Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A FAF observa e assobia de lado

03 de Outubro, 2017
Acho que, mais uma vez, enquanto a Federação Angolana de Futebol passar a ouvir apenas, com passividade, certos clubes a anunciarem desistência e, volta e meia, reaparecem a dizer que, \" vamos continuar\" no Girabola, concordo com que disse, aqui ao lado, o meu companheiro, Carlos Calongo, ao sublinhar: \"isso é brincadeira\".

De facto é brincadeira e como, ao que me parece, a FAF só observa, mas apenas assobia de lado, estando em cima do muro, sem decidir nada que pare a brincadeira, subscrevo duas outras conclusões a que chegou o Carlos Calongo.
1º- que a Federação Angolana de Futebol deve ser mais rígida na forma de gerir situações do género - portanto, diante de aviso e concretização de desistências.

2º - Se assim não acontecer, não restar outra situação do órgão reitor do futebol senão a de colocar-se numa posição de fragilidade perante a brincadeira de mau gosto protagonizadas, concretamente, pelo JGM e pelo Recreativo da Caála.

Eu, de certa forma, considero até redundante \"atacar\" sempre esta velha questão que, ao que parece, se tornou moda entre as equipas novatas no campeonato. Para mim \"cheira\" à chantagem contra os governos e empresariados locais. É uma forma de forçar o aparecimento de dinheiro, quando, o que é justo, as equipas devem ter orçamentos próprios da primeira à última jornada.

Neste aspecto, repito mais uma vez, o nosso futebol \"está doente\". Enfrenta um mal que continuará a suscitar as mesmas questões colocadas, mas nunca de maneira convincentemente respondidas, em reuniões, em congressos e noutros conclaves de onde saíram decisões que mereceram palmas, mas que, depois, saldam-se no que considero \"auto-golos\" nas balizas do nosso futebol - passe aqui este trocadilho.

Não foram os homens do futebol que no outro dia, na Galeria dos Desportos, no meio de muitas salvas de palmas dos adeptos do nosso futebol anunciavam que haveria, com dinheiros públicos, um evento com temas como \"Desenvolvimento do futebol: Pilares para construir o futuro\", \"Todos Pelo Futebol\"...? Tudo não foi levado à Conferência Nacional do Futebol, numa organização do Ministério da Juventude e Desportos?

Eu não estou, e nem quero, aqui fazer política, mas é bom lembrar que o conjunto de problemas que o nosso futebol enfrenta hoje, desde as escolas, clubes, associações e federação, já chegou a afligir instâncias superiores do nosso Executivo (Governo) e do nosso Estado.

Lembro-me até que o cessante Presidente da República, José Eduardo dos Santos, chegou a sugerir e a propor - e vou citar só em jeito de lembrança o que denominou \"a transformação das boas intenções em ganhos concretos, tendo como principal parceiro a Federação Angolana de Futebol\".

Não sei, agora, qual será a orientação da nova ministra da Juventude e Desportos a respeito do que deve ser feito para melhorar - com parcerias privadas - os passos que podem ajudar a federação colocar ordem no \"circulo\" em que resvalou o nosso dito desporto-rei. Mas que o \"game\" está duro...isso é verdade!

Definitivamente não podem os clubes brincar às escondidas com a federação, com os adeptos, primeiro lutando para a primeira divisão e, lá chegados, alinharem no\" jogo\" da chantagem. Ou têm dinheiro, ou não!

E já agora vão aqui outras perguntas: se os nossos craques de futuro devem sair também das escolas destes clubes e se esta mesma federação tem equacionado e recomendado nas referidas reuniões, conferências e conferências, a concretização, e depois não cumprem sequer com as encomendas do Girabola, como é que estes clubes de \"faz-de-conta\" são inscritas sem dinheiro, sem orçamento para este alto escalão?

Estamos ou não assim diante de uma \"jogada confusa\" em termos dessa pretensão de fazer crescer o futebol nacional com novas apostas? Não é, digamos, um \"auto-golo\", na própria baliza, a federação autorizar clubes descapitalizados jogarem na primeira divisão?
Para mim é, curiosamente, a própria federação que faz tábua rasa ao seu estatuto, aos seus regulamentos. Só por isso é que os clubes usam e abusam dessa passividade federativa..que observa e assobia de lado, sem sancionar na hora \"H\".
António Félix

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