Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A poca dos militares

30 de Maio, 2019
Com a conquista da Taça de Angola, a equipa principal de futebol do 1º de Agosto encerrou a época desportiva 2018/2019, de forma auspiciosa, na qual demonstrou audácia, perspicácia, espírito e, acima de tudo, competência, adjectivos que bem servem para qualificar o desempenho dos militares.
Nesta hora de balanço, impõe-se dizer que a vitória na final da Taça de Angola teve a particularidade de promover a conquista da “dobradinha”, feito que há já algum tempo os militares não logravam, o que faz do facto mais um capítulo brilhante da história, que o Clube Central das Forças Armadas Angolanas tem nestas coisas de futebol.
Não restam dúvidas que o segredo para a saga vitoriosa do 1º de Agosto, assenta no investimento feito em todos os sentidos, desde as infra-estruturas (administrava e desportiva), estando sempre na posição privilegiada, o homem, enquanto recurso mais valioso de qualquer processo social.
Nisto assenta, igualmente, alguma visão que se pode considerar estratégica, adoptada pela direcção comandada por Carlos Hendrick, que ao que se diz à boca pequena (?) de quando em quando tem que “emprestar” a sua voz de mando e comando militar, para que as coisas funcionem e redundem nas vitórias que agradam os adeptos e sócios do clube do Rio Seco.
A aposta no regresso de Dragan Jovic, que na prática substituiu o seu (dele) substituto, apesar de todos os riscos corridos pela direcção, pode ser considerada uma pedra basilar para a conquista do tetra campeonato, noves fora a manutenção quase do plantel responsável pelo sucesso das três épocas anteriores.
As contratações de Mabululu, Dagó e Kilai, bem como a chegada de Ari Papel, emprestado pelo Sporting Clube de Portugal, apesar do alarido feito pelos adeptos em vésperas do anúncio das referidas contratações tiveram, igualmente, um peso considerável na balança das conquistas.
Junta-se à este leque, a promoção de jogadores saídos da “cantera”, a exemplo de Zito Luvumbo, que aos poucos vai se impondo e fazer esquecer a brilhante folha de serviço que Geraldo teve durante o tempo que defendeu a camisola rubro e negro, de onde saiu para o Al Hali do Egipto.
A componente psicológica foi outro campo, em que os militares levaram vantagem sobre os adversários, sobretudo aqueles que advogaram que a prematura eliminação na Taça dos Clubes Campeões, edição 2019, faria mossa na equipa militar, e não acontecendo o prognosticado, há que render continência a forma como o assunto foi gerido na “trincheira militar”.
Ou seja, na prática, aquilo que consubstanciou os resultados de campo, em nada foram abalados pelos constrangimentos paralelos advenientes de outros factores, que qualquer equipa está sujeita a enfrentar no decurso de uma determinada época desportiva.
Posto isso, não restam dúvidas que as responsabilidades dos militares do Rio Seco aumentam em relação ao que deve ser a próxima época, em que estarão em várias fretes, a saber, Supertaça, a Taça de Angola, o apuramento à Liga dos Campeões de África e, não menos importante, o Girabola, onde a missão será mais dura, reflectida na possibilidade de conquistar o penta.
Claro está que advinha-se uma época muito exigente para os actuais campeões nacionais que, por esta hora, deverão estar já a tratar de todo o expediente, para que a caminhada seja feita sem percalços, pelo que devem estar em alerta máxima, pois serão o “alvo a abater”, por parte de todos os adversários com quem irão cruzar.
Finalmente, uma palavra de apreço ao técnico Paulo Macedo e pupilos, pelas conquistas na época recém terminada, com destaque para a vitória da Liga Africana, que serviu para encerrar a época em apoteose, apesar da mácula que foi a perda do Unitel Basquete, para o eterno rival, Petro de Luanda, o que não retira o sentido positivo para o departamento de Basquetebol. Bem haja, 1º de Agosto. Carlos Calongo

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