Jornal dos Desportos

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Opinio

A derrota de Hayatou

18 de Março, 2017
Não faz muito tempo, em Dezembro último, para uma entrevista a um outro título mediático da nossa “praça”de imprensa escrita, cheguei à fala, mais uma vez, com antigo presidente da Federação Angolana de Futebol, Armando Machado, em torno da sua corajosa corrida à presidência da Confederação Africana de Futebol (CAF), que ainda hoje dá que falar, por ter perdido, copiosamente, diga-se, para o camaronês Issa Hayatou.

Armando Machado, no que faltou para ganhar, contou-me justificadamente que o país não tinha dinheiro, porque se tivesse “jurou” que seria mesmo presidente daquele órgão reitor do futebol continental.

Disse que as eleições para/na CAF são \"coisa séria\", desde as campanhas tecidas de maneira oficial e oficiosa até aos bastidores. Porque, disse-me também, há países apoiantes que chegam a fazer exigências de contrapartidas por cada voto...que é uma coisa doida: mostrou-me corajosamente documentos do seu baú, até ao dia da nossa entrevista \"confidenciais\", que provam o jogo de bastidores em que se lhe exigia...cem mil dólares. Vejam só!

Mais revelou que houve países que estavam do seu lado e citou a Argélia e a Nigéria. Revelou de sua justiça que Issa Hayatou era uma espécie de imperador/ ditador no futebol africano onde insistia em não sair por vontade própria.

Não é por ter perdido, mas igualmente Armando Machado esclareceu-me que ele (Issa Hayatou) não tinha já saúde, quer física quer psicológica, para estar lá. Só que estava e chegou chegou inclusive, interinamente, ao cadeirão de presidente da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) depois das suspensões de Joseph Blatter e Michael Platini.
O nosso Armando Machado não foi, porém, o único a cair diante deste imperador do futebol africano. Foram muitos.

No dia 23 de Fevereiro de 2011, à margem do CHAN, que decorreu no Sudão, onde os Palancas Negras chegaram a vice -campeões, estava a realizar-se a Assembleia Ordinária da CAF. O assunto “quente” era a eleição de seis membros para o Comité Executivo e um representante junto da FIFA.

Esse acto, no entanto, decorria numa altura em que também, paralelamente, em África se observava a movimentação discreta de altas figuras do futebol continental junto das instituições nacionais que regem o desporto-rei (federações e associações), tendo em conta o interesse na eleição do novo presidente da CAF.

O sul-africano Danny Jordaan perfilou-se na “bicha” dos que almejavam \"deixar cair\" Issa Hayatou que liderava a CAF desde 1988, essa instituição em que aquele senhor se tornou, repito, uma espécie de “todo-poderoso”. O nosso vizinho sul-africano também caiu!

Um outro vizinho, para muitos um autêntico \"outsider\", o malgaxe que dá pelo nome de Ahmed Ahmed é suprendeu tudo e todos: vitória nas urnas por pesados 20-34 votos.

Afinal... quem é \"todo poderoso\" também cai! E, Issa Hayatou desta vez perdeu como que por uma goleada...

E nós angolanos podemos também cantar vitória. Porquê? Porque o nosso vizinho malgaxe vai poder contar ao seu “lado” com o também nosso angolano Rui Campos, presidente do Libolo, para o mandato que vai até 2021, tempo em que deve ficar no Comité Executivo da CAF.

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