Jornal dos Desportos

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Opinio

A FIFA e as crianas tailandesas

07 de Julho, 2018
O mundo está expectante, em relação ao resgate que se espera exitoso das 12 crianças tailandesas que constituem uma equipa de futebol e o seu treinador, presas numa gruta no país asiático, desde Junho.
O infortúnio aconteceu, quando o grupo visitava uma caverna depois de uma sessão de treinos, ficou sitiado quando começou a chover, torrencialmente, inundando algumas galerias que impediu a saída.
Desde lá, até este dias, o desfecho mantém-se incógnito, com o Governo da Tailândia a admitir que o resgate pode levar tempo, meses até, embora, ontem, registassem movimentações no sentido de acelerar o resgate, que fez uma vítima mortal na equipa de mergulhadores.
Tentativas para tirar sãs e salvas as crianças e o técnico, estão a ser ensaiadas, contudo, o tempo é outro obstáculo às equipas de salvamento, que se debatem, dado que muitas crianças estão neste débeis neste momento, e não sabem nadar. Entretanto, as chuvas abundantes podem regressar, o que pode tornar mais cinzento o actual cenário.
Pelo mundo, muitos são os gestos de solidariedade. Em tempo de mundial de futebol, a FIFA não está alheia ao sofrimento das crianças tailandesas, já anunciou que vai convidar as 12 crianças a assistirem à final do Mundial, caso resgatadas à tempo e em condições de viajarem até à Rússia.
Em carta enviada à federação tailandesa de futebol, o presidente do organismo, Gianni Infantino disse que ia ficar muito agradado em convidá-las a assistir à final. Uma posição solidária de um organismo, que não obstante os vários casos de corrupção que abalaram as suas estruturas num passado bem recente, sempre dedicou carinho especial às crianças do mundo.
A solidariedade tem de ser real e com gestos, num mundo em que o consumismo toma conta das pessoas e os apelos à mudança de comportamento dos cidadãos, em todos os cantos, é sempre redobrado, principalmente, da parte de líderes religiosos, como o Papa Francisco.
A FIFA tem programas específicos, para o desenvolvimento do futebol infantil, em todas as partes do mundo, e muitos talentos emergem desses projectos do futebol, de iniciação, que justifica plenamente os milhões, em lucros que consome.
O convite é susceptível de elevar o estado anímico dos integrantes do grupo. A sua situação é de facto deplorável, segundo relatos da media internacional, e das próprias autoridades tailandesas.
Fome, ansiedade pela saída no \"buraco\" em que se encontram, saudades dos familiares, tudo isso conjugado, pode abalar qualquer ser humano, em situações como esta que as crianças vivem.
Ali, cada minuto é uma eternidade, a menor clareia é o universo iluminado por todas as luzes brilhantes do mundo.
Um final feliz, no mais curto de tempo, com o regresso aos seus lares e junto dos seus familiares, é o que todos desejamos. E, o contacto, depois, quiçá com alguns dos seus ídolos, ou com jogadores que para elas, nas idades em que estão, são, naturalmente, de outra galáxia, pode ser a melhor forma de premiar o esforço e o grande desejo de viver, que demonstram nesta altura.
Fontes Pereira

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