Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A renncia (im)possvel

09 de Junho, 2017
O factor organização assume capital importância em todos afazeres do homem. Em nossa casa, na nossa escola, no nosso local de trabalho enfim. Ela determina o sucesso quando se faz presente e o fracasso quando prima pela ausência. No caso presente do nosso desporto é de todo legítimo aferir que certas instituições encontram sérias limitações no seu exercício em função de estratégias não muito bem delineadas e desprovidas de rigor científico sem ter em conta as regras mais elementares da gestão desportiva.

Roça quase os píncaros do absurdo que uma federação seja incapaz de criar atractivos para a Selecção Nacional. Que os atletas façam ouvidos de mercador a uma convocatória para representar as cores da sua bandeira. O caso, desde já, não é comum cá entre nós.Podemos ter memória de um ou outro atleta convocado a uma selecção, não importa tanto de que modalidade seja, que tenha dito categoricamente “não”, mas isto não ocorre em série.

Na última convocatória de Beto Bianchi para o jogo deste fim-de-semana com o Burkina Faso, alguns não responderam positivamente, quando é sabido que envergar a camisola nacional representa o topo da carreira de qualquer desportista, quanto mais não seja uma prova da sua maturidade, da sua excelência. A posição tomada pelo grupo do “não”, em circunstância alguma deve ser encarada com normalidade, por configurar um caso inédito no nosso desporto e um desrespeito aos interesse da Nação.

Em sentido inverso, o “não” deve constituir matéria de estudo para intra-muros a federação angolana de futebol abordar com profundidade as causas, sem bodes expiatórios e recalcamentos, tirar as ilações devidas para acautelar o amanhã.Claro está que para estes pode haver alguma penitência, porque o entendimento a que o bom senso nos conduz é de que poderá haver muita coisa dentro da estrutura federativa do nosso futebol longe do domínio do grande público, que terá dado azo a este tipo de reacção. Afinal só situações propensas a criar desânimo levariam um atleta a dizer “não” à sua selecção.

Que situações serão estas, não nos atrevemos a apurar, até porque não somos adivinhos. Mas existem.Mas talvez a responsabilidade não deve ser integralmente assacada à actual direcção da FAF, porque ao que é do nosso domínio no consulado actual os Palancas juntaram-se apenas uma vez, para disputar os amistosos de Março passado com Moçambique e com a África do Sul. É certo que quando se entra para uma gestão herdamos o passivo do nosso antecessor. E pode ser mais ou menos isto que se estará a passar.

Como o dissemos, vestir a camisola nacional é o topo da carreira de qualquer atleta, mas também este atleta espera sempre entrar bem, ver honrados os seus propósitos e, mais do que isso, valorizada a sua prestação. Quando se sujeita a uma série de constrangimentos para chegar à equipa nacional, naturalmente numa próxima chamada pode pensar duas vezes sobre a resposta, mais a mais para quem é profissional, que vê nas suas ausências constantes uma possibilidade de perder a titularidade na equipa que representa.

Não havendo como sancionar este tipo de comportamento de forma severa só a própria selecção e em última instância o país saem a perder. À guisa de exemplo, o jogo com o Burkina Faso, como é sabido, será de extrema importância, e pode estar o seleccionador, a quem foi, certamente estabelecida uma meta, contrariado. Entra, pois, em campo com uma equipa que pode estar um pouco aquém da idealizada por si inicialmente.

Aqui, e como já foi referenciado, não atribuímos responsabilidades no global à actual direcção da FAF. Ela deve interiorizar a velha máxima “não deixe acontecer, faça acontecer” para evitar o descrédito. Aqui fica o apelo no sentido de pugnar pela organização, a ver se situações do género não se repitam nos próximos tempos. Para tanto há que se dar atenção a quem atingiu o estatuto de representar a Selecção Nacional. Não foi bom, à partida, renunciar à selecção, pois revela falta de compromisso com a pátria. No tempo da outra senhora o gesto podia ser motivo de várias interpretações. MATIAS ADRIANO

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »