Jornal dos Desportos

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Opinio

A FAF e a sua desgovernao

10 de Fevereiro, 2020
A novela, em torno de quem autorizou o Atlético Sport Aviação (ASA) a competir na segunda divisão, permite reforçar as convicções em torno da desgovernação da Federação Angolana de Futebol(FAF). Dois órgãos da FAF despoletaram uma \"guerra\" de palavras, a partir da imprensa. O primeiro, Conselho de Disciplina, ameaçou sancionar disciplinarmente quem \"libertou\" o ASA, da proibição de inscrever jogadores e portanto, de competir. Subentende-se Conselho Técnico, órgão encarregue destes assuntos. Era expectável, tratar de um assunto desta natureza, entre quatro paredes. Ou seja, no seio da Federação Angolana de Futebol e nunca via imprensa. Dirimir um assunto na imprensa traduz a ideia de haver falta de diálogo, de relações entre os diferentes órgãos, em particular esses. Esta presunção engorda a certeza de que Artur Almeida não governa a Federação Angolana de Futebol. O primeiro sinal foi a deserção de dois vice-presidentes, depois fracassos desportivos, CAN e CHAN, e agora o desentendimento público de dois órgãos. Apesar de toda esta confusão, da manifesta incapacidade de gerir os ânimos dos seus membros, Artur Almeida ainda quer o segundo mandato. Está visto que a sua eleição para Federação Angolana de Futebol foi e é um equivoco gordo. Esta desgovernação inibe sem dúvidas empresas interessadas em empenhar o seu capital, por pouco que seja. Inibe os adeptos de seguirem a modalidade, investir o seu tempo e dinheirinho. Ou seja, a expectativa era de que Artur Almeida pudesse trazer estratégias capazes de valorizar as competições, atrair o empresário nacional, àquele que ainda publicita alguma coisa, pois existem poucos veículos com a expressão social que o desporto, futebol sobretudo, tem ou representa. Incompreensivelmente, Artur Almeida está a prejudicar ou prejudicou gravemente a imagem do futebol nacional, do Girabola e dos Palancas Negras. Os quatro anos estão a ser suficientes para se aferir o que pode Artur de Almeida no comando da FAF. Não se trata de existir ou não dinheiro, mas de organização, da harmonização na actuação dos diferentes órgãos, em suma, capacidade de gestão de conflitos e de crises. Foi isso que faltou e vai faltando ao presidente da Federação Angolana de Futebol. Os sócios da FAF, associações e clubes, precisam reflectir seriamente sobre os candidatos nos quais depositam o futuro de uma modalidade com a dimensão do futebol. O futebol nacional precisa de um dirigente ao nível do dinamismo e inovação que a modalidade vai assistindo noutras paragens. E este não é seguramente Artur Almeida. Teixeira Cândido

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