Jornal dos Desportos

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Opinio

A despromoo dos palanquinos

11 de Maio, 2019
O recente anúncio da despromoção do Kabuscorp do Palanca, do Girabola Zap, surgiu como uma verdadeira bomba para o futebol nacional. Foi, como soe dizer-se, um autêntico balde de água fria para os amantes do desporto-rei no país e não só, que (ainda) esperavam por desfecho mais sensato do caso, que colocou o emblema palanquino em maus lençóis nos corredores da Federação Internacional de Futebol Associado, FIFA, face ao diferendo com ex-campeão do mundo, o brasileiro Rivaldo.
Na verdade, os problemas à volta da alegada situação da desonra contratual, do grémio liderado pelo general e empresário Bento dos Santos Kangamba com o antigo jogador do Barcelona de Espanha e do “Escrete Canarinho”, já se arrastavam faz tempo.
A equipa palanquina ao que se apurou, não honrou, nos prazos estabelecidos pelo organismo que superintende o futebol mundial, o pagamento das tranches da dívida com ex-internacional brasileiro, tão pouco provou com documentos palpáveis o montante que pela voz da sua direcção, dizia estar feito de forma atempada. Contudo, o líder do clube, Bento Kangamba, promete conceder uma conferência de imprensa no dia 15 do mês em curso, com o objectivo de esclarecer tudo à volta deste caso e exibir as provas documentais dos pagamentos feitos à Rivaldo.
Dado ao facto de a FIFA não olhar para meias circunstâncias, em questões de incumprimentos contratuais de clubes e desonras, quer para com jogadores, quer para com treinadores e outras entidades afins, a FAF tomou a dianteira de punir a turma palanquina, que em 2011 chamou a si à conquista da maior prova do nosso “association”. Foi uma medida de precaução, para que o bom nome do futebol nacional não fique manchado a nível do órgão reitor mundial.
As consequências desta medida acabam por ser demasiadas entristecedoras, porquanto, beliscam não só a imagem do futebol angolano, mas sobretudo do desporto nacional que soma uma série de conquistas além-fronteiras.
Não faz muito tempo que vimos o futebol paralímpico angolano conquistar o Mundial da categoria que se realizou no México, assim como a Selecção Nacional a lograr um honroso terceiro lugar no Campeonato Africano das Nações (CAN) de Sub-17, que se disputou em Dar-es-Salam, Tanzânia, que foi ganho pelos Camarões. Essa situação da despromoção do Kabuscorp ofusca o bom nome que o país está a granjear. É óbvio.
A despromoção do Kabuscorp do Palanca da “fina -flor” do futebol nacional, acaba por ser, também, um fardo bastante pesado para esta prova, que se vê assim privado de um conjunto que ao longo destes anos conquistou milhares de adeptos e que acima de tudo arrasta um número considerável de adeptos aos Estádios nacionais. Atrevo-me mesmo a dizer, a par do 1º de Agosto e do Petro de Luanda, que a turma palanquina figurava no leque das que arrastavam mais plateia nos campos do nosso futebol. Não há dúvidas.
Agora, que se vê relegada da maior prova do nosso “association”, paira no ar algumas incertezas sobre o que será o futuro da equipa, no mosaico desportivo nacional. Terá a direcção do grémio palanquino capacidade, de num futuro que se espera breve, voltar a colocar o conjunto na mais alta-roda do futebol, a nível das nossas paragens? Será que esta, não é a morte anunciada de mais um dos grandes do nosso futebol, com vimos em outras épocas desaparecer do mapa futebolístico, equipas como, o Ferroviário da Huíla, Mambrôa do Huambo, Cambondo de Malanje, Eka de Dondo, só para citar algumas, cujas marcas estão bem registadas nesta que é a maior prova do futebol no país? São, enfim, inquietações que se colocam acerca da despromoção do Kabuscorp.
A medida, recentemente anunciada pelo secretário-geral da Federação Angolana de Futebol (FAF), Rui Costa, surge numa altura em que se caminha a passos céleres, para o final da edição do Girabola Zap de 2018/2019, em que está ainda por definir a situação do título e agora, com a queda do Kabuscorp, a terceira equipa a ser despromovida. Nesse momento, depois da confirmadíssima descida ao escalão secundário da equipa de Saurimo FC, da Lunda - Sul e a da turma palanquina, fica-se por se saber quem será o acompanhante.
É certo, que nas contas que impõem fazer em relação à zona movediça da tabela de classificação geral do Girabola Zap, o Cuando Cubango FC recebe amanhã a visita do 1º de Agosto, no Estádio dos Eucaliptos, no Cuito, Bié, é o mais sério candidato.
Grosso modo, a queda do Kabuscorp do Palanca alivia as equipas do Sporting de Cabinda e do Atlético Sport Aviação (ASA), que amanhã no Estádio do Tafe, na cidade mais ao Norte do País, disputariam um jogo que poderia ser de “vida” ou de “morte”, sobretudo para a turma do Aeroporto 4 de Fevereiro.
O máximo que os Leões do Norte e os aviadores podem fazer, nessa altura, é acelerar a passada para que o “aflito” Cuando Cubango FC não os alcancem na pontuação. Por essa altura, nada melhor que aguardar o que pode acontecer nos próximos dias, tanto em relação ao desfecho do Girabola Zap, que tem apenas mais duas jornadas por disputar, como, enfim, em relação a este “caso Rivaldo” que deixa em apuros a formação palanquina... Sérgio V.Dias

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