Jornal dos Desportos

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Opinio

A disputa de colossos e memrias do ex-rbitro

29 de Fevereiro, 2020
Como vem sendo de costume ao longo das várias edições já disputadas, nesta época do Girabola Zap de 2019/2020, que entrou já na sua fase crucial, o Petro de Luanda e o 1º de Agosto, surgem com naturalidade como os mais sérios candidatos à conquista do troféu.
Não obstante haver ainda outros concorrentes, com chances matemáticas de se sagrarem campeões, indubitavelmente estes dois colossos do nosso futebol são, claramente, os que têm maiores hipóteses de cortar a meta na primeira posição da prova.
Também não é menos verdade, que a equipa do Catetão, sob batuta do espanhol Toni Cosano, entra nestas derradeiras nove derradeiras jornadas desta que é a maior prova do futebol nacional, numa situação mais privilegiada em relação a do “Rio Seco”, mas ainda assim salta à vista o facto de que teremos luta até o fim. Isso é mais do que evidente.
O Petro soma, nesse momento, 44 pontos na liderança do campeonato, contra 42 do rival do “Rio Seco”, que ficou em branco na ronda anterior, a 21, ao cair aos pés do Recreativo da Caála, com quem perdeu por 1-0 no reduto deste, e não saber aproveitar também o jogo de atraso com o Sagrada Esperança, em que consentiu nova derrota desta por 3-2. Já os tricolores, que atravessam um “jejum” de dez anos sem se consagrarem campeões nacionais, foram mais eficazes na jornada 21 e no jogo em atraso que realizaram. Venceram o Santa Rita de Cássia na deslocação ao Uíge, por 2-0, e no jogo de acerto ao calendário consentiram um empate a uma bola diante do Progresso do Sambizanga, que lhes permitiu consolidar a manutenção da liderança.
Por isso mesmo, o Petro que chega à 22ª jornada deste Campeonato Nacional da I Divisão numa condição em que depende unicamente de si para reconquistar o título, que foge da sua galeria há dez anos e tem ainda a vantagem de um jogo em atraso por disputar com o Clube Desportivo da Huíla (CDH). Daí, nada melhor de que procurar acelerar a passada, para travar a pretensão do seu rival chegar ao penta-campoenato, um feito até aqui só logrado pela turma do Catetão na fina-flor do nosso futebol.
A julgar por esses factores, é ponto assente que nesta ronda 22, quer o Petro, que enfrenta no 11 de Novembro o Recreativo da Caála, 11º colocado da tabela de classificação com 21 pontos, quer o D’Agosto, que joga frente ao Cuando Cubango FC, 13º com 16, vão procurar somar mais uma vitória. Outra coisa não se podia esperar.
A ronda deste fim-de-semana inscreve ainda os jogos FC Bravos do Maquis – Interclube, Académica do Lobito – Ferrovia do Huambo e Recreativo do Libolo – Santa Rita de Cássia, em que as equipas que actuam na condição de anfitriãs e a julgar sobretudo pelo boa época que fazem, vão lutar, inequivocamente, pelos três pontos. Por outro lado, nos confrontos que opõem o Sporting de Cabinda ao Sagrada Esperança, na cidade mais ao norte do país, e o Wiliete de Benguela ao Desportivo da Huíla, no reduto da formação da zona litoral sul do país, a balança pode pender para o equilíbrio, nesta ronda em que folga, por imperativos de calendário, o Progresso do Sambizanga.
Por todos esses motivos, é crível a hipótese de que teremos nestas jornadas que restam para o término do Girabola Zap 2019/2020, aceso despique entre as equipas intervenientes, quer no topo da tabela, quer no meio e na cauda, onde o Progresso, 12º colocado com 18 pontos; Cuando Cubango FC, 13º com 16; Ferrovia do Huambo, 14º com 16; e Santa Rita, 15º com 13, são os mais acossados pelo espectro da despromoção.
Não gostava de fechar essa abordagem sob as contas que se impõem fazer, nesta altura na maior prova do futebol nacional, sem me referir à figura de um árbitro, que contribuiu para a história do agora denominado Girabola Zap.
O antigo árbitro, cujo brilho na carreira começou logo nos primórdios da disputa da maior prova do futebol nacional, foi um nome sonante da nossa arbitragem. Chegou a apitar ao lado de outros “gurus” da arbitragem angolana, como Júlio de Aveiro, Ferreira Pinto, Sebastião Reis, Charumbo Neto, Dionísio Pimentel, Cruz Lima, Mário da Ressurreição, Manuel Fernandes, Jacinto Félix, João Mavunza, João Madeira, Silva Cardoso Macena, Luís Mac-Mahon, José Vasconcelos, Pereira Lopes e tantos outros.
Por isso, é imperioso trazer ao de cima à memória o nomede uma figura proeminente como era Manuel Pimentel, no tempo que se exibia de apito na boca e quando os árbitros tanto podiam actuar como juízes principais dos jogos ou como “lines” (ou ficais de linha, como se achar conveniente designar). De resto, é um tributo que se faz a uma figura incontornável do nosso apito nos anos de 70 e 80, que ultimamente, na província da Huíla, exibe-se com a insígnia de comissário e bem assim como de instrutor da Confederação Africana de Futebol (CAF) e da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). Sérgio V.Dias

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