Jornal dos Desportos

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Opinião

A convocatória de Lito Vidigal

06 de Agosto, 2011
As ausências de atletas da equipa que lidera o Girabola, o Kabuscorp do Palanca de Luanda, de Geraldo, do Curitiba do Brasil, bem como a inclusão de Lourenço, do Alzira da 2ª divisão de Espanha, constituem as notas dominantes da convocatória da pré-selecção nacional de futebol de seniores que, a 10 e 25 do corrente, defronta as suas congéneres da Libéria em Monróvia e da República Democrática do Congo, na cidade angolana do Dundo.

O primeiro encontro enquadra-se no âmbito de mais uma Data FIFA e o segundo acontece integrado nas comemorações de mais um aniversário natalício do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que se assinala no próximo dia 28. Os mesmos constituem oportunidades para a equipa técnica construir ideias e corrigir o que achar que está mal, no âmbito da preparação para o embate dos Palancas Negras, dia 5 de Setembro, em Luanda, diante da representação nacional do Uganda, para a penúltima jornada do Grupo J, de acesso à fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2012, a ter lugar em simultâneo, na Guiné Equatorial e no Gabão.

É certo que qualquer convocatória não pode agradar a “gregos e a troianos”. Ao reconhecermos soberania, maturidade e competência para agir da forma que melhor achar conveniente à equipa técnica, não se pode deixar de referenciar que causa alguma estranheza o facto de nenhum atleta do Kabuscorp do Palanca ter, desta vez, merecido a confiança de Lito Vidigal e seus colaboradores. A interrogação que se coloca prende-se fundamentalmente com a não chamada do guarda-redes Hugo, pelo facto de ninguém ter explicado ao público em que ponto se encontra o processo para a sua aquisição da nacionalidade angolana, cujos trâmites legais, segundo fontes seguras, se encontravam, até há pouco tempo, em fase terminal.

Recorde-se que o jovem guarda-redes, cujas exibições nas competições internas têm merecido os mais rasgados elogios por parte dos analistas e do público, de uma forma geral, ingressou no grémio do Palanca como cidadão português. A possível chamada de Hugo, em caso de o processo para adquirir a nacionalidade angolana esteja concluído, para além da já citada prestação positiva nas competições internas, ganhou maiores doses de consistência, uma vez que Lamá, que nos últimos compromissos dos Palancas Negras tem alternado a titularidade com Carlos, não tem sido opção no seu clube, o Petro de Luanda.

Distantes da intenção de nos imiscuirmos na forma e métodos de trabalho de Lito Vidigal e seus colaboradores, constitui surpresa a chamada de Lourenço, do Alzira da II liga espanhola. O atleta, que no consulado de Oliveira Gonçalves rejeitou por diversas vezes prestar o seu contributo à Selecção Nacional, em virtude de na altura se encontrar a representar o Sporting Clube de Portugal, facto que lhe abria a possibilidade de representar o conjunto “tuga”, mostrou-se agora, volvidos muitos anos (...) disponível para representar a selecção da pátria que o viu nascer. O atleta, que iniciou a carreira futebolística nos escalões de formação dos leões de Portugal, é filho de Carlitos, antigo defesa central do Interclube e da Selecção Nacional.

É de se realçar o facto de Djalma Campos, recentemente transferido do Marítimo do Funchal (Madeira) para o Futebol Clube do Porto, ambos de Portugal, e a maior referência da selecção e do futebol angolano da actualidade, nunca colocou em causa a sua contribuição aos Palancas Negras. O atleta, filho do antigo internacional do Petro de Luanda, Sport Lisboa e Benfica e Palancas Negras, Abel Campos, defronta domingo, pela sua equipa, o Vitória de Guimarães, para a super taça de Portugal e junta-se aos companheiros dos Palancas Negras, no dia seguinte, segunda-feira.

Algumas cogitações surgem a propósito da ausência de Geraldo, que no Curitiba, do Brasil, se tem destacado no principal campeonato do país. Depois de não ter sido opção no último jogo dos Palancas, sob a batuta de Zeca Amaral, mesmo depois de ter viajado do Brasil, diante do Uganda, em Kampala, para a primeira volta do Grupo J, de acesso à fase final do CAN-2012, o mesmo aconteceu com Lito Vidigal, no confronto com as representações da Guiné-Bissau e do Quénia, mais recentemente, em Luanda. Tais cogitações surgiram à tona pelo facto de ter transpirado para o público que, no embate com os quenianos, em Nairobi, Geraldo e o seleccionador nacional terem protagonizado um “azedo de bocas”, em virtude de o atleta não ter sido utilizado.

À época, o campeonato estadual (equivalente ao provincial em Angola) do Paraná, região brasileira em que se situa a cidade de Curitiba, encaminhava-se para o fim, pelo que em nossa opinião, a presença do jogador só fazia sentido em caso da confirmação da sua utilização. Entre outras, a principal dificuldade que o atleta enfrentou, consistiu na recuperação da titularidade perdida em função da convocatória em questão. Ao que o Jornal dos Desportos apurou de fonte fidedigna, o atleta que sempre elegeu o contributo aos Palancas Negras como uma das suas principais balizas, não se faz representar nesta “empreitada” pelo facto de ter assumido compromissos de inadiável resolução com o seu clube.

O principal campeonato nacional daquele país, denominado “Brasileirão”, escalão para o qual o angolano se constituiu pedra fundamental no contributo à sua ascensão, teve início recentemente. Como já foi referenciado, o atleta, de 19 anos de idade, passou por idêntica experiência, no fim do ano passado, quando convocado pelo então seleccionador nacional, Zeca Amaral, para o embate em que os Palancas Negras derrotaram em Luanda a representação da Guiné-Bissau (3-0), para a 3ª jornada da competição em referência.

À época, o atleta, que atravessava um momento áureo da sua carreira, transformando-se no menino querido da claque do clube, viu-se afectado por um sentimento de mal-estar, por ter visto frustrada a possibilidade de marcar a sua estreia em termos de apresentação, diante do público angolano.Pensamos que não se trata de vingança, uma vez que, para além de se reconhecer autoridade e competência à equipa técnica, também é de convir que Geraldo tem qualidades a todos os níveis para integrar os Palancas Negras.
Leonel Libório

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