Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A fora do Chicote

14 de Abril, 2017
O Girabola não tem metade das jornadas disputadas, e as tradicionais chicotadas já começaram a fazer das suas. Não sabemos ao certo se as direcções têm feito uma auto-reflexão ou entendem que os treinadores são pagos para fazerem milagres.

É líquido que os treinadores são pagos para ganharem jogos e competições. Porém, não se concebe que uma equipa cujos jogadores não são capazes de fazerem refeições na sede, com a excepção das vésperas dos jogos, têm de treinar duas vezes ao dia, o que significa ir para casa e regressar depois ao treino, sempre ao volante. Não tem um campo próprio de treinos, os jogadores não têm balneários dignos desse nome, os salários são pagos de acordo com a disposição das direcções, que treinador é capaz de fazer milagre. Só Jesus Cristo. E por razões óbvias.

O Petro de Luanda não tem por acaso os quinze títulos por contas das suas melhores condições, que iam atraindo os melhores jogadores do futebol nacional? Não foi precisamente a melhor das condições que fez o 1º de Agosto esbater as diferenças, sendo hoje maior no capítulo das infra-estruturas do que o rival.

Não foram as boas condições que permitiram ao Atlético Sport Aviação (ASA) conquistar os três campeonatos consecutivos sob orientação de Bernardino Pedroto. Não são as condições que permitaram ao Interclube e Sagrada Esperança conquistarem títulos. O que tornou o Libolo numa força do nosso futebol senão as condições à dispoição dos jogadores e treinadores.

Considero que só as equipas que colocam à disposição dos treinadores essas condições, aliadas a jogadores de qualidade, de preferência indicados pelos treinadores e não pelos intermediários, é que têm autoridade moral para despedir o treinador quando os resultados não estiverem a acompanhar as despesas que os clubes fazem.

Quando o clube paga mês sim, mês não, não é capaz de oferecer aos jogadores uma refeição, nem um campo com privacidade para trabalhar, é quase certo que os resultados são geralmente irregulares. Essa é uma reflexão que se impõe, e qualquer gestor sensato devia antes de fazer das chicotadas uma ferramenta de gestão, juntar todos os prós e contras.

Os treinadores não deviam ser as principais vítimas num clube desprovido de condições, sem capacidade de honrar com as obrigações básicas (pagar os salários a tempo). E mais num contexto de crise, as chicotadas deviam acompanhar a capacidade dos clubes para indemnizar treinadores. Aliás, a Federação Angolana de Futebol se tivesse de aplicar o rigor que a Confederação Africana de Futebol e a FIFA impõe, metade dos clubes no Girabola não podiam continuar a competir na primeira divisão, porque essas entidades impõem que nenhum clube endividado podia ser aceite numa competição federada.
Já se sabe que a Federação Angolana de Futebol, em nome de todos os interesses, fecha os olhos. De outro modo, seria o desastre. Porém, a FAF está igualmente obrigada a encontrar mecanismos alternativos para ir aplicando essas orientações emanadas por esses órgãos, porque se a FAF o fizer, os treinadores e jogadores poderão recorrer à Confederação Africana de Futebol e a FIFA, bastam accionarem um advogado que logo compromete a presença dos clubes na principal competição do futebol nacional. Não sei se os clubes saberão todos disso. Se não, o que é pouco crível, devia adoptar outras posturas, examinar cada acção com vista à demitir um treinador.

Não pode ser uma competição séria em que todos os anos metade dos treinadores que iniciam uma época, não acabam nos respectivos clubes. E depois aparecem noutro clube a fazerem grandes resultados, como aconteceu, não faz muito tempo, com Miller Gomes. Despedido do Petro de Luanda, logo depois foi campeão no Recreativo do Libolo, que acabou igualmente por despedi-lo sem qualquer consideração. Interclube, Recreativo do Libolo e o Kabuscopr do Palanca têm sido entre os grandes os maus exemplos no que a demissão de treinadores diz respeito. Quanto aos pequenos, esses fazem disso o pão-nosso-de cada dia. É uma autêntica carreira de tiros para os presidentes desses clubes.
Teixeira Cândido

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