Jornal dos Desportos

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Opinio

A operao Nuaquexote

13 de Outubro, 2018
No meio de algum suspense e confiança, à mistura, reinante no seio dos jogadores, a Selecção Nacional de futebol de honras alcançou ontem, no Estádio 11 de Novembro, uma vitória folgada de 4-1, diante da similar da Mauritânia, depois de estar em desvantagem no marcador. Mateus Galiano, do Boavista de Portugal, bisou na partida, ao passo que Djalma Campos e Gelson Dala apontaram os outros dois tentos.
E depois de mais esta empreitada no Estádio 11 de Novembro, em casa, e válido para a terceira jornada das eliminatórias da 32ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN), a ter lugar o próximo ano nos Camarões, os Palancas Negras começam já esboçar a “operação-Nuaquexote”, reduto deste mesmo adversário, dentro de três dias.
Não obstante alguma perturbação por que o grupo de trabalho passou, durante os dias que antecederam o primeiro duelo com os “Mourabitounes”, designação por que é conhecida a selecção mauritaniana, alguns dos problemas vão sendo ultrapassados.
A onda de descontentamento, manifestada rigorosamente pelo técnico nacional Srdjan Vasiljevic, ao que parece foi aligeirada com o pagamento dos quatro meses de salário em atraso deste e dos integrantes da sua equipa de trabalho.
O técnico sérvio promete pronunciar-se publicamente sobre alguns dos males que continuam a afectar o conjunto, após o segundo jogo com a Mauritânia, em Nuaquexote, para onde a equipa partiu na ainda noite de ontem, aprazado para terça-feira, dia 16.
Vasiljevic manifesta-se literalmente insatisfeito pelas condições de trabalho postas à sua disposição pela Federação Angolana de Futebol (FAF), liderada por Artur de Almeida e Silva, consubstanciadas, sobretudo, na falta de um local fixo para a preparação.
Na altura, esteve nos planos do organismo a cedência, para os trabalhos de preparação, do campo adjacente ao 11 de Novembro, que, de acordo com o técnico, não reúne condições para o efeito e que pelo péssimo estado do seu relvado pode provocar lesões aos atletas. Srdjan Vasiljevic lembrou, todavia, uma situação por que passou o médio-ala Nelson da Luz, do campeão em título 1º de Agosto, que, ao serviço da Selecção Nacional, contraiu uma fractura nesse mesmo recinto.
São aspectos que em nada beneficiam o combinado nacional, que espreita a qualificação à maior montra do futebol africano, que os Camarões albergam entre 15 de Junho e 13 de Julho do próximo ano.
Contudo, depois das vitórias em casa na segunda jornada sobre o Botswana, com um golo de Gerson Dala, internacional angolano, que se vem notabilizando ao serviço do Rio Ave de Portugal, e ontem sobre a Mauritânia, por 4-1, é inquestionável igualmente que, em Nuaquexote, há-de imperar também o desejo dos três pontos. Isso é legítimo.
Aliás, um novo triunfo, neste jogo da quarta ronda, frente aos “Mourabitounes”, além de relançar o objectivo da qualificação, pode, igualmente, colocar Angola na liderança isolada do Grupo I. Mas para tal o combinado nacional fica a depender do desfecho do jogo entre o Burkina Faso e Botswna, marcado para hoje, em Ouagadougou, e na terça-feira em Gaborone, reduto deste mesmo adversário.
É sobejamente sabido, também, que, neste tipo de eliminatória, é importante vencer os jogos em casa e procurar ir se buscar o maior número de pontos possíveis extramuros. Numa perspectiva desta lógica se efectivar, garantidamente a equipa nacional tem lugar cativo na grande montra do futebol africano, a disputar-se nos Camarões.
Por outro lado, é conveniente lembrar que esta não é uma tarefa fácil, mas que ainda assim pode se consumar com grande entrega e determinação dos jogadores.
O técnico sérvio e a sua rapaziada sabem de antemão, que depois da vitória ontem sobre a Mauritânia, na próxima terça-feira uma eventual conquista dos três pontos, frente a esse mesmo adversário em Nuaquexote, seria “ouro sobre o azul”. Caso contrário, o conjunto pode ver o seu sonho de qualificação voltar a depender de terceiros.
Angola partilha, nesse momento, a liderança do grupo com a Mauritânia, com seis pontos cada, ao passo que o Burkina Faso ocupa o terceiro posto com três e menos um jogo. O Botswana, por seu turno, segura a “lanterna vermelha” sem qualquer ponto.
É mister lembrar aqui, por outro lado, que os Palancas Negras espreitam a oitava presença num CAN, depois da estreia em 1996 na prova organizada pela África do Sul.
O conjunto voltou a desfilar nas edições realizadas em 1998 (Burkina Faso), 2006 (Egipto), 2008 (Ghana), 2010 (quando foi anfitrião), 2012 (co-organizada pelo Gabão e Guiné-Equatorial) e, finalmente, em 2013 (África do Sul).
SérgioV. Dias

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