Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A hora e a vez do 1 de Agosto

24 de Março, 2018
O único representante angolano nas Afrotaças tem as portas abertas, para na fase de grupos esgrimir os seus argumentos, para desta forma honrar e dignificar o futebol angolano, por isso, vai tentar ir o mais longe possível, na prova de elite dos clubes campeões do continente.
O 1º de Agosto tem em mãos uma oportunidade, que estrategicamente preparou e que agora precisa efectivamente de se munir de argumentos suficientes, para duma forma sustentável subir alguns degraus no ranking do futebol africano. Com o sorteio realizado na quarta-feira, a sorte para o campeão nacional não podia ser melhor. O nosso D\'agosto acabou num grupo equilibrado e aceitável. Aliás, para sermos claros, tinha pouca margem de escolha, já que está no leque dos melhores, o provável era jogar com os melhores, mesmo aparentemente mais fortes devido à vivência e experiência em provas do género.
Na esmagadora maioria, todas as equipas apuradas para a fase seguinte, cada uma delas conseguiram pelo menos superar os adversários em uma ou duas eliminatórias. O nosso 1º de Agosto, depois de \"despachar\" o Platinum do Zimbabwe, superou de seguida o Bid Vest Wits da África do Sul, tem as portas escancaradas para a ambicionada fase de grupos. Aqui chegados, acho que deve estar preparado para o que der e vier.
O grupo D, em que constam igualmente o Zesco United da Zâmbia, o Etoile do Sahel da Tunísia e o Mbabane Swallows da Swazilândia, acaba por ser equilibrado, quer do ponto de vista competitivo como no económico, neste particular, a rota mais longa para os militares do rio seco vai ser sem dúvidas a Tunisia, onde as ligações aéreas podem constituir um \"calcanhar de Aquiles\" a quem hoje, em tempo de crise, poupa e incrementa um regime parcimonioso face aos parcos recursos colocados à disposição.
No que se refere ao aspecto competitivo, o 1º de Agosto tem de esmerar-se, para chegar às meias-finais e daí, almejar outros patamares na perspectiva desta vez conquistar a África do futebol. Aliás, quer uma como outra equipa do grupo, têm igualmente de contar com a força dos militares angolanos que há muito anseiam por este momento. Há muito aguardavam a \"reentré\" nos palcos africanos e corrigir os erros que acumulou ao longo da história como clube, que teve o ensejo inclusive de chegar à uma final das competições africanas.
O importante em tudo isso, deve ser sem dúvidas, munir-se de grande capacidade competitiva e com o seu plantel evidenciar uma gestão apertada de recursos humanos para acumular capacidade de sofrimento, sacrifício e também coragem, para desta vez então, alcançar os nobres e legítimos objectivos. Do mesmo modo, tem de contar com todas as adversidades inerentes e próprias deste tipo de competições. As arbitragens tendenciosas, campos menos preparados, público contrário, ambientes hostis, enfim, uma gama de contrariedades que se resumem igualmente em lesões, castigos de atletas, indisponibilidades, etc, etc. Tudo isso, faz parte da carteira de encargos da direcção do Clube 1º de Agosto, que avisada pode de forma antecipada, tomar as providências que se impõem.
Nesta perspectiva, aumentam as responsabilidades do campeão nacional, que a solo, tem a incumbência de levar \"às costas\" um país que sofre pelo futebol, por ser o \"ópio\" do povo. Angola precisa de afirmar-se nestas competições de clubes, para credibilizar o seu futebol. A campanha auspiciosa dos militares pode proporcionar um alento grande, fazer com que se aumente o número de representantes angolanos nas provas sob a égide de CAF, nos próximos anos. Assim, só nos resta augurar que o 1º de Agosto se dê realmente bem nesta fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos, e por via disso, demonstre o vigor e a força. Queremos sustentar que o segredo passa, naturalmente, no facto de fazer de uma fortaleza segura, nos jogos em casa. Ou seja, ganhar os jogos no seu reduto e ir buscar pontos fora. Caso assim acontecer, os militares têm meio caminho andado, para atingirem as fases subsequentes e almejar, por via disso, patamares superiores.
Nesta empreitada de relançamento do futebol nacional na arena africana, o nosso 1º de Agosto não pode, nem deve, sentir-se sozinho. Não sentir-se isolado. Deve, isso sim, se estar acarinhado. Todos nós, angolanos e angolanas devemos estar irmanados no espírito de luta e de bravura em relação aos nossos valorosos \"combatentes\", que munidos de espírito acumulado de luta, façam jus ao carinho de toda uma nação futebolística.
Que venham o Zesco, o Etoiel do Sahel ou Mbabane porque terão de contar com o nosso 1º de Agosto, que pelo discurso dos seus dirigentes não devem falhar.
Diante da eliminação do Petro de Luanda pelo Super Sport United, a reflexão deve ser um elemento a ter em conta. A turma do eixo viário caiu de forma ingénua, porém, isso deve igualmente servir de aviso ao D\'Agosto, visto bem as coisas, está proibido de falhar...até porque, esta, é a sua hora e vez...na conquista da África do futebol...
Morais Canâmua

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