Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A aposta nos jovens

02 de Outubro, 2015
Os adeptos do Kabuskorp do Palanca, esperam que no final do Girabola e da Taça de Angola, referentes a próxima época, o seu elenco directivo que tem a cabeça, o empresário Bento Kangamba, apresente um balanço positivo, não apenas no que a generalidade dos projectos apresentados no passado fim-de-semana diz respeito, mas ao desenvolvimento das camadas de formação.

É assim que, à guisa de opinião, os membros da direcção da formação palanquina, devem arregimentar forças e mecanismos para os escalões de formação. O presidente de direcção, disse no passado fim-de-semana, que o seu clube vai investir mais na aquisição de atletas jovens “mais baratos”, que militem tanto em equipas do Girabola, como estrangeiras que desfrutem das condições ideais para que o trabalho tenha continuidade.

Bento Kangamba, que recentemente inaugurou, na zona do Palanca, dois campos relvados, um dos quais para os escalões de formação, não disse se a partir da próxima época, a sua equipa sénior terá já algum atleta oriundo dos escalões etários do seu clube.

Já não faz sentido que os dirigentes dos clubes e das selecções nacionais, numa atitude que se pode considerar de marginalização, não levem em consideração a criação de condições adequadas para os infantis, iniciados, juvenis e juniores, que se consubstanciam em equipamentos, botas, bolas e campos adequados ao trabalho que se pretende nestes escalões, assim como treinadores capacitados em termos de conhecimentos académicos e científicos para desenvolverem o seu trabalho.

Em função da ausência cada vez maior que se regista, no que diz respeito aos deveres cívicos e morais, que têm origem na descaracterização que se observa em algumas famílias, como núcleo fundamental do desenvolvimento da sociedade, continuo a insistir que de acordo com dados de alguns organismos não-governamentais e organizações especializadas, tem aumentado a quantidade de jovens e adolescentes vinculados aos clubes.

Alguns dos quais, do Girabola, enveredaram pela associação a práticas incorrectas que não são para aqui chamadas, facto que coloca em perigo a sua continuidade como desportistas e que deve merecer a devida análise e ponderação de toda a sociedade civil.

Nesse aspecto, os organismos de direito, numa acção interligada com os diversos sectores da sociedade civil e todas as forças vivas da Nação, devem criar mecanismos que versem o controlo das idades dos atletas dos escalões etários, de forma funcional e eficaz, demonstrando competência para desenvolver tal função.

Esse é um dos aspectos negativos com que essa área nevrálgica que concorre para o desenvolvimento do futebol nacional se tem debatido, ademais, quando fazendo juz, em informações credíveis, algumas falsificações de documentos, aos quais estamos a fazer referência, são feitos com a conivência de alguns pais, tutores ou encarregados de educação.

Não se deve incidir sobre o que está feito ou no que deve ser feito, mas pensar-se em soluções para contornar tal situação que, convenhamos, tardam em aparecer. A transparência é uma causa que deve prevalecer e constar na forma de trabalho de quem de direito.

Nunca é demais recordar que a problemática em torno do futebol jovem como viveiro da modalidade, há décadas que tem beneficiado de largos espaços na imprensa e alvo de debates a vários níveis sem que se registem melhorias palpáveis, com excepção da Academia do Futebol de Angola (AFA), que tem o presidente da República, um homem do desporto, como patrono.

Gente entendida no assunto é de opinião que tal se deve a falta de prudência das pessoas que têm estado a frente dos destinos da modalidade, que está a ser objecto uma lufada nova, em função da estruturação e dinamismo que as autoridades se propuseram a conferir ao futebol jovem. A criação, cada vez em maior quantidade, de academias, escolas e núcleos dirigidos aos infantis, iniciados, juvenis e juniores, é o exemplo disso.
Leonel Libório

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