Jornal dos Desportos

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Opinio

A eliminao do Petro e o tal patriotismo

21 de Março, 2019
Terminada a participação Petro de Luanda, na Taça Nelson Mandela, é normal que por esta altura, esteja a ser feita uma profunda reflexão em torno da participação na referida competição africana, nos mais diversos aspectos que ela comporta, sem descorar, portanto, a (des) continuidade do técnico Beto Bianchi, que mais uma vez não conseguiu o troféu de uma competição em que esteve envolvido.
Apesar, das vozes soltas, por cá e acolá, que defendem que os petrolíferos cumpriram o objectivo estabelecido para a referida prova, que era atingir a fase de grupos, sabe-nos à pouco, porquanto, sem ilusões, sabemos que o objectivo principal de qualquer equipa numa competição, é erguer a taça, sendo os demais objectivos, algo periférico.
Claro, que para se atingir o objectivo principal, devem ser ponderadas outras tantas “coisas e lousas”, que por diversas razões, muitas vezes podem não estar ao alcance da equipa, e aí, sermos obrigados a condescender na análise que se impõe em relação aos resultados alcançados, entendidos como o possível.
Neste particular, o mau resultado do Petro de Luanda e consequente eliminação ocorrida no domingo, no jogo com o Gor Mahia FC do Quénia, e a forma como aconteceu, pode reportar-se negativo para a “nação tricolor”, que viajou para o Quénia na condição de depender do seu desempenho, e melhor que isso, um empate bastava aos petrolíferos, caso no jogo entre o Zamalek e o Nasr Hussein Dey o resultado fosse, igualmente, empate, o que veio a acontecer, ante a “incompetência” da equipa por não aproveitar o que trazia de vantagem.
Todavia, não constituia segredo para ninguém, que neste tipo de competição, vencer os jogos em casa e conseguir pontos fora, é a receita recomendada para atingir os objectivos preconizados.
É neste quesito, que o Petro de Luanda falhou, ao consentir uma derrota diante do Zamalek do Egipto, em pleno Estádio Nacional 11 de Novembro, que sinalizou, à partida, a eliminação angolana, apesar do espírito proverbial, segundo o qual “a esperança é a última a morrer”.
Aqui chegados, não existem meios-termos para a não classificação do desempenho dos petrolíferos, como autêntico fracasso, até por que a equipa do Catetão tinha a obrigação, entre aspas, de fazer melhor que o 1º de Agosto na edição anterior da Liga Africana, bem como não fez na edição deste ano, uma espécie de salvar a pátria. E, por falar em pátria, termo que para o efeito aplica-se no sentido desportivo, aproveitamos a ocasião para discorrer sobre o “tal patriotismo”, cujo apelo para o exercício passou a ser moda em Angola, sobretudo, nas competições de clubes, com a qual não concordo, nem a brincar.
Ou seja, somos avessos à coisas de que na hora de uma equipa angolana jogar com uma congénere estrangeira, evocar-se a presença de adeptos de todas às demais equipas, em defesa do “tal patriotismo”.
Em boa verdade, compreendo que o termo é expresso em linguagem conotativa, definida como utilizada para ampliar o sentido de uma palavra ou expressão, ou dar novos significados que saiam da linguagem formal ou, se preferirmos, a tal gíria desportiva.
Todavia, as forte emoções e paixões vividas no mundo desportivo, não permitem que tal apelo seja, positivamente, correspondido, porquanto, a título de exemplo, os adeptos da equipa A, estão sempre interessados na derrota da equipa B, quanto mais não seja a eterna rival, como nos casos do 1º de Agosto/Petro de Luanda; Benfica -Sporting; Barcelona - Real Madrid; Manchester United - Manchester City, só para citar estes.
Significa, que nenhum adepto, na expressão máxima do termo, vai ao campo apoiar a equipa que as circunstâncias fizeram a adversária visceral da sua, o contrário, um mau adepto ou no fingimento a nível das novelas mexicanas ou filmes de Hollywood. E, quanto a isso, não temos meias medidas: Ou sim, ou sim, que é diferente de ou sim, ou às vezes não. Carlos Calongo


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