Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A "fome" (prolongada) do 1 de Agosto

11 de Março, 2016
Se no início do Girabola – 2015, a equipa principal de futebol do 1º de Agosto foi objecto de alguma contestação por parte dos seus adeptos, por ter averbado três derrotas consecutivas nas tês primeiras jornadas, no actual, está na “boca do povo “, pela positiva, depois de um arranque fulgurante, em que alcançou três triunfos em igual número de jogos.

A sua massa associativa, a maior que existe em Angola, e uma das maiores de África, considera que os nove pontos colhidos, assim como os sete tentos rubricados sem sofrer algum, se coadunam com os desígnios, grandeza e dimensão do clube, um dos mais tradicionais no mosaico desportivo nacional e africano. Ao se partir do princípio que os campeonatos começam a ser ganhos no início das competições, pois qualquer ponto perdido tem influência negativa na prestação de contas, os nove pontos que a equipa possui na liderança, conjuntamente com o Desportivo da Huíla, deixam os adeptos mais tranquilos, quanto ao percurso para a conquista do título, facto que não acontece desde 2006. À época, a equipa era orientada tecnicamente, pelo holandês Jan Brauwer. Não obstante o Girabola-Zap estar ainda na sua fase embrionária, o que significa que ainda há “muita estrada por percorrer”, as demais candidatas a conquista do título, como o Recreativo do Libolo (campeão nacional), Kabuskorp do Palanca, Interclube de Angola, Petro de Luanda e Benfica de Luanda, já cederam pontos, que como se fez referência, podem ser recuperados.

É ponto assente que o historial do 1º de Agosto, que também é “glorioso”, devido a sua dimensão nacional e além-fronteiras, confunde-se com o processo do desenvolvimento desportivo e sócio - cultural de Angola. Fundado à 1 de Agosto de 1977, como clube central das extintas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), agora integradas das Forças Armadas de Angola (FAA), cujos nove títulos que ostenta como campeão nacional, atribuem-lhe a menção de segunda agremiação com mais “canecos” no contexto do principal campeonato de futebol de Angola, atrás do seu arqui – rival em todas as disciplinas desportivas, o Petro de Luanda, que angariou quinze, ao contrário do que aconteceu no início do campeonato passado, conseguiu alcançar os resultados que os adeptos esperavam, que se traduzem em triunfos,principalmente frente ao Benfica de Luanda, na capital do país, formação que pela sua estrutura organizacional e investimentos feitos pela sua direcção, consideravam ser mais fácil de ultrapassar.

Mesmo que aos atletas não deva ser atribuída a totalidade do mérito, pela colheita efetuada até ao momento, pelo facto de a equipa técnica e direção terem feito de forma conveniente os “trabalhos de casa”, o que se espera continuar (lembram-se das férias concedidas aos atletas na paragem dos quarenta dias do Girabola passado?), as jornadas sub – sequentes, não só pelo 1º de Agosto, como pelas demais formações, devem ser entendidas como missões difíceis, que implicam riscos que as vezes é necessário correr-se.

A disciplina e coesão na organização interna, que concorrem para a estabilidade do conjunto, constituem um imperativo que não deve ser dissociado do projecto idealizado a ser atingido no fim do campeonato.

Não deixa de ser verdade que para que o futebol da formação militar, se mantenha na mesma senda, é necessário que os adeptos interajam mais com a equipa, ao invés de optarem por comportamentos incorretos para com a equipa técnica e atletas, factos que foram evidentes nas épocas anteriores.

É necessário que as pessoas, com incidência para a sua massa associativa, não esqueçam que o 1º de Agosto, integra o lote das agremiações que nas épocas recentes, investiu em meios humanos, materiais e infraestruturais, com seriedade, facto que coloca, nesse quesito, a maioria das equipas que participam no Girabola-Zap, em escala inferior. Mantém a mesma estrutura base da equipa, que na época passada integrou sete elementos formados nas suas escolas, em época diferentes, e a mesma equipa técnica, numa clara demonstração que a obtenção de resultados desportivos positivos, nem sempre passa pela alternância dos treinadores. Para além de ser apontada como a equipa que melhor estilo de jogo apresenta, e pelo facto de as suas principais estrelas, Gelson e Ary Papel, ainda não terem despertado, o 1º de Agosto reforçou-se com Geraldo, de 24 anos de idade, que jogou no principal campeonato brasileiro, formado na Escola Norberto de Castro, naquela que se converteu na transferência mais sonante, na presente época, no futebol angolano.
Leonel Libório

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