Jornal dos Desportos

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Opinio

A nova era que se pinta para o desporto no pas

06 de Janeiro, 2018
É uma realidade indiscutível que desporto nacional tem enfrentado, nos últimos tempos, dificuldades de monta e que, de certo modo, tem afectado grandemente aquilo que vem sendo a prestação das diferentes modalidades.
É ainda inequívoco que a partir de 11 de Novembro de 1975, altura em o país se juntava a outras nações africanas que se viam livres do jugo colonial, o quadro era animador em relação a este sector, porquanto Angola se mostrou sempre como pátria do desporto.
De igual modo, é ponto assente que depois da proclamação da Independência Nacional pelo saudoso Presidente António Agostinho Neto, Angola viria, também, afirmar-se como uma Nação trincheira firme da revolução em África.
A nível do futebol, cuja maior prova – agora com o cognome de Girabola Zap –, faz disputar a sua 40ª edição, o quadro nos últimos tempos não tem sido dos melhores.
Amiúde apontava-se alguns casos de corrupção no seio desta e particularmente no seio da arbitragem, com alguns dirigentes a virem a terreiro manifestas vezes ostentar provas desse mal que tem merecido agora capital atenção do novo Executivo.
Nesta nova era em que se espreita melhorias para o desporto nas nossas fronteiras, o quadro da impunidade, de combate à corrupção e outras práticas nocivas à sociedade tem sido alvo da atenção particular do Chefe Estado João Manuel Gonçalves Lourenço.
E bem-haja para essa nova postura da governação no país, agora encabeçada por João Lourenço, que de resto há-de ajudar a combater as assimetrias em diferentes sectores e no desporto, a título particular, onde o Executivo também dará alguma atenção especial.
Para lá do fenómeno da corrupção, o futebol, à par de outras modalidades desportivas, tem sido acossado pelo espectro da actual crise económica e financeira, resultante da baixa do preço do petróleo no mercado internacional.
Por obra dessa situação, nos últimos tempos têm se propalado muitos os casos de iminentes desistências de equipas do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão.
Algumas destas resistem ao “sufoco” da crise, graças à grande ginástica e engenharia financeira imprimida pelas direcções de clubes, mas outras jogam a toalha ao tapete.
No caso mais recente, aponta-se o Benfica de Luanda, que em 2017 desistiu da prova, abrindo lugar para participação do 1º de Maio, que quase seguiu o mesmo destino.
Ainda em 2017, houve ameaças além da turma proletária de Benguela, da sua “conterrânea” Académica do Lobito, do JGM e do Recreativo da Caála, assim como do Atlético Sport Aviação (ASA), que acabou por ser desprovido ao escalão secundário.
Além da queda histórica dos aviadores, que par do 1º de Agosto conservava até então o rótulo de totalista do Girabola, no ano findo deu-se também a desqualificação, pela Federação Angolana de Futebol (FAF), do Progresso da Lunda Sul.
Tudo pela utilização irregular de um dos seus jogadores numa das jornadas desta. Neste episódio que se apelidou de “Caso Cabibi”, a direcção da agremiação lunda usou todos os recursos à sua disposição, mas ainda assim, tudo acabou sentenciado a seu desfavor.
Na esteira de desistências, pode-se aqui relembrar a de 1997 com a Eka do Dondo, por problemas financeiras, assim como do Kabuscorp do Palanca, um ano de depois.
Por razões semelhantes, em 1999 e 2000 viu-se, ainda, as desistências da Sécil Marítima e do Cambondo de Malanje, cujo proprietário era o empresário Laurentino Abel Martins.
Ainda por conta da actual crise financeira, a campanha de Angola no CHAN, que arranca na próxima semana no Reino do Marrocos, chegou a estar ameaçada.
Além desse factor, o conjunto que vai competir na primeira fase desta prova reservada apenas a jogadores que evoluem nos campeonatos dos respectivos país, com as similares do Burkina Faso, Congo-Brazzaville e Camarões, teve ainda outro dissabor.
O facto de o novo técnico, o sérvio Srdjan Vasiljevic, ter sido indicado a cerca de um mês do arranque da competição, em substituição do hispano-brasileiro Beto Binchi.
Já no que se refere a modalidade da \"bola cesto\", a participação de Angola no Afrobasket/2017, em masculinos, na Tunísia, foi um autêntica fiasco. O conjunto que coleciona na sua bagagem onze títulos continentais, não conseguiu apagar a má imagem patenteada no primeiro turno da prova, perdendo nos quartos de final com o Senegal.
Em femininos, o combinado nacional coincidentemente também caiu aos pés da congénere moçambicana nos quartos-de-finais, no Afrobasket que teve lugar no Mali.
A nível do andebol, Selecção Nacional feminina, não conseguiu melhorar o 16º lugar da edição de 2015. As Pérolas nacionais não foram além da 19ª posição, graças à vitória sobre os Camarões, no derradeiro da fase de classificativas do Mundial da Alemanha.
No meio dos revezes que o desporto nacional conheceu em 2017, há a destacar, entre outros feitos, as vitórias alcançadas no hóquei em patins e no andebol jovem.
Nesse sentido, é relevante destacar o quinto lugar obtido pela Selecção Nacional de hóquei em patins no Mundial da modalidade, disputado na China, e que até então detinha como melhor registo um sexto lugar.
Outra vitória a destacar no campo desportivo nacional, passa, sem sombras de dúvidas, para a conquista do Campeonato Africano de Andebol de juniores pela selecção angolana de categoria, que suplantou na derradeira partida da prova a similar egípcia.
A ascensão de um angolano ao IPC traduz uma grande vitória no campo desportivo e para a vertente dos paralímpicos dentro das nossas fronteiras, pois tal surge como corolário do trabalho que vem sendo no país ao longo destes anos.
Leonel da Rocha Pinto, que foi eleito ao cargo a 8 de Setembro último, com 84 votos (dos 163 possíveis) entre 32 concorrentes, após realização das eleições no referido organismo, que tem agora como presidente o brasileiro Andrew Parsons.
Duas notas relevantes para o desporto no ano que há seis dias terminou vai para nomeação, pelo Mais Alto Mandatário do país, de Ana Paula Sacramento e Carlos Almeida, para os cargo de ministra e de secretário de Estado da Juventude e Desportos. E isto por serem duas figuras de reconhecido mérito no desporto a nível do nosso país não simplesmente como ex-praticantes, mas assim como no dirigismo do sector.
SÉRGIO V.DIAS

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