Jornal dos Desportos

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Opinio

A coerncia da FAF

06 de Outubro, 2018
A recente medida tomada pela Federação Angolana de Futebol, em exigir dos clubes intervenientes no Girabola Zap 2018/2019, uma declaração de fundos ou, no mínimo, apresentarem o certificado de que não possuem dívidas com treinadores, atletas e demais, acaba por ser uma medida consentânea, a julgar pelo nível de \"calotice\" que existia até agora e que se pretende acabar. Digo mesmo que, embora perigue a continuidade, a FAF agiu de boa fé e foi demasiadamente coerente.
Na verdade, tudo isso começa a configurar alguma organização, que se pretende dar à nossa competição interna, que se quer boa e à altura dos pergaminhos que já atingimos. A FAF deu um grito e disse basta às tramóias que, determinados clubes, bem identificados e conhecidos faziam. A hora da organização parece ter chegado, na medida em que foram muitos anos em que sempre se apelou, para que houvesse justiça e equilíbrio na relação entre dirigentes, treinadores e atletas.
Eis então chegado o momento, para que os direitos dos técnicos e atletas, pelo menos, na questão da honra do contrato, seja cumprido.
Naturalmente que nesta relação há direitos, deveres e obrigações e, neste particular, quer uns como outros, devem cumprir os seus contratos na íntegra e verem recompensados os esforços pela entidade patronal, no caso os clubes.
Nos últimos tempos, o que vem acontecendo no nosso futebol tem sido bastante arrepiante. Em muitos clubes da divisão maior, técnicos e atletas padecem meses a fio sem verem a cor do dinheiro e, por via disso, acabam pedintes, em função da conjuntura agressiva a que estamos imbuídos. Sendo eles profissionais a tempo inteiro e comprometidos com o futebol, as respectivas famílias acabam por apanhar por tabela. No fim da prova, uns são dispensados outros desvinculam-se e acabam por verem as dívidas acumuladas, sem perspectivas de liquidação.
O que realmente está em causa é o comprometimento, ou seja, a mutualidade que o regime contratual observa em relação as partes. Ninguém pode pensar que nisso, há fortes e fracos. O que há é tão-somente o contrato mútuo.
Deste modo, abre-se uma nova era na relação entre os intervenientes no futebol, trazendo paradigmas saudáveis, que conferem instrumentos de defesa dos que anteriormente tinham pouco mecanismos e meios para recorrerem. Por via de regra, faziam-no à FIFA, por manifesta falta de argumentos dos órgão que compõem a FAF, como a reitora do nosso futebol. Amiúde, fomos assistindo um cortejo de queixumes, quer de atletas, como de treinadores, que preferiam levar directamente as preocupações ao \"Pai Grande\" (FIFA), por encontrarem pouca receptividade das estruturas internas. Muitos exemplos podem ser apontados, e os casos de Romeu Filemon, Miller Gomes, enfim e, muitos outros, são os mais flagrantes.
Mas, há que se ter sempre em linha de conta, que os mesmos agiram sempre em conformidade e salvaguardando os seus direitos embora, nalguns casos, as estruturas dos clubes tivessem negado, quando confrontado com a realidade.
Por isso, sou de opinião, que a medida da FAF em defesa desta franja, vem para dar o toque que se precisava. Porém, uma coisa é certa, se esta mudança de paradigma se efectivar, os clubes passarão a exigir muito mais dos seus empregados, quer no afinco como no cumprimento integral do contracto, com avaliações de desempenho pelo meio. Nenhuma estrutura clubista, quererá ter no seu seio, atletas \"intrujões\" que passam o tempo lesionados e sem renderem o necessário, ao invés de se empenharem e lutarem sempre pela titularidade.
Os esforços devem ser comuns. De um lado, os dirigentes a criam todas as condições para harmonizar e rentabilizar o desempenho da equipa, do outro, os atletas trabalhando arduamente em busca de resultados satisfatórios. Os chamados \"calotes\", podem igualmente ser dados do lado dos que sempre se assumiram como vítimas.
O Girabola que se aproxima, apesar da qualidade competitiva que dele se espera, poderá também trazer inovações no quesito comportamental e de atitude de parte a parte. A responsabilidade deve ser uma marca e, pelas melhores razões, o nome de Angola ser cogitado nos corredores da FIFA.
O meu receio está no facto de atravessarmos tempos maus, de muita crise, onde os dinheiros escasseiam. Os níveis de exigências podem esbarrar sim, na desistência de muitos concorrentes que, habituados a \"kilapes\" e \"calotes\", faziam o seu \"pé-de-meia\", em detrimento de uma maioria sacrificada. Agora, este \"status quo\" acabou. Ou tens e provas que tens, ou não tens e desistes.
Os patrocínios e as fontes de rendimento dos clubes deverão estar em evidência, embora haja aqui desproporcionalidade de uns em relação à outros. A reclamação permanece. Os \"pouco favorecidos\" continuam a reclamar que, a mesma \"mãe\" que os teve, lhe deia também de \"mamar\", tal como faz aos outros.
Clubes como 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube, Sagrada Esperança da Lunda-Norte e mais alguns poucos, alimentam-se directamente do Estado, por via de organismos afins a que estão filiados, enquanto outros, dispõem-se de \"peito aberto\", quão aventureiros a enfrentar a fera. Independentemente disso, a FAF agiu de boa fé e foi por demais coerente. Tenho dito!
Morais Canãmua

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