Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A histria que se repete

28 de Agosto, 2013
A possível desistência da equipa de futebol da Académica Petróleos do Kwanda do Soyo das competições referentes à época de 2013 vai provocar constrangimentos, não apenas à referida equipa mas, fundamentalmente, à área da organização de competições da Federação Angolana de Futebol (FAF).

Tal opção dos responsáveis pelos “estudantes” do Soyo está em vias de se tornar realidade pelo facto de até ao momento não terem conseguido junto das entidades patrocinadoras, as associadas da Sonangol (Sonangol Pesquisa e Produção do Kwanda Limitada e Petromar), o montante não revelado para fazer face às despesas referentes à presente época, referentes à participação no zonal de apuramento ao Girabola de 2014 e à Taça de Angola.

Por não ser a primeira vez que se está em presença de factos dessa natureza, como por diversas vezes fizemos referência, tendo acontecido em épocas anteriores, principalmente nas provas de Apuramento ao Girabola, em que se registaram as desistências de alguns clubes por questões de âmbito financeiro, somos de opinião que os membros da direcção da FAF, por altura da realização dos sorteios das competições devem criar mecanismos no sentido de se precaverem contra possíveis desistências nas competições por si organizadas.

Esse facto não constitui nada de novo, principalmente em relação às equipas patrocinadas por empresas associadas à Sonangol, que se arrastam há muito tempo.
Esse tipo de ameaças, com algumas paralisações pelo meio, envolvendo equipas dos “petróleos”, aconteceram em tempos recentes com o Sporting Petróleos de Cabinda, Académica do Soyo e Petro do Huambo, estando em vias de suceder com o Benfica Petróleos do Lubango, que participa na Segundona e com o primodivisionário Atlético Petróleos do Namibe, cujo presidente, João Pedro Paxe, avançou recentemente, em Havana (Cuba), tal possibilidade ao “Jornal dos Desportos”. É caso para dizer que o petróleo não resolve tudo.

O que algumas pessoas começam a questionar é o facto de como a federação angolana da modalidade “vai descalçar mais esta bota”, se a formação do Soyo e possivelmente outras, de acordo com o que se começa a cogitar, concretizarem as suas desistências das competições em que participam.

Não basta que os dirigentes da Académica do Soyo, cujo clube, como se disse, não é a primeira vez que passa por tal situação, estejam a envidar esforços para sanar a situação. Esse exercício deveria ter sido efectuado no início da época, uma vez que aos governos provinciais não compete apoiar e patrocinar projectos dos clubes mas os que se enquadrem na massificação e no desenvolvimento desportivo.

É certo que estes factos estão a provocar alguns constrangimentos à direcção do clube, devido ao facto de atletas que transitaram da época passada terem observado uma paralisação para exigirem o pagamento de alguns salários e prémios de jogo, constantes dos vínculos jurídico-laborais (contratos) que os ligam ao clube, não obstante alguns pressupostos referentes à época transacta não terem sido solucionados.

O não cumprimento por parte da direcção de algumas cláusulas contratuais, referentes à época passada, pela direcção do clube que não pára de “incomodar” os patrocinadores, está na origem de alguns transtornos psico-emocionais dos atletas, cuja maioria possui agregados familiares, por serem chefes de família.
Leonel Liborio


A MINHA REFLEXÃO
Kabuscorp a caminho do título

Nos últimos três anos a equipa do Kabuscorp do Palanca, passou de simples animador a candidato ao título. Este feito tem muito a ver com a mudança de personalidade do seu presidente. Desde que Bento Kangamba abandonou o “amadorismo” e passou a ser um dirigente de facto a equipa deu o pulo que está à vista de todos.

Hoje, a equipa de Bento Kangamba pode ser considerada a quarta força do futebol angolano, depois do Petro de Luanda, 1º de Agosto e Recreativo do Libolo. Talvez alguém discorde desta opinião, argumentando que os palanquinos não ostentam nenhum titulo do Girabola, quando o ASA, com três, o Interclube, com dois, o 1º de Maio, igualmente com dois e o Sagrada Esperança com um titulo devem estar acima dos Palanquinos no “Ranking nacional”.

Até posso concordar com esse argumento. O meu ponto de vista não tem a ver com a conquista de títulos mas sim com a prestação dos clubes nos últimos anos. Tem a ver com a personalidade e qualidade do futebol patenteado nos últimos tempos. Não é em vão que o Kabuscorp é a equipa que mais leva adeptos aos estádios.

A questão é saber se o Kabuscorp do Palanca tem pulmão para se manter na liderança do Girabola até ao fim. O clube tem mostrado no Girabola organização, capacidade competitiva e fez aquisição de jogadores valiosos, o que torna cada vez mais o futebol angolano profissionalizado.
A qualidade do futebol no Kabuscorp melhora significativamente e já merece um título nacional na sua galeria.

Portanto, não basta merecer ou querer, é necessário lutar para atingir objectivos altos como é a conquista de um campeonato nacional em Angola. Nos últimos anos o Kabuscorp tem estado entre as cinco melhores equipas do Girabola e em 2011 só não ganhou o campeonato, porque a sua direcção e alguns jogadores cometeram um dos maiores erros que as equipas actualmente cometem: olhar muito para o trabalho da arbitragem.

Quando a direcção de um clube fala muito das arbitragens antes e depois dos jogos, acusando-as de serem os principais responsáveis dos seus desaires é o pior veneno que pode existir para a mente do jogador. Tais comentários podem fazer com que os jogadores vejam o árbitro como adversário, permitindo que o “verdadeiro” adversário faça o seu jogo e normalmente acaba por vencer o desafio.

Mas como já dissemos, a direcção do Kabuscorp de hoje é muito adulta, responsável e acima de tudo tem um grande espírito profissional e é um dos factores que podem fazer a diferença para que o Kabuscorp erga o seu primeiro troféu nacional.
Augusto Fernandes

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