Jornal dos Desportos

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Opinio

A falta de golos no nosso futebol

18 de Dezembro, 2015
A preocupação expressa recentemente, por João Machado, o decano dos treinadores nacionais, por intermédio de um programa de televisão, emitido em Luanda, segundo a qual as competições nacionais de futebol se debatem com a falta acentuada de marcadores de golos, vem confirmar o deficiente trabalho que tem sido efectuado pelos clubes no sector da formação.

É de bom grado saber que consta como prioridade de alguns (poucos) clubes dedicarem uma atenção mais responsável aos escalões de formação, em articulação com a Federação Angolana de Futebol (FAF), assumido na generalidade a sua responsabilidade pela qualidade da modalidade rainha, quer ao seu nível, quer das selecções nacionais, o reflexo de todo o futebol que se pratica no país.

A preocupação, em forma de alerta, de João Machado que é melhor marcador do primeiro Girabola realizado no período pós-independência Nacional (1979), com dezanove tentos em catorze jogos, deve fazer com que não apenas os responsáveis federativos, mas também os dos clubes e outros parceiros (escolas, academias e núcleos), no sentido de concederem apoios mais abrangentes aos escalões etários para que o futuro esteja salvaguardado.

A recente decisão da direcção da FAF em autorizar os clubes do Girabola a inscreverem cinco atletas estrangeiros com a possibilidade de serem utilizados em simultâneo numa única partida, facto que está a preocupar uma considerável quantidade agentes do futebol, deve fazer com os clubes, sem descurarem os outros sectores, se preocupem também com a formação mais criteriosa dos dianteiros.

É que, como acontece em qualquer parte do mundo, a maioria dos clubes que optam por contratar atletas estrangeiros, a sua escolha incide sobre dianteiros. A continuar a acontecer em Angola, esse facto poderá ter reflexos negativos para as selecções nacionais que, faz muito tempo, se debatem com a falta de goleadores e de golos.

Convém recordar que, ao contrário do que acontece actualmente, em que os melhores marcadores do Girabola, raramente ultrapassam a fasquia dos 15 (quinze) tentos, nas décadas de oitenta e noventa, atingiam a cifra entre os 25 (vinte e cinco) e 30 (trinta) golos. João Machado (Diabos Verdes), Carlos Alves (1º de Agosto) Vata (Progresso Sambizanga), Túbia (Interclube), Mavó (Ferroviário da Huíla), Maluka (1º de Maio de Benguela), Sayombo (Académica do Lobito), Jesus (Petro de Luanda) e Amaral Aleixo (Petro de Luanda) e (Sagrada Esperança), foram os melhores marcadores daquela época.

Há cerca de uma dúzia de anos, as cinco melhores equipas da época, o 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube, Atlético Sport Aviação (ASA), tinham como guarda-redes titulares, quatro expatriados provenientes da República Democrática do Congo (RDC), designadamente, Tokala, Ekubola, Papy, Pitchú e Gerry. Depois da sua participação no Campeonato do Mundo, que decorreu em 2006, na Alemanha, a baliza da selecção de séniores começou a ser disputada maioritariamente por Lamá (Petro de Luanda) ainda em actividade, Nuno e Ângelo, que representaram o ASA.
É de pequenino que se torce o pepino.
Leonel Libório

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