Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A indiferena dos filhos do basquetebol

25 de Novembro, 2019
É de todo sabido que as federações são associações independentes do Estado, na sua governação. Nem se pretende convocar o Estado enquanto tal, pois que não pode fazer muito no caso em concreto, em homenagem a independência que assiste as associações desportivas. O que nos inquieta é a indiferença dos filhos do basquetebol, como secretário de Estado dos Desportos, a quem assiste um dever moral de “tutelar” a identidade da modalidade. É como que dizer a relação umbilical como o basquetebol, não permite ao Carlos Almeida viver no silêncio a crise do basquetebol, seja lá quem for o rosto do problema. Dito por palavras mais cruas, não importa o grau nem a intensidade da relação com o demissionário presidente da Federação Angolana de Basquetebol (FAB). O basquetebol está ou devia estar acima de todo este interesse ou relação. O basquetebol é um emblema nacional, que concorreu para a construção da identidade assimilada por muitos pelo mundo afora. É como dizem os especialistas em Marketing, uma marca. O que se assiste hoje é uma vergonha que atravessa não apenas quem está no exercício mas quem dele também se fez homem, como é o caso do actual secretário do Estado para o Desporto. Ainda que carregue outra formação no currículo, foi, no entanto, o basquetebol que o fez Carlos Almeida. Era por isso expectável que não pudesse assistir a distância a crise da modalidade. Há um interesse maior. Foi por conta desta indiferença, que assistimos a degradação do basquetebol. É um insulto para quem deu toda a sua vida para que Angola pudesse ser hoje à referência no continente. Foi por desrespeito ao trabalho de pessoas como Victorino, Mário Palma, Wladimiro Romero, Alberto de Carvalho “Ginguba, Nuno Teixeira, Raúl Duarte, Carlos Dinis, Apolinário Paquete, e tantos outros, que qualquer um chegou à presidência da Federação Angolana de Basquetebol, bastando que tivesse como “bilhete de identidade” o dinheiro. Foi e é um insulto sem dimensão. Patrocinado por muitos senhores que juram amor a modalidade. Tem sido recorrente pessoas projectadas pelo desporto chegar ao poder ou a política e simular uma amnésia geral. Esquecer a sua origem. Senhores do basquetebol façam o favor de devolver a modalidade nas mãos de quem nunca deviam ser afastado da sua gestão. Coloquem Tony Sofrimento no cargo de presidente, e deixem-no recuperar a imagem da modalidade. Se a ele se juntar Jean Jacques, melhor. Nunca foi tratado como devia. Infelizmente, sempre ficou subalternizado em nome de quem tinha mais influências políticas. No desporto, basquetebol, como qualquer outra modalidade, o presidente não pode ser um anónimo. Deve ser respeitado e capaz de abordar qualquer um. Alguém duvida, que estes o façam?
Teixêira Cândido

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