Jornal dos Desportos

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Opinio

A festa da bola que chega ao fim

15 de Julho, 2018
Hoje é dia decisões no Mundial-2018. A prova cerra as cortinas com a disputa da final inédita entre a França e a Croácia, as duas selecções mais regulares desta montra de futebol que a Rússia acolhe desde 14 de Junho e que justificam, acima de tudo, a sua presença neste jogo mais aguardado da prova.
Foram, até aqui, 30 agradáveis dias em que o mundo pôde testemunhar festa, cor e a alegria do espectáculo da bola que o desporto-rei proporciona.
E esta tarde, a partir das 16h00 no Estádio Lujniki, em Moscovo, capital russa, advinha-se, também, uma acesa disputa entre os protagonistas da final, porquanto a equipa dos balcãs vai tentar \"desforrar-se\" da eliminação nas meias-finais do Mundial de 1998.
A pressão parece estar mais do lado gaulês, que chega a este jogo de Moscovo com um único objectivo: repetir a proeza de há 20 anos e desse modo inscrever pela segunda vez, na história, o seu nome na alta roda do futebol com a conquista de mais este troféu.
E mais ainda: em caso de vitória na final de hoje Didier Deschamps pode tornar-se na terceira figura a conquistar o troféu como jogador e treinador, depois dos feitos alcançados igualmente por Mário Zagallo e Franz Beckenbauer.
O brasileiro, o primeiro a alcançar o feito, foi campeão pela equipa \"canarinha\" em 1958 e 1962 como jogador e, posteriormente, em 1970 como treinador, enquanto o alemão triunfou em 1974 como maior estrela de sempre da turma da \"Mannschaft\" e em 1990 como seleccionador nacional. De lá para cá mais ninguém logrou atingir esse desiderato. E Deschamps pode chegar a uma nova conquista se a Croácia permitir.
Mas a festa da bola da Rússia tem outros motivos de atracção. Com o afastamento precoce de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, as duas maiores lendas do desporto-rei dos últimos dez anos, outros nomes podem fazer eco no fim deste Mundial.
A jovem promessa francesa Kylian Mbappé surge na lista como um dos \"naturais\" concorrentes a conquistar o troféu de melhor jogador do mundo em Setembro próximo. Nascido num dos subúrbios de Paris, em 1998, até o início do ano passado o craque gaulês era levado aos treinos pela mãe Fayza, que é de origem argelina. O seu pai, Wilfried, que treinou equipas dos escalões de formação de andebl do AS Bondy, equipa da cidade-natal de Mbappé, também é um africano nascido nos Camarões.
Além de Mbappé, o seu compatriota Antoine Griezmann é outro jogador que se notabiliza neste Mundial-2018, a par de Luka Modric, da Croácia, que contribui, significativamente para a chegada às meias-finais do conjunto.
Também não deixam de ser relevantes os casos insólitos que ocorrem na prova, como a do repórter sul-coreano que foi beijado por duas mulheres durante entrada ao vivo na cadeia televisiva MBN, assim como os de algumas repórteres mulheres que passaram pela mesma situação ao longo do Mundial. A repórter da CBF TV viu-se contrangida quando um torcedor sérvio tentou beijá-la à força enquanto trabalhava, ao passo que um outro da Rússia além de beijar tocou no seio de uma jornalista colombiana da rede alemã \'Deutsche Welle\', durante uma entrada desta ao vivo na rua.
E como não podia deixar ser a demissão, pela federação da Croácia, de Ognjen Vukojevic, adjunto de Zlatko Dalic no comando técnico da selecção de futebol, por este associar-se aos festejos da eliminação da Rússia nos quartos de final em que se fazia acompanhar do central Domagoj Vida num vídeo. No mesmo ambos usavam palavras \"Glória à Ucrânia\", que é foi o slogan dos ultranacionalistas que, em 2014, depuseram o presidente eleito, Viktor Yanukovych, pró-russo. Desde então, a Ucrânia mantém um conflito com a Rússia pela disputa da Crimeia.
Se por um lado os comentários de Domagoj Vida fizeram eco no país anfitrião deste Mundial, por outro os do seu compatriota Dejan Lovren voltaram a colococar a Croácia no olho do furacão. Tudo porque no vídeo por esse divulgado salta à vista som da música Bojna Cavoglave, da banda Thompson, que ganhou fama por fazer apologia ao regime facista que existiu na Croácia durante a II Guerra Mundial.
De resto são as contingências de uma prova da dimensão desta que Rússia organiza de forma extraordinária e que o líder da FIFA, Gianne Infantino, já qualificou como a \"melhor de sempre\" de história de campeonatos do mundo. Por ora, resta aguardar entre França e Croácia quem sobe hoje ao lugar mais alto do pódio do Rússia-2018, depois de ontem a Bélgica vergar a Inglaterra na disputa do terceiro lugar. É, de resto, a festa da bola que está a chegar ao fim...
Fontes Pereira

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