Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A primeira volta do nosso Girabola

19 de Maio, 2018
Embora, algumas equipas tenham ainda jogos por realizar, pode dizer-se que está concluído o primeiro turno do campeonato nacional de futebol da primeira divisão, vulgo Girabola Zap 2018, com um nível competitivo aceitável, é bom que se diga.
As equipas tiveram um bom desempenho. Umas, mais activas que outras, mas no cômputo geral a primeira volta correspondeu às expectativas, não obstante, em alguns momentos houvesse zonas cinzentas que felizmente não chegaram para manchar o balanço. Uma única relevante, foi sem margem para dúvidas, a desistência da equipa do JGM do Huambo, que há três jornadas do final deste primeiro turno, por manifesta falta de recursos financeiros, não teve hipótese senão arrumar as botas.
O Interclube acaba a primeira volta na posição cimeira com 26 pontos, fruto de oito vitórias, dois empates e quatro derrotas. Marcou 20 golos, média de 1,4 golos por jogo, sofreu dez que perfaz a média de 0,71 por jogo. Dos 42 pontos possíveis, os “Polícias” somaram 26 que representa 61,9 por cento da safra geral. Os números dizem tudo. Aliás, de acordo a competitividade com que se pautou a prova, a equipa de Paulo Torres experimentou algumas dificuldades para manter a regularidade, não fosse isso, tinha obviamente maior folga na linha da frente, em termos comparativos aos seus mais directos concorrentes.
Outro aspecto, que marcou igualmente esta primeira volta do campeonato, foi o excessivo número de jogos em atraso, que algumas equipas como o Petro de Luanda e 1º de Agosto, acumularam sem culpa própria. Neste momento, os Agostinos têm por disputar dois jogos, enquanto os Petrolíferos apenas um. Tudo, por força do envolvimento nas Afrotaças. Entrando na condicionante “se”, caso os militares do rio seco vençam os dois desafios que têm em atraso, claramente que passam à frente com mais um pontito que os Polícias.
Não é de desprezar o desempenho que algumas equipas consideradas “out-siders” tiveram. Falamos do Clube Desportivo da Huíla e da Académica do Lobito que de forma “atrevida” aparecem no “pelotão” da frente, como quem não quer absolutamente nada, fazem o seu pecúlio (…)
No cômputo geral, foram marcados cerca de 361 golos, com uma média variável de 0,038 golos por jogo. Uma cifra pobre, se tiver em conta que houve de facto muitos jogos com empates nulos, e isso naturalmente, pesa imenso nas contas.
Equipas como o Sagrada Esperança da Lunda-Norte, Progresso do Sambizanga, Recreativo do Libolo e Kabuscorp do Palanca, lutam e suam às estopinhas para em cada jornada fazerem brilhar à sua estrelinha. A equipa de Bento Kangamba sofreu um revés da FIFA que numa decisão motivada pelo “caso Rivaldo”, retirou seis pontos aos Palanquinos. O órgão reitor do futebol mundial alegou que Kangamba Bisness Corporation não concluiu os pagamentos, dos totais que devia ao brasileiro Rivaldo, um craque mundial que evoluiu no nosso Girabola há cerca de três anos.
Com isso e com outras intempéries que a prova proporciona, todos fazem pela vida, numa época em que as dificuldades financeiras para os intervenientes está cada vez mais acentuada. Os chamados clubes pequenos fazem o seu pecúlio sem alarido, procuram encherem o “pé-de-meia”a surpreender aqui e acolá. Por exemplo, quem diria que o Cuando Cubango Futebol Clube ia vencer na 14ª jornada o Recreativo do Libolo, em Calulo?
Isso, para já, explica e justifica o grau de competitividade que impera numa prova, em que a paragem de cerca de três semanas e mais alguns dias pode beneficiar umas, e prejudicar outras. Podem ser beneficiadas as que ainda precisam de consolidar processos, recuperar atletas lesionados, enfim, reforçar o plantel, etc. Prejudicadas devem ser certamente as que tinham já um andamento saudável, e que precisavam de competir continuamente, para continuar a proporcionar endurance competitivo aos seus atletas.
Infelizmente, essa é a realidade e temos de aceitá-la, tal como ela é.
Nisso, há dias, o mais -velho Manuel Pimentel ligou-me e falamos um pouco sobre esta temática. Falamos sobre o nosso campeonato nacional de futebol. Experiente como é, o antigo homem do apito, com um percurso notável no País e no Mundo, foi árbitro internacional, Comissário, e Instrutor da CAF e da FIFA, Ti Pimas, como nós os mais próximos o tratamos, mesmo reformado, demonstrou clarividência actualizada ao apontar determinadas situações que bem se casam neste tema que estamos a abordar.
Manuel Pimentel sustenta a competitividade da prova e diz que embora em alguns casos mínimos, a arbitragem mostra melhorias. Louvou a atitude dos árbitros que desenvolvem bom trabalho e reprovou os que fazem más prestações. Como antigo homem do apito, Ti Pimas mostrou-se esperançoso que a segunda volta seja melhor, para os que têm a função de ajuizar as partidas.
Depois, falamos da competitividade e ele também antigo futebolista de craveira do Futebol Clube de Cabinda e no Clube Ferroviário de Angola, sustentou que pode melhorar ainda mais, para trazer mais público aos Estádios de futebol.
Assim, aguardamos uma segunda volta com disputas mais acesa, com Estádios cheios, com boa relva, com arbitragem equilibradas e sobretudo com bons espectáculos da bola que de certeza os integrantes das equipas do nosso Girabola sabem proporcionar…

Morais Canãmua

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