Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A culpa para os generais.

08 de Julho, 2019
Depois da decepcionante campanha dos Palancas Negras, é tempo de fazer um balanço, que seria, no entanto, uma oportunidade para a distribuição de culpas. Em primeiro lugar, à Federação Angolana de Futebol(FAF), na pessoa do seu presidente, Artur Almeida. Compete à FAF assumir quase toda a responsabilidade do fracasso. O órgão reitor do futebol nacional e o seu líder, não foram capazes de criar condições mínimas para a selecção. Segundo, demonstrou ser um mau gestor de crises. Não soube comunicar com os jogadores. Artur Almeida acreditou que tinha estabelecido uma relação de patrão - empregado. Um crasso equívoco. Os Palancas Negras fizeram um jogo de preparação, para uma competição importante. Como podia o seleccionador experimentar as várias opções tácticas, ver quais os jogadores que se encaixavam, neste ou naquele sistema táctico? Foi uma vergonha de todo o tamanho. Foi, ainda, pior ver a Federação sul - africana reclamar pela falta de respeito da FAF, que tinha acertado um jogo de preparação, no Cairo, e que de repente deu o dito por não dito, na noite que antecedia ao amistoso. A Federação queria milagres, desse modo? Não tenho a menor dúvida. Artur Almeida não serve para presidente da Federação Angolana de Futebol. Os clubes e as Associações provinciais deviam ter, pela primeira vez, coragem para colocar os patins ao presidente da FAF. Não acumulemos sofrimentos. A segunda entidade, a quem deve ser assacada responsabilidade, é a ministra da Juventude e Desportos. A senhora ministra parece que não sabe ao que veio. Não acrescentou uma vírgula ao desporto nacional, até hoje. Era expectável que fosse mais ponderada, melhor gestora de crises e não tratasse as coisas pela média. Dada à importância da competição, era expectável que ajudasse a FAF a encontrar soluções, batesse as portas do Ministério das Finanças, de modo a desbloquear , o quanto antes, as verbas. Era, nisso, que a senhora ministra devia pôr toda a sua atenção, contribuir para que os Palancas Negras dignificassem a imagem do País, fossem capazes de estar à altura das expectativas e não fazer o papel que fez. É, por isso, a segunda figura na escala dos responsáveis, pelo fracasso da Selecção Nacional no CAN que decorre no Egipto. Os jogadores fizeram o que puderam. Não se lhes pode exigir muito, pois, com um jogo - treino era impossível trabalhar para o entrosamento. O principal herói foi o treinador, a quem devemos fazer uma vénia. E, oxalá, a FAF não lhe toque, porque é o menos culpado e demonstrou ser competente no seu trabalho. Sai Artur, sai a ministra, mas fique o treinador. Se a honra é para os generais, a culpa deve ser, igualmente, para os generais. TEIXEIRA CÂNDIDO

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