Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A esperana do nosso futebol

12 de Maio, 2017
A excelente prestação da selecção Sub-17 de futebol na fase qualificativa ao Campeonato Africano da categoria acabou, de certo modo, por renovar as nossas esperanças num day-after melhor, sendo verdade que a selecção principal dos últimos seis/sete anos se tem revelado numa autêntica desilusão.

Os jovens tiveram um desempenho a todos os títulos brilhante, passando com classe e garbo por todos adversários que lhe cruzaram o caminho até à qualificação à fase final. Isto, diga-se de passagem, acabou por representar a devolução de ânimo e esperança a quem antes pensou que Angola estivesse futebolisticamente condenado ao holocausto.

Amanhã sábado, a bola começa a rolar na fase final no Gabão. Será, vistas as coisas numa perspectiva realística, uma soberana oportunidade de fazermos, enquanto analistas comprometidos com a “coisa desportiva”, um juízo de valor mais exacto sobre o que se pode esperar deste grupo de trabalho num futuro breve.

É evidente que dela já temos uma boa impressão à despeito daquilo que nos deu a ver na fase de apuramento. Mas em todo caso, convenhamos reconhecer, uma competição nada tem a ver com outra, mesmo sendo uma espécie de suite. Podem até possuir as mesmas especificidades, mas haverá sempre uma mais exigente, como é por exemplo esta etapa, em que só chegaram as melhores selecções no universo de tantas que tentaram a qualificação. Logo, as suas implicâncias e obrigações são outras.

Ainda assim, há por cá alguma crença em que os comandados de Simão Coxe consigam uma prestação que não jogue a baixo as expectativas daqueles que têm fé na emergência de uma nova geração futebolística com potencial em Angola. Para melhor entendimento, não se está a pedir o título africano à rapaziada, mas uma prestação digna. Isto é, que se distancie das metas da mediocridade.

De resto, o pior que pode acontecer a uma nação futebolística é ter uma selecção A sem qualquer expressão competitiva e para mal dos pecados igual sorte com os outros escalões. Ai seria, sem qualquer exagero, aquilo que se pode chamar por condenação ao fracasso, como se o diabo tivesse montado por cá o seu império de maldades. Não é o que se espera.

Pelo trabalho de preparação que foi desenvolvido e pelos índices de progressão verificados não há, se calhar, razões de fundo para se dar lugar a receios. Oxalá consiga honrar o bom nome de Angola, quanto mais não seja uma forma de sacudir as mentes adormecidas daqueles que não olham com olhos de ver para as acções de fomento.

O futebol jovem no país não tem a atenção e o acompanhamento que devia em condições normais. Aliás, o fim de escolas de formação como Flaminguinhos, Jokasport e outras, por falta de suporte institucional fala por si. Mas do pouco trabalho que se vai fazendo, em certos clubes, por entre várias limitações, ainda saiu esta selecção à qual depositamos esperança num amanhã que venha a ser glorioso. Boa sorte rapaziada…
Matias Adriano

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