Jornal dos Desportos

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Opinio

A "maka" das paralisaes

28 de Junho, 2016
O calendário futebolístico nacional de competições de seniores, referentes à época de 2016, foi elaborado a contar com a participação dos Palancas Negras, nas diversas competições em que estão inseridos.

O certo, é que não obstante ter recebido a aprovação dos representantes dos clubes da primeira divisão, a paragem de cerca de três semanas que se regista no Girabola - Zap está a ser alvo de contestação, de treinadores, dirigentes, atletas e outros agentes, que consideram não ser positiva.

Não por que reconhecem que a Selecção Nacional que defronta a 5 do próximo mês, em Bangui, a sua congénere da República Centro
Africana para a última jornada do grupo B, zona África, de acesso à fase final do Mundial-2017, na Rússia, já esteja arredada da hipótese de qualificação para aquela competição, a última de carácter oficial, que a selecção cumpra calendário, na presente época.

Em boa verdade, deve-se concordar com as paragens do Girabola-Zap quando necessárias, para possibilitar que os Palancas Negras, efectuem a preparação para a participação nos diversos compromissos em que esteja inserida, para obter resultados que permitam atingir os objectivos preconizados, o que não é o caso.

Em minha opinião, os comentários que vêm à tona, à respeito da paralisação que se regista, são oportunos, porquanto, as paragens para além dos factores já focalizados, concorrem para a diminuição dos níveis atléticos e competitivos das equipas, algumas das quais já tinham atingido o pico.

É o caso de abaixamento de forma a que algumas equipas estarão sujeitas, isso, tendo como referência o que aconteceu em épocas anteriores com algumas equipas, que em função das paragens que o Girabola registou, algumas prolongadas, viram-se impossibilitadas de atingirem os seus objectivos.

Para que não aconteça, não obstante os representantes dos clubes terem participado na elaboração do calendário, é necessário que os técnicos das equipas elaborem as épocas, incluindo a participação da Selecção Nacional, nos diversos compromissos em que estiver inserida.

O que está a “mexer” com os agentes do futebol, prende-se com as declarações proferidas à uma televisão nacional, do vice-presidente do Benfica de Luanda, Mário Rocha, segundo as quais “os clubes foram obrigados a concordar com o calendário apresentado pela Federação Angolana de Futebol (FAF) ”, aquando da reunião que ocorreu na pré-época.
Circulam também nos meandros do futebol, informações segundo as quais, a paralisação actual ocorre para permitir que a rede de televisão Zap, na sua qualidade de principal patrocinadora do Girabola, não veja reduzida o índice de audiências dos jogos que transmite em directo, em prejuízo das cadeias internacionais que transmitem os encontros do Campeonato da Europa, que decorre em França.

Noves fora o facto dos períodos de paralisação permitirem aos atletas lesionados, mais tempo para a sua recuperação, compete aos treinadores trabalharem sobre o doseamento das cargas físicas a serem ministradas aos seus pupilos, assim como, preparar e organizar estágios e jogos de controlo com equipas do Girabola, que também se encontrem sem competir, ou com outras que estejam em actividade, designadamente, da “Segundona”, do Girabairro.

Pode até ser com equipas estrangeiras, mediante disponibilidade financeira, que como é do conhecimento geral deve-se à crise mundial que se regista, que concorre também para que a maioria dos clubes “faça das tripas coração”, para a realização de um jogo.

Uma vez que os factos indiciam que a Selecção Nacional não tem qualquer objectivo a atingir, senão o cumprimento do calendário, fica difícil compreender como é que a FAF, cujos dirigentes têm conhecimento das dificuldades dos clubes para manterem durante muito tempo, atletas, treinadores e outros, sem actividade oficial, todavia, obrigados a cumprir com as obrigações laborais de treinos, que incluem outros gastos, como alimentação, transporte, campos, etc.

É justo reconhecer que não obstante a FA, ter cometido mais uma “gafe,” ao determinar esta paragem longa, se nos atermos aos seus objectivos, sem desprimor para quem quer que seja, as pessoas devem ter noção que a generalidade dos membros da “família do futebol nacional” sabe que as vitórias que se obtêm nos jogos de controlo, ou amigáveis, contribuem para o aumento do automatismo e dos níveis de confiança dos atletas, além de oferecer a oportunidade aos treinadores de corrigirem o que em sua opinião, está mal.

Leonel Libório

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