Jornal dos Desportos

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Opinio

A pobreza de pblico no futebol

17 de Fevereiro, 2020
Foi triste ver o Petro de Luanda, um dos maiores clubes do País, jogar sem público ou adeptos, se quisermos. Muitos acham que o público não quer saber do futebol nacional, pela sua pobreza ou dificuldades financeiras. Respeitando a opinião alheia, a minha ideia é que falta conforto e estratégia para se levar o público aos estádios. Quando me refiro ao conforto, tem que ver com quem atende o adepto e como o atende. Por outro lado, quais os constrangimentos que o adepto/público enfrenta para estar nos estádios, e de lá para sua casa. É nisso em que assenta o primeiro e dos grandes problemas do futebol nacional, em Luanda, em particular. É na capital onde estão os maiores clubes, maior número deles a actuar no Girabola Zap e o poder de compra. Melhor dito, é em Luanda onde se concentra a maior vontade de consumo. Portanto, não se trata de consumo como tal. A questão central assenta no conforto, que vai desde como as pessoas chegam aos estádios ao modo como são tratados os adeptos, da porta ao lugar no qual sentam. Se houvesse uma liga, significa que existiria pessoas especialmente a pensar na melhor estratégia de levar o público aos estádios. Não existindo e continuando o Girabola a ser tido como puro elemento de unidade nacional, dificilmente teremos público que corresponda às expectativas, e mais do que isso que contribua para o engrandecimento do futebol nacional. A música também vivia estes problemas, hoje está quase ultrapassado, as pessoas aceitam pagar pelos menos mil kwanzas para assistir um espectáculo, porque não acontece com o futebol? Está seria a primeira questão que os estrategas da liga deviam procurar responder. A segunda tem que ver com o concurso de outros sectores: o dos Transportes e da Segurança Pública. Estou radiante com a possibilidade da capital possuir o metro de superfície. Sem dúvidas, vai contribuir imenso para o futebol se for bem aproveitado. As linhas previstas vão permitir levar o adepto do Cacuaco a assistir uma partida às 17horas no Estádio 11 de Novembro. E se for reforçada a questão da segurança pública, estarão reunidas as condições para o público estar nos estádios. Caberá, como é óbvio, aos clubes melhorarem radicalmente a forma como tratam os adeptos. E como os clubes são geridos em si. Da gestão dos clubes nascerá ou não a solução para a qualidade futebolística. Ou seja, para termos público nos estádios, precisamos de ter conforto nos estádios e no tratamento dos adeptos ou sócios. O transporte joga igualmente um papel estruturante neste problema, de mãos dadas sempre com a segurança pública. Quer dizer que o adepto precisa de tranquilidade, desde a ida aos estádios como no regresso para a sua casa. E por fim, mais não menos importante, a questão da qualidade futebolística. Uma qualidade que anda também ela casada com a gestão dos clubes, a formação e as ambições dos mesmos. Claro que a nossa economia é igualmente decisiva, por conta da publicidade, outra das grandes fontes de receitas para o futebol, mas são sobretudo os factores acima descritos, que afectam mais a ida ou não do público aos estádios.

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