Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A luta pelo ttulo e pela permanncia

04 de Agosto, 2018
Conforme a competição evolui, não há maneiras de não falarmos dela. É quase obrigatório falarmos ou escrevermos do nosso Girabola que, neste último terço, tem concentrado atenções e sido motivo de várias cogitações, tanto em relação à luta pelo título, quanto para a descida de divisão.
Na verdade, só o facto de, nesta época, termos em ponto competitivo alto, os dois maiores colossos do nosso futebol, alimenta ainda mais a curiosidade, a satisfação e apetência de, jornada após jornada, estarmos presentes, a acompanhar o desenvolvimento da prova e a desenvoltura dos vários concorrentes.
Aliás, tudo de facto se tornou interessante, a partir da altura que Petro de Luanda e 1º de Agosto se rendem na liderança, mesmo com diferença mínima de pontos, por um lado, e, por outro, mesmo sabendo que os militares, no cômputo geral, têm todavia dois jogos em atraso. E isso parece um crédito. Um pecúlio guardado. Os cinco jogos que o 1º de Agosto tem, permitir-lhe-ão, em caso de vitória, somar 15 pontos que, aumentado aos 46 que tem actualmente, perfaria 61 pontos e, venceria o campeonato.
Em relação aos petrolíferos, na liderança à condição, com 47 pontos, depois de vitória soberba diante do Domant FC de Bula Atumba (1-4), com mais três jogos por fazer e concluir a sua campanha, comporta nove pontos possíveis por conquistar, o que totalizaria, em caso de vitória em todos, 56 pontos.
Por isso, caso o seu rival vença todos os jogos que tem, o Petro de Luanda ficaria sempre na segunda posição, a cinco pontos dos militares.
Mas, o que conta aqui é alimentar sempre a esperança, de que o rival vai escorregar e ceder pontos. Por isso, há que vermos também os adversários de um e de outro, que terão de enfrentar até ao final da prova. Os do Catetão, por exemplo, sem jogos em atraso, receberão o Desportivo da Huíla, para a jornada 28, para na seguinte ir ao encontro do Interclube e fechar a prova recebendo o Sagrada Esperança da Lunda-Norte. Três autênticas finais, em que os petrolíferos apostam “todo o gás” para, no mínimo, cumprirem o desiderato de, pelo menos, vencerem os jogos.
Já o 1º de Agosto, com dois jogos em atraso, diante do Recreativo da Caála, para a 24º jornada e, para a jornada 26 frente o Domant, tem mais outros três, perfazendo assim 5 jogos igualmente com adversários de peso, nomeadamente diante do Interclube, para a jornada 28, frente ao Sagrada Esperança, no Dundo, para a jornada 29, e fecha a prova com o Cuando Cubango FC.
Em função disso tudo, estamos perante uma ponta final escaldante, que fará correr ainda “muita água por debaixo da ponte” se tivermos em conta o momento, o contexto e o actual momento de forma das equipas. Para lá disso, está o facto de os militares levarem “dois ossos”, ou seja, a prova doméstica e a Liga dos Campeões Africanos, onde até está bem relançado, depois da vitória caseira diante do Zesco United da Zâmbia.
Do mesmo modo, na “cauda”, a luta pela permanência tem sido interessante. Depois da desafortunada desistência do JGM do Huambo, há duas jornadas do final da primeira volta, a questão era saber quem seriam as outras duas agremiações, que deveriam acompanhar “os meninos do Huambo” à “Segundona”. Na jornada passada, ao perder diante da Académica do Lobito, o treinador do 1º de Maio de Benguela, Agostinho Tramagal, foi realista e preferiu “atirar a toalha ao tapete”. Convenceu-se de que, matematicamente, tendo, há três jornadas do final da prova, apenas 19 pontos, já não se safa da despromoção.
A luta agora restringe-se ao Recreativo da Caála (23 pontos); Domant FC (21) e, quiçá, o Cuando Cubango FC, que tem 26 pontos na 12ª posição, para se saber quem será a “outra”, a terceira, a levar a “lanterna vermelha”. O despique será renhido, nesta ponta final, em que se exige lisura, verdade desportiva e bastante profissionalismo.
Independentemente de tudo isso, há o facto das greves de atletas, por falta de pagamentos de largos meses. Esses problemas já provocaram falta de comparências. O Sporting de Cabinda, o 1º de Maio de Benguela e outras, vivem esse grave problema que, ao desistirem nesta fase, seria um golpe duro à verdade desportiva, o que mancharia gravemente o futebol que queremos construir.
Por outro lado, das intempéries da prova, podemos apontar mais uma “ameaça”, que paira sobre o Kabuscorp do Palanca. É que os palanquinos têm sobre si um ultimato, até ao próximo dia 10 do corrente, para fazer fé à FIFA de que tem estado a cumprir a liquidação da dívida para com Zoran Maki, que durante algum tempo esteve nas suas hostes e que actualmente é o técnico do 1º de Agosto. Alguns milhares de dólares separam o consenso, entre a direcção do clube de Bento Kangamba e o técnico Maki, o que fez com este se queixasse à FIFA.
Caso os da rua F do bairro Palanca não honrem com o compromisso, podem novamente conhecer a “mão pesada” do órgão reitor do futebol mundial. Em ocasiões passadas foram suprimidos, ao grémio palanquino, doze pontos que lhe daria um jeito nesta altura da prova.
Talvez estivessem em óptimas condições para rivalizar com Petro de Luanda e 1º de Agosto, na liderança da prova.
Infelizmente, a realidade é completamente diferente e, tal como o clube de Bento Kangamba, o Progresso do Sambizanga provou há dias também a justiça da FIFA, por não ter honrado compromissos contratuais. É sempre pelas más razões que o nosso País cai na “boca do mundo”. Não nos parece salutar que, nos principais casos de “calote”, esteja envolvida Angola.
Necessário se torna os nossos clubes terem mais atenção. Mais profissionalismo e, sobretudo, mais seriedade no tratamento das questões ligadas à gestão desportiva. Morais Canãmua

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