Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A postura musculada da direco do C R da Cala

01 de Abril, 2015
Não pretendemos com esta modesta intervenção, assumirmo-nos defensores de quem quer que seja, mas reconhecemos que em qualquer área do saber, tal como no jornalismo também existem profissionais bons, regulares e maus, mediante a maneira como interpretam os conceitos técnicos e profissionais, na abordagem de determinada informação de interesse geral.

É pois necessário que os cidadãos percebam, que como não é difícil ser-se dirigente desportivo, o mesmo acontece para se desenvolver a actividade de jornalista.O que acima está descrito relaciona-se com o facto de existir profissionais da comunicação social que algumas vezes, no desempenho das suas funções, colocam de parte os princípios éticos e deontológicos.

Sobre este assunto, sabe-se que o Executivo através dos órgãos competentes do Ministério da Comunicação Social, leva a efeito algumas acções próprias e outras, em colaboração com os seus parceiros sociais, designadamente a União dos Jornalistas Angolanos (UJA), Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) e Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS) , onde em consequência de mecanismos jurídico - legais, alguns jornalistas têm sido chamados à razão junto dos órgãos onde prestam trabalho como a nível dos tribunais judiciais.

Há dias os desportistas angolanos e o “país do futebol”, em particular, foram surpreendidos com uma medida musculada tomada pela direcção do Recreativo da Caála a comunicar que devido ao facto de um jornalista da Rádio Cinco (que não identificou), ter divulgado uma informação que não era para ser levada ao conhecimento do público, os jornalistas de todos os órgãos de comunicação social ficam proibidos de acompanhar os treinos da equipa.

Também qualquer elemento ligado ao clube fica proibido de conceder qualquer informação ou entrevista aos órgãos de comunicação social e ao mesmo tempo, a direcção do Recreativo da Caála informou que os passes de acesso concedidos pela Federação Angolana de Futebol (FAF) aos jornalistas, para efectuarem a cobertura dos jogos oficiais no seu Estádio ficam anulados.

Não deixa de ser constrangedor e até frustrante, o facto de várias pessoas, de entre alguns que são detentores de informação de interesse público se furtem a conceder entrevistas ou esclarecimentos sobre determinadas matérias, pelo facto de terem sido alvo de críticas em determinado Jornal, Rádio ou Televisão.Os factos indicam que se está em presença de uma situação embaraçosa, sem razão de existir, o Código Penal Angolano protege quem se sentir ofendido.

Ao mesmo tempo, questiona-se se a direcção do Recreativo da Caála tem competência para anular os passes concedidos pela FAF, a permitir que os jornalistas façam a cobertura dos jogos no seu Estádio, como acontece em qualquer Estádio do globo, privando assim, não só os adeptos do clube, como os desportistas e o povo angolano de informações relacionadas com essa colectividade.

Numa altura em que é visível o esforço do Governo em elevar a abertura no que diz respeito ao acesso às fontes de informação, continua a verificar-se que esse propósito está a ser beliscado. A atitude da direcção do Recreativo da Caála está, quanto a nós, desprovida de qualquer fundamento.

Os leitores, ouvintes e telespectadores, ficam privados do conhecimento de determinados assuntso de seu interesse. Em função de tal incompreensão, que em muitos casos se aproxima do ridículo e da “birra”.Aconteceu em tempos não muito longínquos, “episódios” de triste memória em que órgãos de comunicação social foram vilipendiados e os profissionais, alguns dos quais de idoneidade e competência firmadas, foram marginalizados.

Longe de pretendermos atingir quem quer que seja, temos conhecimento de que alguns gestores, detentores de informação de interesse público, por se reconhecerem incompetentes em determinada função, distanciaram-se do contacto com os órgãos de comunicação social.Nunca é demais recordar que a pessoa individual ou colectiva que se sentir alvo de injustiça por qualquer profissional ou órgão de comunicação social deve recorrer ao Conselho Nacional de Comunicação Social. Esse órgão tem a competência de primar pelo cumprimento do respeito, da privacidade das pessoas, isenção e neutralidade dos órgãos de comunicação social, de acordo com a Lei de Imprensa, deve proceder ao veredicto das acções de protesto.
LEONEL LIBÓRIO

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