Jornal dos Desportos

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Opinio

A acesa disputa e casos do "Gira"

04 de Agosto, 2018
Enfervecente. É, por assim dizer, um dos adjectivos que pode servir, para qualificar o actual rumo dos acontecimentos no Girabola Zap, a maior prova do futebol nacional no país, onde salta à vista, nesse momento, uma disputa acesa quer no topo, quer na cauda da tabela de classificação geral. De parte também não ficam um e outro caso que vão surgindo, por esta altura, nesta montra do desporto-rei no país que movimenta paixões.
E é consesual, neste altura, que quer o Petro de Luanda, como o 1º de Agosto, por sinal os dois maiores emblemas do futebol nacional, assumem a maior fatia de favoristimo para a conquista da presente edição da competição.
Tricolores e miliatres somam, nessa altura, 15 e 11 títulos no Girabola Zap, que assinala este ano a sua 40ª edição. E em abono à verdade, as formações do \"eixo-viário\" e do \"rio seco\" continuam a fazer jus aos pergaminhos que ostentam, fazendo um prova de encher os olhos. É verdade que se diga, porque ambos estão a protagonizar uma luta renhida no topo.
O Petro de Luanda está, nesse momento, na liderança com 47 pontos, mais um que o arqui-rival 1º de Agosto no segundo posto e que defronta hoje o Interclube, terceiro colocado da tabela com 42, mas que também pode chegar ainda ao tão almejado troféu.
A faltarem três jornadas para o fim, adivinha-se uma luta titânica no seio dos concorrentes. Porém, no jogo de hoje, no 11 de Novembro, os polícias estão proibidos de perder, pois uma derrota pode traduzir o fim da caminhada para corrida ao título. No sentido oposto, a vitória para os militares anima, ainda mais, a luta para o título.
Daí adivinha-se uma luta renhida, esta tarde, na nova catedral do futebol nacional, pois quer uma, quer outra equipa, vão jogar com um único propósito: vencer o jogo e esperar que, no próximo dia 11, o Petro escorregue frente ao Desportivo da Huíla.
E uma escorregadela do Petro, frente aos militares da 5ª Região, pode colocar o d\'Agosto de novo à frente da prova, caso vença hoje o Interclube ou, numa outra perspectiva, os polícias mais encostados à liderança e animando, assim, o seu desejo do título.
Continhas feitas, se o d\'Agosto ganhar hoje passaria de novo para o comando com 49 pontos e relegaria os tricolores do \"eixo viário\", para o segundo posto com os mesmos 47 pontos. Porém, se vitória sorrir para o Interclube, a turma da polícia ascenderia aos segundo posto, mas com os mesmos 47 pontos que o Petro de Luanda.
Contudo, se o 1º de Agosto e o Interclube empatarem esta tarde, aí teríamos os dois maiores emblemas empatados com 47 pontos, mas a vantagem recairia para os militares, por força da vitória de 2-0 na segunda volta, sobre o arqui-rival petrolífero.
Nessa situação de empate no clássico de hoje, se por um lado os rivais Petro de Luanda e 1º de Agosto ficariam empatados na pontuação, por outro lado o Interclube manter-se-ia no terceiro, com menos dois pontos que os seus principais opositores na luta do título.
São, enfim, contas que deixa a certeza de que podemos ter uma luta férrea, entre estes três grandes do futebol nacional, até ao fim desta 40ª edição da maior prova do desporto-rei no país. E isso é salutar para uma prova com a dimensão do nosso Girabola Zap.
Porém, a luta em termos de competitividade não se restringe apenas no topo da tabela. Na cauda enfrenta-se um cenário, que não foge muito daquele que se verifica em relação à disputa pelo título.
Cuando Cubango FC (na 12ª posição/26 pontos), Clube Recreativo da Caála (13ª/23), Domant FC (14ª/21) e 1º de Maio (15ª e última com 19) são os conjuntos acossados pelo espectro da despromoção.
Em consequência disso, as derradeiras três jornadas do campeonato assumem-se com autênticas finais, para estas equipas que estão com a corda no pescoço. Os proletários da Rua Domingo do Ó, estão numa situação mais aflictiva ainda, porquanto, ao contrário das outras equipas dessa zona, farão apenas mais dois jogos, referentes as jornadas 28 e 29. Na última jornada o Maio folga, devido à desistência do \"desafortunado\" JGM do Huambo, ainda na 1ª volta.
Mas enfim, são contingências de uma prova como Girabola, onde todos, à partida, lutam para objectivos que passam por fazer boa campanha; outras pela conquista do título, e há ainda, pelo meio, as equipas que lutam para ambições medianas, como a permanência.
E no final, porém, as equipas acabam por ser premiadas, de acordo com a prestação que tiveram. Umas saem-se mais felizes no final das contas, outras, todavia, acabam, por fazer contas à vida e sem sequer alcançar a meta traçada no início da época.
Para lá disso, saltam ainda à vista os muitos casos, que vão ocorrendo aqui e acolá na prova. Nesta semana, por exemplo, o Kabuscorp do Palanca, esteve de novo na boca do mundo, por um diferendo com Zoran Maki, técnico que já chegou a orientar os palanquinos e que agora dirige os destinos do campeão d\'Agosto.
Ao que se propala pelos quatro ventos, o grémio do Palanca tem uma dívida de cerca de 87 mil dólares, para com o técnico sérvio e, por essa razão, a equipa de Bento Kagamba volta a sofrer um revés de que já vem sendo acossado desde Novembro de 2017.
A Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) obriga o emblema do Palanca a liquidar todos os pendentes, que tem com Zoran Maki e, caso não o faça oportunamente, vê-se na contigência de aumentar para mais 5 por cento por cada ano da dívida.
Esta é, de resto, uma novela que pode fazer correr muita tinta por baixa da ponte. Não faz muito tempo, o Progresso do Sambizanga também sentiu a mão pesada do organismo reitor do futebol mundial, por desonra a alguns compromissos contratuais.
São situações que beliscam a imagem do futebol e, por isso, há que se responsabilizar os prevaricadores pelas falhas cometidas. O que é certo, para lá destas situações que enfermam o desporto-rei no país, os amantes da modalidade vão vivendo a febre do futebol e acredita-se que, no final, todos os problemas que ocorrem aqui e acolá vão ter uma solução, para gáudio de todos os angolanos. E que assim seja, de facto. Sérgio V.dias

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