Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A prtica o critrio da verdade

29 de Março, 2017
Quis e precisava de voltar ao passado. O limite espacial tolheu-me o desbobinar do filme completo dos destinos imediatos do futebol Africano, pois a crónica tem um limite de ‘kbytes’ e não coube toda.

Assim volto para concluir essa história esperando que o involuntário embargo ao último acto não houvesse comprometido a novidade do seu conteúdo.Mas ainda e por outro lado regressar e saciar a dívida e cobrança de um mal ‘criado em laboratório’ que me apaixona ainda revisitar.

Já havia dito que tenho contados os dias para ainda poder escrever sobre o nosso futebol e portanto não gostaria de deixar escapar esta quase última oportunidade, dado que Angola vai nadar também nas novas marés da CAF não apenas através do seu representante, Rui Campos, mas também das suas equipas de selecção e de clubes, a quem o novo presidente da confederação quer dar a chance de poderem colher mais e chegar mais longe. Afinal, ele também provém de um país dos mais pequenos do futebol.

A vitória de Ahmad Ahmad está seriamente comprometida entre ou mudar o panorama, ou burlar as expectativas. Como primeiro sinal de mudança, o então Secretário-Geral da CAF já fez a mala e passou a assinar o correio pessoal como ‘antigo secretário-geral’. A sua ‘debandada’ surge na sequência da partida de Issa Hayatou, com quem dividia a predilecção da perseguição de um Procurador do Cairo.

A ambos é imputada responsabilidade de fuga ao fisco (!) por o Egipto não estar a colher dividendos dos contratos da confederação, cuja sede está no seu solo.

Neste momento não sei quanto dessa ‘maka’ ainda vai sobrar para o recém-eleito, Ahmad Ahmad. Mas e no que mais nos interessa, a ressaca da CAF faz luz sobre detalhes que até então eram catalogados de invenções dos correligionários de Hayatou. E agora diz-se que houve de facto conluio e intromissão para o derrube dele.

Após o congresso da CAF, o eleito membro do Comité Executivo e também Presidente da SAFA, federação Sul-Africana, Dr. Danny Jordaan, detonou que “a queda de Hayatou foi orquestrada na África do Sul durante o congresso da COSAFA, quando se decidiu que a região apoiaria Ahmad Ahmad na sua tentativa de expulsar Hayatou. (sic) De salientar que a FIFA havia primeiro declarado ineligibilidade de Jordaan no futebol, algo relacionado com o seu papel na Copa do Mundo FIFA de 2010, na África do Sul. Mas isso agora parece ter sido borrado.

“A ‘convocatória’ da COSAFA para uma mudança foi rapidamente aceite pelo continente. A COSAFA desempenhou um papel tremendo no apoio ao impulso para a mudança, incluindo uma festa (promovida pelo presidente de federação anfitriã) no Zimbabwe\", disse também Jordaan.
“E agora é hora de trabalhar. As potências africanas, como África do Sul, Gana e Nigéria, devem desempenhar um papel mais decisivo na determinação e formação do futuro do futebol africano.

\"Houve um acordo para a mudança, e Marrocos, Egipto e muitos outros países da África Ocidental o apoiaram. Era uma questão africana, não necessariamente uma questão anglófona. “Uma das coisas que procuramos na CAF é uma abordagem mais equilibrada, onde todos devem sentir que há um lugar e espaço no futebol africano \", concluiu Jordaan.

Este último excerto disfarça a maior periculosidade de outro anterior, em que o também Prefeito de Port Elizabeth indica que países devem ser mais decisivos no futuro da CAF.

Mas nem sempre os interesses da África do Sul serão os de Angola, e esta tem outra comunidade dentro do futebol, os PALOP. Para quem torce, a importância estratégica dos lusofones é serem ‘pivots’; eles têm um pé em cada região, à excepção da África do Norte (Magrebe) e da África do Centro-Leste (CECAFA). E estão na África do Oeste (Cabo Verde, Guiné-Bissau); na África Central (São Tomé e Príncipe, Guiné-Equatorial); e na África Austral (Angola, Moçambique).

Entre as cinco prioridades que se apontam ao novo Presidente da CAF, está primeiro unir a CAF e evitar que os ‘vinte países derrotados’ se sintam excluídos. É preciso unir as facções em guerra, visto que o continente está dividido. A nova liderança deve ser transparente nas suas negociações para ganhar a confiança das federações. Boa governação e mais fundos devem ser canalizados para o desenvolvimento, pois esse é o futuro do desporto em África.

