Jornal dos Desportos

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Opinio

A \"populao desportiva\" decaiu de forma drstica

16 de Maio, 2017
Confesso que estava a preparar-me para sugerir conversa sobre o Girabola, particularmente em torno jogo passado 1º de Agosto-ASA, em que os militares ganharam sim senhor, mas incapazes de desforrarem-se da goleada de 8-1 que sofreram diante dos aviadores no ano de 2004 ou sobre o Sagrada, que de líder agora está a precipitar-se cada vez mais.

O Libolo que, em casa, despachou (1-0) o Al Hilal na primeira jornada do grupo C da Taça CAF dava bom tema, mas o meu companheiro Carlos Calongo - este mesmo aqui ao lado - que a estas horas ainda deve estar em Pyeong Chang (Coreia do Sul) onde participou no Congresso da Associação Internacional de Imprensa Desportiva, de lá que propôs-me a meter “mão” num milhão de desportistas até ao ano 2020.

A seu tempo foi o que bem estimou o ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição e é pertinente que Angola atinja, digamos, essa”população desportiva” de um milhão de praticantes dentro do universo de cerca de 26 milhões dos actuais habitantes que somos no país.
O ministro frisou que 630 mil desportistas resultarão do desporto escolar, 320 mil desporto na comunidade e 50 mil estão reservados aos atletas de alto rendimento. Oxalá!

Esta cifra, quanto a mim deverá despontar como resultado do trabalho a fazer em todos os sectores do Sistema Desportivo Nacional, pois, como se sabe, este sistema é integrado pelo federado, escolar, corporativo/recreativo e militar.

Na verdade os números actuais contrastam com a explosão desportiva que Angola registou, depois da sua independência em 1975. É que quando estávamos no ano de 1979 aconteceu o 1º Encontro Nacional do Desporto, de que resultou a decisão de se criar as federações desportivas nacionais e houve nos anos seguintes um grande aumento de praticantes em todas as modalidades.

Em parte foi graças aos poucos quadros que estavam imbuídos na arte de orientar uma juventude ávida em integrar o Novo Desporto Angolano, mas tale “boom” decaiu drasticamente embora o Estado e, particularmente, as outras entidades públicas e privadas continuassem a inscrever este fenómeno social que é desportos como prioridades das suas agendas políticas.

Eu acho que depois do fim do “Estado providência”, que se viveu de 1975 até aos adventos de 1988, quando o Estado experimentou o seu célebre Programa de Saneamento Económico e Financeiro (SEF) e, mais tarde, com a precipitação da linha da orientação socialista, assim como a cessação do regime mono e a abertura ao multipartidarismo, tiveram também efeitos perversos: causara na recessão da “população desportiva”.Considero que Albino da Conceição, que sucessivamente foi vice-ministro da Juventude e Desportos nos “consulados” de vários ministros até receber o voto de confiança do Presidente da República para ser o titular do cargo, conhece perfeitamente a necessidade e urgência de resgatarmos aqueles períodos bons de grande \"população desportiva\" de que, aliás, o mesmo fez parte, como atleta, como estudante...

Antes desta sua estimativa de aumento, para um milhão de desportistas até 2020, eu ouvira já o ministro a afirmar em Luanda que o Governo continuaria a trabalhar para melhorar a organização do desporto no país. No encerramento da 33ª Assembleia Geral do Conselho Internacional do Desporto Militar (CISM), exortou a sociedade no sentido de trabalhar para, por exemplo, qualificar o desporto escolar como um segmento que muito pode atrair e estimular o crescimento de desportistas porque todo o ABC começa lá .A minha dúvida hoje é só se tal será um desiderato a lograr sem entraves, tendo em conta as dificuldades económicas e financeiras que, de uma maneira geral, afecta o país e que está a ter reflexos no orçamento do próprio ministério, associações, clubes, federações, etc.

Estou lembrado que, desde 2016, em termos de orçamento para o desporto, disse-se que haveria uma nova modalidade de fianciamento: as verbas seriam inscritas e cabimentadas para a rubrica do Associativismo Desportivo no Orçamento de Estado depois de uma apreciação a três níveis de concertação, segundo o presidente da 5ª Comissão da Assembleia Nacional, Manuel Júnior.

Começaria nos municípios (na presença dos administradores), depois nas províncias (com governadores) e, por fim, nacional (com representantes do Executivo), tudo isso antes de chegarem ao Parlamento. Será que vai continuar assim até ao anos de 2020, para atingirmos um milhão de desportistas neste país que - vou só avançar este dado - já formou mais de 22.070 professores ao longo de 42 anos de existência?Espero que tudo dê certo neste momento em que o “País Desportivo” conta já com uma Lei do Desporto, Lei das Associações Desportivas e esta boa vontade do Ministério da Juventude e Desportos.
António Félix

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