Jornal dos Desportos

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Opinio

A "revoluo" no futebol com Plano de Reajustamento

19 de Julho, 2016
Joaquim Dinis, o popular “ Brinca n’Areia”, para muitos a maior referência do futebol nacional de todos os tempos (há quem considere ser Santana, bi-campeão europeu pelo Benfica de Portugal), juntou a sua voz às dos que são de opinião que todos quantos se revêem no futebol angolano devem arregimentar políticas que visem colocar a modalidade no seu lugar no contexto das nações africanas, no sentido de se resgatar o respeito de que era alvo, em tempos não muito distantes.

Para que isso aconteça, de acordo com Joaquim Dinis, à Rádio Cinco, é necessário que os agentes da modalidade, materializem o que se pode convencionar de Plano de Reajustamento do Futebol Nacional de Angola (PRFNA), que deve aglutinar todas as vertentes que a modalidade encerra.

Ao aproximarem-se as eleições para os corpos sociais da federação angolana da modalidade (quando?), no âmbito da conclusão do ciclo olímpico de quatro anos, noves fora o facto de quem vencer o pleito, em minha opinião, o PRNFA, deve definir estratégias de desenvolvimento competitivo, a começar pelos escalões etários, passando pela organização estrutural dos clubes, das associações provinciais que são as mandatárias dos clubes) e da própria federação.

Independentemente das dificuldades financeiras que assolam o país, decorrentes da crise económica e financeira mundial, que muitas vezes serve para justificar o incumprimento de vários projectos, por manifesta incapacidade e falta de criatividade de alguns gestores, numa primeira fase, os clubes da primeira divisão, para além de possuírem escalões de formação, devem arranjar condições que permita aos que começarem praticar futebol, evoluírem sem constrangimentos.

Os clubes devem dispor, no mínimo, de um campo para jogos oficiais e de outro (s) destinados ao treino, inclusive para as camadas de formação.
Na verdade, como se começa a verificar, se o apoio aos escalões de formação, que amiúde já se faz sentir em alguns pontos do país, continuar nesta senda, com probabilidades de crescer, vão surgir em maior quantidade craques e talentos da estripe de Gelson, Ary Papel, Nelson da Luz, Carlinhos e Chabalala, entre outros, que há muito o futebol estava em déficit.

Não estarei distante da realidade, ao afirmar que as falhas não estão nos homens, mas na forma como o futebol é organizado e dirigido. No âmbito da tão propalada Reformulação do Futebol Nacional, que há décadas tem sido abordada por uma quantidade considerável de agentes da modalidade, uma das acções que deve ser desenvolvida como prioritária, relaciona-se com os dirigentes que devem se manter actualizados como gestores.

Essa acção, deve incidir igualmente num maior rigor profissional quanto ao perfil e a capacidade profissional dos técnicos nacionais e estrangeiros que exercerem a sua actividade em Angola, tendo como foco principal os escalões de formação.

É nos escalões de formação, que reconheça-se, têm estado a registar alguma evolução cientifica, técnica e desportiva, principalmente em Luanda, fruto do investimento sério e programas convenientemente gizados, de alguns clubes, academias, escolas e núcleos, que o investimento deve constituir uma constante.

Ao contrário do que se observa em alguns pontos do país, ondecontinuam relegados aos segundo plano, incluindo na cidade de Luanda, o ponto de maior desenvolvimento da modalidade, são os jovens, crianças e adolescentes, na sua qualidade de sustentáculo dos seniores, que devem beneficiar de técnicos com melhores conhecimentos cientifico s, técnicos e profissionais, assim como condições de trabalho, como equipamentos, bolas e campos próprios para o treino e jogos oficiais.

Nunca é demais recordar que uma das principais funções sociais que o futebol, na qualidade de modalidade que mais homens e meios movimenta, consubstancia-se em amenizar as mentes, e promover a convivência harmoniosa na multiplicação.

De acordo com o que se vem observando ao longo dos anos, em minha opinião, é imperioso que se aposte mais na formação e actualização dos treinadores, árbitros, assim como aos dirigentes a todos os níveis. Aqui, os clubes, devem ser mais acutilantes na acção pedagógica aos seus atletas desde a iniciação, para se evitarem o que se regista algumas vezes, a nível dos seniores, atletas que para além de desconhecerem as regras básicas do jogo, manifestam comportamentos negativos.

Leonel Libório

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