Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A estratgia de renovao

27 de Março, 2015
Entretanto, da ideia para a acção parece existir uma longa distância se não um perímetro de crateras a necessitar urgentemente de uma operação "tapa-buracos" para que as coisas funcionem. Apesar de alguns rostos novos que emergem nos Palancas, vê-se ainda a olho nu que há muito trabalho a fazer neste sentido. Romeu Filemon não tem missão fácil pela frente.

Não é que estejamos contra jogadores já em fim de carreira, que ainda pontificam na nossa selecção. Não é por ai. Até porque sabemos que qualquer estratégia de renovação obedece a um processo gradativo. A renovação nunca pode ser profunda, ou a cem por cento. Existe sempre aquela fase da chamada miscelânea entre juventude e veterania.

Aliás, regra comum, os que entram para uma determinada equipa precisam de ser acompanhados e orientados por quem já lá está há mais tempo. É assim em tudo. Este exercício ainda não é visível na nossa selecção. Continuamos a depositar maior dose de confiança às sobras da selecção de Oliveira Gonçalves e Manuel José. É preciso que alguém assuma a coragem do saneamento que se impõe.

Era muito salutar que quando chegasse a hora dos compromissos oficiais para as próximas competições de vulto, tivéssemos já constituída uma selecção mais arejada e que infundisse alguma dose de confiança aos angolanos, que, não fossem modalidades como basquetebol, andebol, ginástica e atletismo adaptado, que lhes dão algum motivo para sorrir, eram um povo desportivamente frustrado.

Defendo que neste momento, que se pode considerar de defeso na competição internacional, se devia voltar a atenção para as selecções jovens, conferindo-lhes oportunidade competitiva a ver o que delas se pode extrair. É sabido que o seleccionador nacional tem desenvolvido um aturado trabalho de prospecção e sondagem de talentos. Mas fá-lo onde?

É do conhecimento geral que tem no Girabola o seu mercado preferencial para lá de contactos exploratórios que efectua na diáspora. Nada mau. Mas o trabalho não se devia limitar a este exercício, desviando completamente os olhares para aquilo que são o viveiro do nosso futebol, os Sub-16, os Sub-20, os Olímpicos. Este é o modelo que se aplica em todos os países que apostam no desenvolvimento do seu futebol e manutenção dos seus níveis competitivos.

Claro está que "caçar" jogadores já rodados não é condenável. Vemos como nas janelas de transferências as equipas das principais Ligas Europeias se movimentam e os rios de dinheiro que tal exercício envolve, numa correria desenfreada e determinada pela ambição de conquista. Mas nunca desviar o olhar às suas escolas, cientes de que a renovação contínua da sua equipa passa por ai.

Neste momento, por exemplo, a FAF falha redondamente ao renunciar às qualificativas aos Jogos Olímpicos e dar primazia à corrida ao CHAN 2016. Se existisse um pensamento voltado para a potenciação da selecção de honras tinha sido o inverso. Pois, era preferível pôr em competição jovens da selecção olímpica, já no quadro da renovação das honras.

Mas estando as coisas já definidas, o mínimo que se pode fazer agora é formar a equipa que vai disputar as eliminatórias ao CHAN com uma base da selecção de Sub-20, para que ao seleccionador nacional seja proporcionada a oportunidade de acompanhar a evolução de jogadores jovens, ver o desempenho individual destes e criar um juízo de valor mais exacto sobre aquilo que a médio ou curto prazo pode ser o esqueleto da Selecção Nacional.
Matias Adriano

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