Jornal dos Desportos

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Opinião

A fama do Kabuscorp caiu na praça pública ?

14 de Maio, 2018
Nos últimos dias, fala-se tanto do Kabuscorp do Palanca, dentro e fora de portas, ao ponto de ficar beliscada a sua imagem, devido à \"maka\" que Rivaldo remeteu à FIFA. Por isso, julgo que o clube de Bento Kangamba deve \"arrolar\" esclarecimentos mais convincentes, para que a fama que granjeou não esteja mal na berlinda.
O clube de Bento Kangamba, não se olvide isso, é certamente amado por uns e odiado por outros, o que é normal na vida e no convívio em sociedade.
Sei que o que lhe deu a primeira fama pública, enquanto clube - posses à parte - foi o facto de ter sido fundado nos tempos mais difíceis, para crescer até ao nível de hoje... já com os pilares assentes.
A dada altura, converteu-se num clube a sobrar-lhe \"superavit\" financeiro para sustentar outras equipas, com problemas neste campo: o 1º de Maio de Benguela, por cá, o Vitória de Setúbal, em Portugal, não deixam mentir.
Isto sinal de poder e a força que o Kabuscorp do Palanca somou inclusive com ousadia de chamar as coisas pelos \"próprios nomes\": ganhou títulos e, até, afrontou a Federação Angolana de Futebol em momentos de injustiça. Neste particular, vimo-lo há anos quando o presidente do clube tinha a equipa a \"ver navios\" na luta do título de tratou de dizer que a federação tinha culpa no cartório.
A seu ver, nomeavam-se árbitros para deliberadamente “roubar” à sua equipa, mesmo nos jogos em que o Kabuscorp joga(va) e convencia... ao tempo do brasileiro Rivaldo, que já foi melhor jogador do mundo. Muita gente aplaudiu a coragem do clube, na altura.
Recordo-me que, por causa disso, escrevi neste espaço o que se esperava, no mínimo, era que as instituições de direito partissem logo para a investigação, actuando com homens e meios para se chegar ao resultado final: se a Federação tinha, ou não, fabricação de resultados.
Por causa da coragem de Bento Kangamba, muita gente redobrou a admiração por ele e passou a ser um senhor no futebol, quase venerado pela legião de adeptos da sua equipa e por agentes com notoriedade alta no futebol doméstico, que viam ( ou ainda) vêem nele um dirigente - se certo ou não - íntegro, pessoa talhada para questões de filantropia, acções de graça e altruísmo.
Quando o então seleccionador, o uruguaio Gustavo Ferrín, foi afastado pela FAF, Bento Kangamba foi das figuras que criticou a ferro e fogo a decisão. Através da imprensa defendeu que o treinador fosse com mais 120 mil dólares de indemnização, pelo seu contrato.
Significa que Bento Kangamba e o seu clube estavam para o futebol, com um capital humano e logicamente financeiro, para falar alto como fala(va), compra(va), paga(va) tudo e todos como mandam as regras do futebol.
De onde provinha ou provém o capital para o tanto, com o qual o Kabuscorp fazia dentro e fora do jogo é o que muita gente do futebol desconhecia ou desconhece …embora se saiba que é um clube privilegiadamente com o estatuto de instituição pública e por ter um orçamento proveniente, em parte, do erário.
Não há, pois, como não dizer aqui e agora que este clube deve reunir o pecúlio para pagar o que ainda deve a Rivaldo. Assim, mostra(rá) à FIFA e à FAF que não sendo uma \"sociedade anónima\" está em condições de vir a público evitar as suspeitas que o brasileiro está a levantar.
O clube do Palanca e particularmente o seu presidente , Bento Kangamba, têm esse poder. Viu-se quando bateu o pé à Justiça brasileira, sobre os sinais de branqueamento de capital com a injecção de verbas que o Kabuscorp alegadamente fazia ao Vitória de Setúbal.
O Kabuscorp do Palanca não pode dar motivos para outras cogitações. Seria bom, como se diz entre nós, matar a cobra e mostrar o pau!
A bronca, a \"maka”, só pode subir a pique, para o pior, se o Kabuscorp ver-se confrontado com a hipótese de baixar de divisão, isto se o clube persisitir no ziguezaque judicial-administartivo, que até já chegou à FIFA.
Lembram-se, caros leitpres, do \"Caso Moreno\" - referente ao rapaz que, com dois nomes e duas idades, jogou no Petro e 1° de Agosto e que, por isso, deu um dilema administrativo-judicial, que foi à FIFA deixou marcas profundas de difícil cicatrização? Recordam-se, quando a FIFA aplicou a mão pesada ao (nosso) Jamba, devido à vergonhosa cena de doping? Ou mesmo a FAF que viu uns cortes de subsídio vindo da FIFA, pelo \"calote\" que espetou no contrato com falecido técnico Carlos Alhinho?
ANTÓNIO FELIX

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