Lutar por 10 vagas nas 48 prometidas futuramente na Copa do Mundo FIFA. E elevar a 24 os países finalistas de um CAN. Também rever formatos das competições Africanas de Clubes, aumentando a possibilidade de participação, de apuramento e de competição efectiva dos mais ‘pequenos’ futebóis. Como o nosso!

Finalmente, reajustar o calendário do CAN (Janeiro e Fevereiro) com o da Copa do Mundo da FIFA e do ‘Euro’ da UEFA (Junho e Julho) para reunir os craques Africanos sem prejudicar os seus clubes.

Então, arregaçar mangas e mãos à obra!, dizem os novos ‘vencedores’ da CAF, mas, os Angolanos não devem esquecer que é preciso sermos mais do que um voto, apenas.

Agora posso voltar aos ‘nossos treinadores’ e procurarei ser objective, afirmando ter na cúpula da edição do passado dia 15 deste jornal, testemunhas oculares.

Ninguém além de nós poderia adivinhar as peripécias vividas e próprias de quem depende das novas tecnologias; ora, vivi um ‘bug’ ultrapassado de forma também ‘sui generis’ graças a uma lição trazida do passado, que me faz sempre copiar para o telemóvel textos e sites em que esteja a trabalhar, podendo avançar fora de casa e se ficar ocioso em uma fila de espera na Viação e Trânsito.

Por conta da dificuldade de fazer o anexo da crónica \"Isto é Angola\" e não precisamos (?)’ sobre treinadores desportivos nacionais (não somente do andebol), naquele dia foi a partir do telemóvel que acabei por editar (e mal), além de a enviar em e-mail à Redacção. Na altura ignorava os estragos disso, pois o telemóvel sempre assume por defeito a escrita de palavras e uma composição textual.

E ponto de interrogação do título não foi junto, nem a melhor escrita de algumas passagens e do tal parágrafo desastroso sobre o ex-seleccionador de andebol masculino (poder não) ter estado no mundial, mas estar no ‘clinic’; houve um ‘copia & cola’ culpado, mas nada saíra do cerne da questão: estimularmos a qualificação e superação em treinadores, tendo dado exemplo de como era nas primeiras décadas do país.

Com efeito, o ex-seleccionador Filipe Cruz pode estar impedido disso pelo campeonato nacional júnior, mas este começou a 19, tendo o ‘clinic’ terminado em 14. Meu ‘leit motiv’ fora que enquanto naquelas tais décadas se cobiçava os ‘clinics’ que somava o Professor Victorino Cunha, certamente esperava que agora pudesse acumular o ‘Professor’ Cruz e assim haver acervo para ensinar os técnicos sem ‘clinics’.

Isso não desonra nem provoca o treinador, que fui acusado de perseguir; perseguir? Então saibam que admiro o Filipe Cruz desde que ele trouxe o ‘boom’ ao andebol masculino nos últimos anos, com uma repetição de pódios africanos – e agora presença em mundiais - que muito nos honra e sem precedente no país. E soube que chegara por mérito próprio a treinador do nível 3, daí lhe chamar ‘sui generis’, pois fora corolário de incomparável sucesso seu enquanto atleta de nível europeu.

Falar do treinador Gerónimo Neto e dizer que fora seleccionador mesmo sem carteira – tinha então o nível 3 em Portugal - em nada o diminuí, pois mostrou-nos valor, foi campeão africano e revelação em um mundial, a quem apenas uma fraca saúde havia impedido de prosseguir.

E desconhecer que o seleccionador Vivaldo Eduardo carrega uma mochila cheia de formações e ‘observações’ por cima de um diploma de professor de educação física também não lhe diminui o valor nem a estima, pois ele também escreve e bem, sem diploma; mesmo se por vezes não assinar o que escrever sobre a sua equipa. Portanto éticas é o que não nos faltam.

A verdade a que interessava chegar é que no meio de tanto saber colectivo guardado secretamente em Angola era escusado vir uma treinadora Portuguesa dar cursos de nível 1, dado que em casa de ferreiro o espeto é de pau; nem ter de voltar o técnico Espanhol para dar mais um modulo para uma assistência misturada de aprendizes, diplomados e os ditos que. E como aprendemos na Angola independente, a prática é o critério da verdade.

Assim e concluindo, a questão não era Filipe, Jojó, nem Vivaldo, e muito menos o andebol; a questão era o MINJUD retomar a formação como seu ‘dossier’ e regular para que, a exemplo da saúde, se exija do pessoal técnico desportivo a mesma qualificação certificada que se exige ao pessoal médico e pára-médico, para que haja saúde no desporto e se erradique o excessivo recurso nacional a treinadores estrangeiros, parecendo que os nacionais de agora já não servem… Arlindo Macedo

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