o tributo se faça, sobretudo, enquanto os desportivos estão no pleno gozo da sua vida. Isso não implica dizer que não se possa fazer um tributo a título póstumo, como ocorreu há dias com o músico Teta Lando, distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes; ao lado de outras figuras, de reconhecido mérito nessas áreas. Por isso, tal como acontece na cultura e noutras esferas da vida social, no caso do desporto deve-se prestar também tributo aqueles que, por diferentes feitos, ao cabo da sua carreira ajudaram a elevar bem alto o nome de Angola e a Bandeira Nacional, por via de diferentes modalidades.
Hoje por hoje, a nível do desporto dentro das nossas fronteiras, saltam à vista casos de muitos ex-atletas que estão votados a sua sorte e a clamar, sobretudo, para que quem de direito estenda as mãos para atenuar a “vida desgraçada” que enfrentam. É, deveras triste, depararmos hoje com situações do género. Ver desportistas que outrora brilharam a nível do futebol e de outras disciplinas, que sobrevivem hoje sob o “manto de miséria” e a rogar a Deus, Todo-Poderoso, para que se lhes dê, pelo menos, alguma atenção.
De uma forma geral, o próprio Estado angolano também tem alguma responsabilidade nisso, pois se no caso de funcionários de diferentes áreas no final da sua actividade laboral são compensados com uma pensão de reforma, no que diz respeito aos desportistas não deveria fugir á regra. Tem que se reconhecer que ambos prestaram uma actividade socialmente útil, e, vai daí, que atingindo o limite de idade para prática desta ou daquela modalidade, seria justo que tivessem a devida recompensa.
Talvez se assim fosse pensado ao longo dos anos, hoje não teríamos famílias de desportistas finados atirados à sua sorte e, em muitos casos, ajudaram a elevar o nome de diferentes modalidades e foram verdadeiros pilares para a projecção destas. Graças ao contributo dado, hoje temos os resultados no futebol, basquetebol, andebol, hóquei em patins, atletismo, algumas cujo nome de Angola tem sobressaído além-fronteiras. Temos de reconhecer isso e não há como não o fazer. Tenho dito…
Sérgio.V. Dias

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