Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A fora do 1 de Agosto no desporto angolano

30 de Maio, 2019
O Clube Desportivo 1º de Agosto, é, sem sombra de dúvidas, o maior de Angola, a julgar pelo número de modalidades que faz praticar, atletas e títulos conquistados na sua globalidade. O futebol, basquetebol e o andebol são as modalidades de maior relevo, quer a nível do país quer do continente africano.
Assim, pela grandeza que ostenta, o 1º de Agosto, tem responsabilidades acrescidas a nível do país. Isto implica dizer, que o clube militar tem a obrigação de fazer muito mais, para o desenvolvimento do desporto nacional e, por isso, o sucesso que tem feito não deve ser considerado apenas como sendo seu.
É importante frisar, que o objectivo principal da fundação do 1º de Agosto, em 1 de Agosto de 1977, por via do Comité Desportivo Nacional Militar ( CODNM ), órgão ligado às ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), foi exactamente focado para o desenvolvimento do Desporto Angolano.
Isto implica dizer, que quando os fundadores do clube militar decidiram criar o clube, a sua intenção global não era simplesmente montar uma equipa poderosa de futebol. Era, sim, criar mecanismos para, através desta instituição, promover a prática do desporto de alta competição, não só a nível nacional como internacional.
Primeiro, montaram uma equipa de futebol, baseada numa selecção dos melhores jogadores da época que militavam em vários clubes do país, como Pedro Garcia, Luvambo, Sansão, Lourenço, Zeca. Chimalanga, Sabino, Mateus César, Mascarenhas, Manico, Napoleão, Ângelo, e outros.
Com jogadores desta estirpe, o 1º de Agosto viria a ser o clube mais forte do país, tendo demonstrado isso em campo de 1979 a 1981, altura em que surgiu o Petro de Luanda, que viria a destronar os militares, “tomando de assalto” a hegemonia do futebol nacional até 1990.
Entretanto, ainda no período entre 1978-1979, o clube militar apostou no basquetebol, com José Cunha, no comando técnico e jogadores como Barbosinha, Hipólito, Boneco, Warese, Gustavo da Conceição, Carlos Cunha, Sidrak e outros, que, aos poucos, foram construindo uma grande equipa a nível do país e do continente.
Com o passar do tempo, surgiram as demais modalidades que hoje representam o clube militar, fazendo jus aos seus propósitos. Quais foram os resultados da aposta do clube militar? Os resultados estão à vista de todos. Hoje, por exemplo, em basquetebol, Angola é uma potência a nível do continente com 11 títulos conquistados.
Ao longo dos anos de glória do nosso país, a nível do basquetebol, o 1º de Agosto foi dos clubes que mais forneceu jogadores à selecção nacional. Além disso, a nível de clubes, os militares somam nove títulos africanos. Em andebol, a equipa feminina está a “colonizar” a modalidade em África, ganhando quase tudo.
É verdade que clubes como Petro de Luanda, também têm feito a sua parte em prol do desenvolvimento do desporto angolano. Entretanto, a forma em que o clube militar está focado no seu objectivo, é que o difere da maioria.
Hoje, o 1º de Agosto, é, sem sombras de dúvidas, o clube que melhor justifica o orçamento que lhe é atribuído. E isto pode ser visto por qualquer pessoa, ao visitar a antiga unidade das comunicações aí no Cassequel. Encontrará um campo multiuso denominado Paulo Bunze; o campo de treinos para as camadas jovens denominado Daniel Ndunguidi; no antigo quartel dos S.T. encontra outro campo de formação, baptizado com o nome de Nicola Beraldinelli.
Além disso, o clube militar ainda tem condições de alojamento, alimentação e instrução secular para atletas internos. A sua maior estrutura é o estádio de futebol França Ndalu, com capacidade para cerca de 30 mil espectadores, que está prestes a ser concluído. Têm excelentes condições de treinamento, de atendimento médico, e, socialmente, os atletas do 1º de Agosto são dos que melhores condições possuem.
Todos estes activos foram construídos em tempo recorde ou seja num período não superior a 12 anos. Todo mérito deste sucesso deve-se à direcção do clube, especialmente a Carlos Hendrick. Pela forma em que a direcção do 1º de Agosto tem aplicado os activos que lhe são atribuídos, podemos, sem receio de errar, atribuir-lhe nota 8/10.
Contrariamente ao clube militar, outros que também tiveram orçamentos de fazer inveja a qualquer um, limitaram-se a pagar salários e prémios a jogadores e treinadores e não passaram disto. Não apostaram seriamente na formação, construção de infra-estruturas para a lapidação de atletas e assim por diante, como acontece no D’Agosto.
Portanto, podemos considerar que o 1º de Agosto é um clube com grandes responsabilidades e influência positiva no desporto angolano. O seu sucesso, na realidade, deve ser considerado como sendo de todos os angolanos, por ser um clube apoiado pelo Estado e que forma jogadores de selecção em quase todas as modalidades, e, com isso, o país tem ganho muito.
Sim, é de homens com a mentalidade dos dirigentes do 1º de Agosto, que o país precisa para desenvolver não só futebolisticamente falando. Quando se aposta seriamente nos objectivos traçados, como que lançando a semente certa no terreno certo e cuidar bem da plantação, a colheita está garantida. É o que temos visto no 1º de Agosto. Augusto Fernandes

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