Jornal dos Desportos

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Opinio

A cartada decisiva na Liga dos Campees

11 de Janeiro, 2020
A disputa da quarta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões africana de futebol, para os representantes angolanos, afigura-se de sacramental importância se tivermos em conta que, tratando-se do início da segunda volta, as mesmas pouco ou nada fizeram, em termos competitivos para conquistarem o que antes perspectivaram.
Na verdade, Petro de Luanda, no grupo C e 1º de Agosto, no grupo A, tiveram prestação muito abaixo da média ao não conseguirem vencer os confrontos caseiros, nem tão-pouco lograram buscar pontos fora de casa. As duas formações angolanas, principalmente o Petro de Luanda que chegou a ser até humilhado quando, no desafio diante do Wydad de Casablanca, pontuável para a terceira jornada, disputado em Marrocos, foi copiosamente goleado por 4-1.
Um resultado inesperado, sobretudo pelos seus pergaminhos e, principalmente, pela forma como abordou o jogo. Os petrolíferos chegaram a empatar o 'prélio' quando se cifrava em 1-0, mas na parte final, num espaço de pelo menos 12 minutos, deitaram tudo a perder. A desconcentração veio ao de cima e até auto-golo marcaram.
De uma forma geral, a campanha do Petro de Luanda, convenhamos, tem sido desastrosa, por aquilo que eram à partida, as suas ansiedades e motivações de fazer desta fase, uma rampa de lançamento para voltar e reconquistar a África do futebol. Nesta altura, os tricolores são os últimos classificados do grupo, apenas com um pontito e com um acúmulo de 8 golos sofridos, fruto de um empate caseiro. Uma safra paupérrima, para quem se tem reafirmado internamente, onde até lidera a prova, depois de um esforço titânico para “afastar” o seu arqui-rival 1º de Agosto do comando.
Não é demais recordar que o Petro no grupo C desta fase de grupos, além dos marroquinos, fazem parte o USM da Argélia e o Mamelodi Sundawns da África do Sul, outro dos carrascos que no confronto em Pretória, “espetou” três aos angolanos.
Em relação ao 1º de Agosto, a situação é quase igual ou até pior, pois no seu histórico os militares carregam o rótulo de, há duas edições, terem chegado às meias-finais da competição, apenas e só travado pela “unha negra” de um árbitro zambiano bem conhecido nas lides futebolísticas africanas. Infelizmente este “capital” não tem sido, nem um pouco, aproveitado pelo campeão nacional em título, que apresenta fragilidades imperdoáveis, principalmente ao nível do sector recuado onde, curiosamente, esteve a chave do sucesso, na edição que surpreendeu a África do futebol.
Num grupo com Zesco United da Zâmbia, Zamalek do Egipto e o “Todo-Poderoso” Mazembe do Congo Democrático, os pupilos de Dragan Jovic não conseguem interpretar o brilho do seu futebol, quase sempre algo equivocado que, a espaços, dá azo à recordações de Show, transferido para o futebol europeu. A verdade é que os militares longe de desenvolverem futebol avassalador que só eles sabiam, incompreensivelmente se tornaram uma equipa permissiva, vulgar até, perante adversários que, no campo, não mostram superioridade e valências por aí além.
Os agostinos ostentam também a última posição do grupo, com 2 pontos, resultantes de dois empates consentidos em casa, diante do Zesco United e TP Mazembe. Agora, nesta quarta jornada que se disputa hoje, têm uma deslocação difícil a RDC, ao encontro dos rapazes de Mois Katumbi, moralizados de forma adicional por terem sido eleitos na última gala da CAF, como um dos “monstros” do continente.
Duma forma geral, se pode concluir que a causa visível é basicamente, a fraqueza da nossa competição, que no fundo não confere o 'endurance' e rodagem competitiva suficientes, para que se aguente a pedalada em África. Está praticamente na génese do insucesso até agora. Porém, enquanto matematicamente for possível a qualificação de ambas, cada uma a nível do seu grupo, temos obrigação moral e patriótica, de acreditarmos piamente que, quer Petro, quer o 1º de Agosto, podem ainda, neste segundo turno, dar um ar da sua graça proporcionando a volta por cima, com resiliência.
Esperamos isso mesmo e, a começar, nos confrontos deste sábado. Os militares às 14 horas em Lubumbashi, diante do TP Mazembe, e o Petro, aqui em Luanda, no estádio “11 de Novembro” a partir das 17 horas, frente ao Wydad de Casablanca, os tais que os golearam num ambiente “infernal” que em Luanda, de certeza, não encontrarão.
MORAIS CANÂMUA

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