Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A ptria aos seus filhos no implora, ordena!

02 de Dezembro, 2017
Na verdade, este “slogan” se pode aplicar naquilo que irei abordar aqui hoje, neste espaço, porquanto as nossas equipas que terão a missão de, mais uma vez, representarem o país nas competições africanas, devem encarar este desafio não só como espinhosa mas, sobretudo honrosa.
É uma grande honra representar o país vestindo a camisola da selecção ou do clube, na mais alta-roda do futebol, africano ou internacional e isso, deve nos conferir garbosidade. Dignidade. Respeito e sobretudo alto sentido patriótico porque de facto, a responsabilidade não é pequena. Quer seja a nível de selecções ou de clubes, a responsabilidade é tamanha. É grande. Honrosa.
Por isso, insisti hoje neste título sugestivo que julgo contagiar qualquer cidadão comum que sob a causa da Pátria se entrega e desenvolve a sua actividade com brio e responsabilidade. Aqui, coloco em evidência, os Palancas Negras, o 1º de Agosto e o Petro de Luanda que terão a responsabilidade de representar o País nas Afrotaças. Chegou a hora para o início da preparação para uma representação condigna e elevação da auto-estima do angolano comum e, por consequência do nosso futebol.
A pátria, aos seus filhos não implora, ordena! Vem pelo facto de cada integrante quer da selecção como das duas formações, terem a percepção de que a responsabilidade deste exercício é transversal. Porque, o futebol, acima de tudo é igualmente transversal. Temos dito, bastas vezes que, arrasta multidões e inflama paixões. É um processo de gestão de emoções que tem imensas conotações sociais.
O 1º de Agosto e o Petro de Luanda estão por isso avisados a não repetirem fracassos anteriores nem apresentarem desculpas públicas (esfarrapadas) que tudo deveu-se a calendarização da nossa prova interna em relação aos restantes países africanos. Sobre esta matéria, o órgão reitor do futebol nacional em determinada altura veio a terreiro explicar que é também do seu interesse, rever o calendário da prova doméstica equiparando com outros países que, de resto têm tido maior protagonismo competitivo nas competições continentais onde aparecem claramente com maior rodagem competitiva.
Para o D’agosto e Petrolíferos em nada valerá serem “leões” aqui dentro e transformarem-se em “gatinhos” nas Afrotaças porque a nação do futebol está realmente prenha de desculpas esfarrapadas. O importante será, nesta fase, planificar devidamente e projectar estrategicamente, para desta forma saber realmente que objectivos pretendem atingir. Em minha opinião, já é altura de ambicionarmos muito mais do que chegar a fase de grupos. Se até à finais e meias-finais já chegamos em anos idos, então é hora até de projectarmos a conquista do título e ombrear com os gigantes do continente como TP Mazembe, Ahl Ahly do Egipto; Esperance de Túnis, Zamaleke e tantas outras….
Mas, parece que as nossas duas representantes terão que ultrapassar um imbróglio que se desenha no horizonte. Quis o destino que os Palancas Negras, versão doméstica fosse apurada para o Chan de Marrocos que se disputa já em Janeiro. Da mesma forma, Petro de Luanda e 1º de Agosto, logo ao terminar o Chan, iniciam a chamada “campanha africana” em busca da reconquista do almejado “lugar ao sol”. Para isso, ambas formações necessitam de juntar o grupo, iniciar a preparação criar coesão e concentração para atacar os objectivos nas competições. Até aqui, tudo bem!
Do outro lado da moeda está a Selecção Nacional que, curiosamente, na versão doméstica, sustenta-se basicamente com jogadores daquelas duas formações por serem as mais quotadas e com elevado nível e qualidade, sem desprimor às demais formações. Como será, afinal?
Será que, em função das ambições e projecções das duas nossas representantes que apostam na reconquista de África será “possível” cederem sete a oito jogadores nucleares à selecção nacional?
Quais os interesses maiores, os do clube? Ou os da Selecção Nacional?
Essas e outras questões, na verdade sustentaram o título deste texto de opinião. No nosso modesto entender, está em primeiro lugar a Pátria pois esta, não implora aos seus filhos. Necessário se torna agora encontrar “meios-termos” e arranjos e concertações de circunstâncias para que não se fira o interesse da representatividade da Bandeira Nacional ao mais alto nível. A Selecção Nacional representa a Bandeira Nacional e esta é um dos mais altos símbolos da Pátria. Naturalmente que, na sua acção externa, os clubes, sendo angolanos, também o fazem mas, a selecção, na ordem de precedência, acaba por estar acima do clube.
Tem assim a FAF uma “batata quente” às mãos para puder se desenvencilhar e manter os interesses nacionais intactos para além de que, pelo andar das coisas, a estrutura que dirige o nosso futebol parece mostrar algum “desinteresse” fechando os olhos à grandeza que o assunto encerra. Ao não indicar o seleccionador nacional (pelo menos não havia indicado até a altura que escrevíamos este texto) que conduzirá os destinos dos Palancas Negras no Chan e ao não vir a terreiro explicar as causas deste “congelamento letárgico” provoca um imbróglio que pode ter repercussões dolorosas.
Em conclusão, se afigura que, Petro e D’agosto se afinquem já nas respectivas preparações para vermos depois o que vem, para se definir as prioridades literalmente vantajosas ………..
MORAIS CANAMUA

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