Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A inconvenincia da dupla funo

29 de Junho, 2017
Uns aceitam outros nem tanto. A verdade é que estas constantes paragens colocam em causa a verdade desportiva que todos pretendemos conferir a maior prova do desporto nacional. Aliás, o Girabola é o campeonato que mais sofre paragens a nível mundial. É a pura realidade.

Vejamos o seguinte. A preparação de uma equipa inicia-se com um período de tempo que antecede a competição em si, onde os treinadores promovem o início da aquisiçao das suas ideias, incorpora as rotinas de trabalho, ajusta as suas intenções e estabelece um padrão semanal em função da competição.

A duração do processo faz com que a equipa adquira o padrão de funcionamento, tendo em conta a competição semanal. Daí que a paragem competitiva de várias semanas seja um momento onde este padrão se altera.

Tudo o que acima descrevi já aconteceu com todas as equipas que disputam o Girabola. Na paragem que antecedeu o jogo contra Burkina Faso, para as eliminatórias ao CAN/2019, em que as 16 equipas ficaram de “férias” forçadas, e agora em que apenas umas foram forçadas a tirar alguns dias de repouso, devido ao Torneio da COSAFA e as eliminatórias ao CHAN.

Se, na primeira paragem, podemos dar alguma razão à FAF, embora o tempo tenha sido demasiado, o mesmo já não podemos dizer desta nova paragem, que, na minha opinião, é inconcebível. Simplemente inconcebível!

A prática tem demonstrado, ao longo dos meus 63 anos de vida, que um cão não pode levar dois ossos ao memso tempo. E, infelizmente, é isso que está a acontecer no nosso futebol. E digo isto porquê? Porque esta nova paragem do Girabla tem muito a ver com a dupla função do técnico dos Palancas Negras. Mas vamos aos factos.

A Taça COSAFA é um torneio regional, sem muita expressão a nível do Continente.

É um torneio onde as principais selecções nacionais que nela participam, aproveitam para dar rodagem competitiva aos seus jgadores mais jovens. Normalmente utilizam uma simbiose de jogadores experientes e menos experientes. Isto é alguns seniores e outros juniores.

Um dos exemplos que pude observar foi a selecção de Moçambique, que, na segunda feira, perdeu com o Zimbabwe por 0-4. Uma selecção bastante jovem, com uma naipe de jogadores vindos da sua selecção de Sub-20. Aliás, nem o seu técnico principal está presente.

Aliás, este é um exemplo que também foi seguido pela selecção da Alemanha, campeã mundial, e que está a disputar a Taça das Confederações, na Russia. Alguns dos seus principais jogadores foram dispensados e outros não quiseram estar presentes, para poderem gozar as suas férias.

Na minha opinião, Angola deveria seguir o mesmo exemplo. Deveria estar presente com uma selecção à base da de Sub-20, que disputou o Torneio de Toulon, integrada por mais alguns jogadores experientes e dirigida pelo técnico alemão, que a FAF foi buscar não sei aonde, num autêntico desprestígio aos técnicos angolanos.

Acontece que Beto Bianchi e o actual elenco da FAF querem ganhar algum prestígio. O primeiro pretende aumentar o seu paupérrimo currículo e o actual elenco da FAF quer ficar na história por ter vencido uma Taça COSAFA. Isto é tão claro como a àgua.

Em função deste pressuposto, pessoal, diga-se, a alternativa foi levar a selecção principal liderada por Beto Bianchi, porque se ele não fosse, não sei quem ficaria a dirigir o Petro no campeonato. Pergunto: este interesse não desvaloriza o Girabola?

Contudo, nem todas as equipas ficaram de “férias”, como orientou a FAF. O 1º de Agosto, mesmo tendo sido “desfalcado” de quatro jogadores optou por realizar o seu jogo. Muitos vão contrariar a postura do conjunto do rio seco, porque não venceu o seu adversário. Mas quem me diz que com os quatro jogadores que estão na Selecçao o 1º de Agosto venceria o Caála? Ninguém!

De forma muito sintética podemos concluir que o fundamental, para a FAF e demais agentes ligados ao futebol, é perceber o que queremos fazer com estas constantes paragens. Paragens prejudiciais e que colocam em causa a verdade desportiva.

Nem todos pensam assim. Respeito. Contudo, peço que também respeitem a minha opinião.
POLICARPO DA ROSA

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