Jornal dos Desportos

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Opinio

A festa da bola que cerra cortinas

01 de Setembro, 2018
1º de Agosto ou Petro Luanda: eis a grande incógnita que persiste até o dia de amanhã, domingo, quando cerrarem-se as cortinas da presente edição do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão e relativamente ao facto de se saber, qual destes dois emblemas se sagrará campeão. A equipa “rio seco” desperdiçou a oportunidade de cortar a meta em primeiro lugar na semana passada, ao empatar no Dundo, com o Sagrada Esperança.
O rigoroso empate a duas bolas no jogo da 29ª jornada, imposto pelos diamantíferos ao d\'Agosto na Lunda Norte, colocou a equipa petrolífera de novo na rota para a discussão do tão almejado troféu da maior prova do desporto-rei, após ter logrado um triunfo sobre o Interclube, por 2-0, em pleno Estádio 22 de Junho. Por arrasto, o conjunto do “eixo-viário” vê-se, assim, na contingência de discutir o troféu com o arqui-rival militar.
É verdade que nas contas que se fazem, em relação ao troféu de 2018 do também apelidado Girabola Zap, o 1º de Agosto apresenta-se com vantagem em relação ao seu concorrente, pelo facto de depender exclusivamente de si, para chegar ao seu 12º título e consequentemente segundo tri-campeonato do seu historial. Uma vitória, amanhã, sobre o Cuando Cubango FC é o quanto basta, para os militares alcançarem esse desiderato.
Porém, até um empate serve para as contas do conjunto orientado pelo sérvio Zoran Maki, mas isto, obviamente, desde que o Petro não vença o Sagrada Esperança. E isto pelo facto de o 1º de Agosto somar, nesse momento, 54 pontos, na liderança, contra 53 do arqui-rival, no segundo posto. Aliás, se em relação ao ainda campeão em título outro resultado serve, aos tricolores só a vitória interessa.
Nunca é demais lembrar aqui que o Petro de Luanda é, até aqui, o maior “papão” do futebol nacional, com 15 títulos conquistados e que, já leva, nesse momento, um “jejum” de nove épocas sem subir ao lugar mais alto do pódio do Girabola Zap. É por essa razão que vê agora o d\'Agosto a fazer-lhe uma “perseguição impiedosa” e daí, depois de uma desvantagem de oito títulos nestes anos, esta época pode reduzir para menos três.
Diga-se de passagem, que tem sido muito ousada a atitude do d’Agosto ao longo destes últimos anos, pois de um lado os tricolores vão vendo a “banda a passar” e do outro, o arqui-rival faz bem as tarefas de casa, evidenciando arte e engenho, com a artilharia a seu dispor. E mais: o d’Agosto pode festejar, num espaço de seis dias, a qualificação aos quartos de final da Liga dos Clubes Campeões Africanos e o título do Girabola.
E a qualificação a esta etapa da “Champions League” foi lograda, graças ao triunfo de 2-1, na terça-feira sobre o Mbabane Swallows da eSwatini (ex-Swazilândia), no Estádio Nacional 11 de Novembro. O 1º de Agosto quedou-se, assim, no 2º posto do Grupo D com 9 pontos, menos 3 que o Étoile du Sahel da Tunísia, que terminou na liderança.
O Zesco United da Zâmbia ficou no 3º posto com 6 e o Mbabane no último com 4.
Voltando a transcorrer naquilo que é a ponta final desta 40ª edição do Girabola, é mister realçar o facto de que, este ano, tivemos uma prova realizada a velocidade estonteante. Parafraseando o meu companheiro desta coluna, o Morais Canâmua, e o jornalista Vaz Kinguri, da Rádio 5, tivemos esta época um campeonato atípico e a “Speed Gonzalez”.
E tudo por força do reajustamento que a competição conheceu no seu calendário para poder equiparar-se, assim, aos demais campeonatos da I Divisão dos países africanos. Até à época passada, o campeonato iniciava, habitualmente, entre os meses de Fevereiro e Março e estendendo-se até Outubro ou Novembo. Esta época, por força da inovação feita, a prova iniciou em Março e teve no seu curso uma maratona intensa de jogos aos finais de semana, intercalados, em muitos casos, com jogos às terças, quartas e quinta-feiras. A edição deste ano, está ser disputada num período de pouco mais de seis meses.
Não obstante isso, a prova não perdeu a mística que lhe é peculiar, pese alguns casos que a macularam pelo meio, como a desistência do “desafortunado” JGM do Huambo, as retiradas de pontos pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) às equipas do Kabuscorp e do Progresso do Sambizanga, por desonra aos compromisso de pagamentos contratuais de treinadores e jogadores, assim como outras situações.
Mas, felizmente, para os prosélitos do futebol no país, o Girabola-2018 cerra as cortinas amanhã, com a consagração de um dos dois maiores emblemas da prova, no caso d\'Agosto ou Petro. Nesse particular, é importante destacar o desempenho dos militares, que além do campeonato estiveram ainda engajados na “Champions League”, onde lograram o passe para os “quartos”, após vitória, terça-feira, sobre o Mbabane Swallows, fazendo uma maratona de mais 40 jogos num espaço de pouco mais de seis meses.
De resto, depois de, na 29ª jornada, o Domant FC de Bula Atumba do Bengo se juntar ao 1º de Maio e o “desistente”, ainda na primeira volta, JGM do Huambo, na descida de divisão, as atenções da prova nesta derradeira jornada, viraram-se apenas para a discussão do título.
O Interclube, que chegou a estremecer com os arqui-rivais 1º de Agosto e Petro, acaba por se conformar com o 3º lugar, que conquista com todo mérito.
Meritórias foram, ainda, as campanhas da Académica do Lobito, revelação do campeonato, e do primodivisonário Sporting de Cabinda, que mesmo mergulhado num rol de dificuldades, soube gerir as intempéries a prova, alcançando o 10º lugar.
Sérgio V.Dias

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