Jornal dos Desportos

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Opinio

A corrida ao CHAN e a sada de Bianchi

18 de Novembro, 2017
Nos últimos dias, dois assuntos badalados envolveram directamente o combinado nacional de futebol, em honras: primeiro, a indisponibilidade de verbas para o conjunto competir no CHAN de 2018, em Marrocos, e depois, o abandono do comando técnico da equipa, por Beto Bianchi, face às contrariedades com plano estratégico do Petro de Luanda, clube a que está vinculado.
Para a montra do futebol continental, reservada apenas a jogadores que evoluem nos campeonatos dos respectivos países de origem, que vai decorrer de 12 de Janeiro a 4 de Fevereiro no país do Magreb, o órgão reitor do desporto -rei não conseguiu apoios, até ao momento. O assunto veio a terreiro, pela voz do próprio presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur de Almeida e Silva.
Na base da situação, segundo o mais alto mandatário do órgão que superintende a modalidade no país, está o actual momento de crise que Angola enfrenta, derivado à queda do preço do petróleo no mercado internacional, que dificulta a projecção da preparação dos Palancas Negras.
Mesmo sem adiantar o montante necessário para a preparação e campanha de Angola na prova que vai decorrer em Marrocos, Artur de Almeida e Silva admite encetar vários contactos para que se consigam os eventuais apoios, e consequentemente a Selecção Nacional apresentar-se ao seu mais alto nível. Espera-se, efectivamente, o êxito desses contactos.
Todas as sensibilidades são chamadas para o efeito. O país deve mobilizar-se de Cabinda ao Cunene e do Mar ao Leste, em busca de apoios para a selecção de todos angolanos. O empresariado, e todas as forças activas da sociedade, devem estar imbuídos desse espírito.
Só com o apoio de todos, a Selecção Nacional de futebol em honras estará em condições de no palco da competição, ombrear com todos os adversários que eventualmente cruzarem no seu caminho. É imperioso, que não se perca de vista, esse aspecto.
É importante manter a esperança de que Angola surge nesta 5ª edição do CHAN ,com o claro propósito de fazer boa figura, depois da presença no Sudão em 2011 quando se tornou vice-campeã, e em 2016 no Rwanda, em que foi afastada em plena fase de grupos.
Angola ganhou o direito de participar nesta edição, que vai decorrer de 12 de Janeiro a 4 de Fevereiro em Marrocos, depois de afastar as similares das Ilhas Maurícias e do Madagáscar, respectivamente.
Agora, resta saber quem vai orientar o conjunto no certame, face à anunciada saída de Beto Bianchi. De 50 anos, o técnico que teve a afirmação da sua carreira em Espanha, trabalhou a partir de 8 de Março, altura em que foi apresentado como novo timoneiro do Palancas, em substituição de José Kilamba, simultaneamente, no Petro e pela Selecção Nacional até esta fase.
De acordo com o presidente de direcção do clube do eixo-viário, aquando da contratação de Beto Bianchi para a Selecção Nacional, havia um convénio no sentido de que o técnico fosse cedido para conduzir os destinos dos Palancas nas eliminatórias que teriam pela frente no decorrer deste ano (2017), e até à campanha no CHAN, algo não consumado por razões de força maior. Tomás Faria evocou, para o efeito, as já referenciadas contrariedades com o plano estratégico orçamental do grémio tricolor, consubstanciadas sobretudo, nas dificuldades de aquisição de divisas, que levaram a que o projecto acordado fosse, assim, interrompido.
Agora, a grande questão que se coloca é saber-se, efectivamente, quem vai render o hispano - brasileiro no comando da Selecção Nacional de Honras.
E, quando estamos a menos de dois meses do início do CHAN de 2018, que alternativas mais viáveis o actual elenco da FAF, encabeçado por Artur de Almeida e Silva, encontra para colmatar esta situação com que se depara a selecção de todos nós.
Procurar nesta altura um técnico que labuta na nossa praça futebolista, seja estrangeiro ou nacional, talvez fosse o sensacto, dado o momento menos bom que o país enfrenta, motivada pela já referenciada – e muita propalada – crise derivada da queda do preço do petróleo no mercado nacional. Penso que haja no mercado interno, vários treinadores que reúnem qualidade e capacidade para assumirem a condução dos destinos dos nossos Palancas.
A meu ver, não importa seja um técnico estrangeiro ou angolano. O mais importante é que exiba um perfil capaz de levar a equipa de todos nós ao nível de excelência.
Também é importante recordar, que os maiores feitos do nosso futebol foram obtidos, numa altura em que a Selecção Nacional tinha a comandar os seus destinos, um técnico angolano: Luís de Oliveira Gonçalves, sem desprimor a outros de reconhecida capacidade no mercado interno. Quanto a técnicos estrangeiros, há um que a meu ver sempre demonstrou ser profundo conhecedor do futebol nacional, e fruto disso, acredito, conquistou cinco títulos de campeão.
Refiro-me, particularmente, ao português Bernardino Petroto, por sinal o mais titulado treinador da história do nosso Girabola Zap, e que colecciona três troféus neste Campeonato da I Divisão, pelo recém-desprovido Atlético Sport Aviação (ASA) e dois outros pelo Petro de Luanda.
Não pretendo, com isso, sublinhar que os dois técnicos sejam as duas setas que se encaixam bem nos pergaminhos dos Palancas Negras, só deixar a ideia de que tem de se fazer uma boa escolha em relação ao futuro seleccionador nacional. Tenho dito!!!...

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