Jornal dos Desportos

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Opinio
por SRGIO V. DIAS

A festa do atletismo que entra na 62 edio

30 de Dezembro, 2017
É já amanhã que a São Silvestre sai às ruas da capital do país, para percorrer um percurso que alberga 10 quilómetros de estrada. A corrida pedestre de fim -de- ano, que tornou-se uma marca do atletismo nacional, realiza-se num momento particularmente difícil.
Nesta altura, a organização do certame esmera-se para que tudo corra de feição. E, Luanda, como não podia deixar de ser, junta neste 31 de Dezembro a nata do atletismo nacional e de outras latitudes do mundo para a grande festa.
Apelidada por muitos de Demóstenes de Almeida Clingthon, a corrida pedestre de fim -de -ano volta nesta sua 62ª edição a contar com a presença de atletas do estrangeiro, depois de em 2016 testemunhar a participação de fundistas angolanos.
O momento menos bom que o país enfrenta, em termos financeiros, derivado da baixa do preço do petróleo no mercado internacional, constitui o grande calcanhar -de -Aquiles que motivou esse aspecto. A situação já se arrasta desde os finais de 2015.
Não obstante isso, o órgão reitor da modalidade no país costuma agigantar-se em mecanismos para contrapor essa contrariedade. Aliás, Angola já provou por A+B que mesmo em situações adversas organiza eventos de forma exemplar.
Foi assim, por altura da organização do Campeonato Africano das Nações (CAN) em futebol de 2010, que se realizou nas províncias de Luanda, Cabinda, Huíla e Benguela; e foi assim no Mundial de Hóquei em Patins, também na capital e Namibe.
Os angolanos deram ao longo dos anos, provas da sua grande capacidade de organização de eventos, e como é óbvio, com a São Silvestre de Luanda as coisas não fogem à regra. Amanhã, ao cair da tarde, a festa do atletismo corre pelas ruas da capital.
Além da participação dos “sprinter’s” nacionais na prova, estão confirmadas as presenças de fundistas namibianos, Lavinia Haitope e Reinhold Thomas.
Falava-se da presença de atletas da Região V de África, em que Angola está inserida assim como a África do Sul, um país que de resto é frequentemente inquilino na corrida, mas que até o dia de ontem não estava confirmada.
Ao longos dos anos, a corrida está inscrita nas provas da Federação Internacional de Atletismo Amador (IAAF) e na Associação das Corridas de Maratonas e de Estradas a nível do mundo, costuma ser dominada por fundistas originários do estrangeiro.
Quénia, Eritreia e Etiópia, cujo atleta Berharnu Ghuirma notabilizou-se com várias consagrações nos idos anos de 80, são países com créditos firmados nesta corrida pedestre de fim -de -ano, que como já se frisou entra na 62ª edição.
No concernente a conquistas nacionais, saltam à vista nomes como os antigos velocistas, Isidro Louro, Joaquim Morais, Bernardo Manuel, João Ntyamba, Aurélio Mity, entre outros a nível da classe masculina.
Ana Isabel, a chamada gazela do atletismo angolano, e Adelaide Machado que triunfou na edição de 2016,são dois dos nomes a apontar na classe feminina.
Ainda no que se refere à participação de fundistas nacionais, há nomes que merecem destaque e que ao longo destas 61 edições disputadas da São Silvestre, ombrearam com as chamadas feras do atletismo africano e mundial.
Apesar de um e outro contratempo que são naturais em eventos do género, acredito que a Federação Angolana de Atletismo (FAA) que tem à testa o antigo fundista Bernardo João, vai encontrar as soluções para contrapor todas as adversidades.
Uma destas, acredito plenamente, tem a ver com a atribuição de prémios aos vencedores das diferentes categorias, que no ano transacto constituiu um grande \"handicap\".
Nessa esteira, reitero o facto de em 2016, ao contrário de 1 milhão e 500 mil Kwanzas atribuídos aos vencedor de 2015, os atletas que triunfaram nas duas classes (masculino e feminino) receberam a módica quantia de 200 mil Kwanzas.
A justificar o momento, está o facto de em 2016 a organização da São Silvestre de Luanda optar por premiar os três primeiros classificados de cada categoria, quando em anos precedentes a iniciativa estendia-se aos cinco melhores.
Os prémios, regra geral, abrangia também aos atletas paralímpicos, populares, velhos e veteranos da prova melhor classificados. Para este ano, está prevista a atribuição de prémios equivalentes a 5 mil dólares (ao câmbio oficial do banco) para os vencedores de ambas classes.
De resto, nesta nova era que o país enfrenta, em que se testemunhou as quartas eleições gerais e que consagraram João Manuel Gonçalves Lourenço como terceiro Chefe de Estado da Nação, esperam-se muitas melhorias no campo desportivo.
As melhorias, como não podia deixar de ser, devem estender-se ao atletismo nacional e à São Silvestre, que na realidade constitui a grande montra da modalidade intramuros. É importante destacar, neste particular, que a partir de 2017 a corrida pedestre de fim -de -ano conheceu uma inovação: a Feira de São Silvestre que acontece na Marginal de Luanda e onde a prova é realizada.
Nesse palco estão montados “kits” da competição, é pois a montra em que os parceiros da competição, patrocinadores e outras agentes têm a oportunidade ímpar de exporem as suas marcas. Por isso, a corrida acaba por ter o condão de casar a cultura nacional com a vertente turística, que constitui uma mais-valia.
Resta esperar o que nos trás a edição da São Silvestre. E, nesse sentido, é importante que a corrida se realize no espírito do fair-play, que no final vença o melhor e oxalá que o melhor seja um angolano. Como bom patriota assim torcerei!!!...

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