Jornal dos Desportos

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Opinio

A hora do nosso drbi dos drbis

14 de Abril, 2018
1º de Agosto e Petro de Luanda defrontam-se na tarde de hoje, no Estádio Nacional 11 de Novembro, na capital do país, no jogo de cartaz da 10ª jornada do Girabola de 2018. Além de ser o destaque desta ronda da maior prova do futebol angolano, o duelo entre militares e tricolores tem a particularidade de colocar frente a frente os dois maiores emblemas do desporto-rei no país. É a 74ª vez que os dois colossos se vão defrontar.
O apetecível 1º de Agosto - Petro traduz, na sua essência, o dérbi dos dérbis do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão. No historial dos confrontos entre si, a equipa tricolor assume vantagem, já que venceu em 31 ocasiões, sendo mais relevantes as goleadas de 6-2 e 6-0, aplicadas ao arqui-rival nas épocas de 1982 e 1988.
Os militares, por seu turno, somam 23 triunfos, o último dos quais alcançado na segunda volta de 2017, graças a um golo solitário de Bobó. Pelo meio há ainda o registo de 20 empates. Para lá disso, estarão em confronto as equipas mais tituladas da prova, que nos últimos anos ganhou o cognome de Girabola Zap.
Os militares somam onze títulos, ao passo que os arqui-rivais tricolores quinze no seu historial. Apesar de o confronto desta tarde não ter o condão de definir alguma coisa em relação ao título, ainda assim está em jogo o prestígio dos contendores.
É verdade que quer os militares do “Rio Seco”, quer os tricolores do “Eixo-viário”, ainda não embalaram o suficiente para fazer jus à sua condição de mais sérios e crónicos candidatos ao título da maior prova do futebol dentro das fronteiras nacionais.
O d’Agosto soma, nesse momento, oito pontos no 14º e penúltimo posto da tabela de classificação, ao passo que o Petro de Luanda, treze no 6º.
À entrada desta 10ª ronda da maior prova do futebol nacional, os actuais campeões nacionais já disputaram cinco jogos, contra sete do seu adversário. Os militares do “Rio Seco” acumularam quatro jogos em atraso, em consequência do seu engajamento nas Afrotaças, onde confirmaram o passe para a fase de grupos da 21ª edição da Liga dos Clubes Campeões Africanos.
Nos desafios em falta terão como oponentes as equipas do 1º de Maio de Benguela, FC Bravos do Maquis do Moxico, Sporting de Cabinda e JGM do Huambo.
O retorno aos grupos da “Champions League” 21 anos depois foi alcançado graças à lotaria das grandes penalidades, já que depois da vitória de 1-0, em casa, sobre o Bidvest Wits, o d’Agosto foi ao estádio Millpark, em Joanesburgo, perder pelo mesmo score.
Já os tricolores do “Eixo-viário”, nas vestes de vice-campeões, acumulam dois jogos em atraso frente ao Kabuscorp do Palanca e ao Sporting de Cabinda.
O Petro esteve também engajado nas Afrotaças, mas viu o seu sonho de chegar à fase de grupos da Taça da Confederação ofuscar-se ao perder na segunda eliminatória de acesso a esta frente, diante do Supersport United da África do Sul.
Depois de consentir um empate nulo em casa, na última eliminatória, a turma petrolífera não teve arte nem engenho para desfeitear os sul-africanos, baqueando aos pés destes por 1-2, em Pretória, num jogo em que esteve em vantagem no marcador.
Noves fora as Afrotaças, as atenções dos amantes do desporto-rei no país centram-se agora neste dérbi dos dérbis do futebol nacional, que vai arrastar, com certeza, uma mole considerável de espectadores logo mais a partir das 17 horas no 11 de Novembro.
Outra coisa não se podia esperar já que se trata do maior clássico do nosso Girabola. Em termos de prognósticos seria arriscado vaticinar uma vitória para este ou para aquele conjunto. O mais seguro é jogar na trípla 1X2.
Tratando-se de um jogo da dimensão do d’Agosto – Petro ou mesmo no sentido inverso, é de se esperar os três resultados possíveis. Ou seja, vitória ou derrota para cada um dos contendores, mas sem se descurar também uma eventual repartição de pontos.
E seja lá qual for o desfecho deste dérbi dos dérbis, o que se espera é que efectivamente haja golos, pelo facto destes traduzirem as “vitaminas” dos jogos.
Grosso modo, os aficcionados do futebol nacional esperam, igualmente, que o 74º clássico entre o 1º de Agosto e Petro de Luanda seja disputado no espírito do fair-play.
E quando se fala de fair-play, como é obvio, é entrar no cerne de questões que vezes sem conta têm beliscado a imagem do nosso futebol, como as arbitragens que, em muitos casos, favorecem esta ou aquela equipa, sem se ter em conta a verdade desportiva.
Aliás, esta semana o nosso futebol voltou a ser muito propalado face à alegada corrupção que envolve a árbitra internacional angolana Marximina Luzia Bernardo.
A juíza, quadro da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) há 16 anos, foi suspensa por três anos pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF), alegadamente por favorecer o Benfica de Luanda num jogo contra o Sporting de Cabinda. Fala-se, inclusive, que tenha sido subornada com 1 milhão e meio de kwanzas neste jogo referente ao Girabola Zap de 2014.
Para lá disso, é importante que o Conselho de Disciplina do órgão reitor do futebol nacional aja com “mão pesada” nesses casos para que o nome do país não seja beliscado por culpa de quem queira prevaricar.
Para fechar a abordagem aplausos para o nosso dérbi dos dérbis!!!...
SÉRGIO.V.DIAS

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